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Coluna: Direito e Justiça (11/04)

qui, 11 de abril de 2024 08:08

Direito e Justiça:

 

O presente do velho samurai:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Samurai: Os samurais foram uma classe de guerreiros que surgiu no Japão no Século X e que prestaram serviços militares aos Daimios (senhores feudais) até o Século XIX.

 

O Bushido: O Bushido (O Caminho do Guerreiro) contendo o código de honra e ética do guerreiro samurai, surgiu e consolidou-se juntamente com a história dos samurais durante os períodos Heian e Tokugawa. As principais virtudes do Bushido são: Justiça (GI), Coragem (YUU), Benevolência (JIN), Educação (REI), Sinceridade (MAKOTO), Honra (MEIYO) e lealdade (CHUUGI).

 

O Último Samurai: Em 2004, muita gente demonstrou um inusitado interesse por tudo quanto se referisse aos samurais e sua história no Japão, tudo decorrendo do lançamento do filme “O Último Samurai”, que mostra o ator Tom Cruise no papel de um militar americano cuja vida muda ao conhecer os samurais e o Bushido. Passa-se na era da Restauração Meiji (1868), após a queda do derradeiro Xógum (governante militar), voltando o Imperador a ter ascendência política. Em poucas décadas, o Japão modernizou-se, industrializou-se militarizou-se, tornando-se uma potência mundial Para o bem e para o mal…! São fatos históricos.

 

 

O presente do velho samurai:

 

 

 

Um inigualável samurai japonês, já velho e inapto para as artes marciais, fundou uma escola, disposto a transmitir, ainda antes da sua morte, os seus inestimáveis conhecimentos.

 

Certo dia, apresentou-se diante daquela escola — que se situava exatamente na praça central do vilarejo — um jovem e afoito samurai, o qual, sedento de glória, desafiou aos gritos o grande e velho mestre e sensei, por sinal o mais afamado dos samurais japoneses, o guardião do Código Bushido, repertório dos preceitos de disciplina, de honra e de ética seculares e inatacáveis.

 

Venha, velho, vamos lutar até a morte. Ao vencedor, glória, fama e dinheiro! Ao perdedor, a desonra!

 

O velho, sem dizer palavra, seguido por todos os seus alunos e por uma turba que só fazia aumentar, deixou o recinto sagrado da escola, sentou-se no meio da praça e ali ficou estático, mudo, paciente.

 

Enquanto isso, desesperava-se o jovem samurai, que brandia a espada mortífera dos samurais, curva e de dois gumes, vociferando impropérios de toda sorte. Sabia o jovem que, sem que o seu desafio fosse aceito, não poderia dar início ao combate, não poderia atacar o mestre samurai, nem tocá-lo, nem feri-lo, sob pena de ser considerado simplesmente um assassino e um covarde, e não o hábil e heroico vencedor de uma luta justa e legítima.

 

Depois de muitas horas, já pelo início da noite, atônitos todos os circunstantes, quieto e mudo o velho samurai, cansado e exaurido o jovem, este, vendo que nada conseguiria, retirou-se do local, cabisbaixo e humilhado. O seu desafio não fora aceito.

 

Vieram as recriminações:

 

– Mestre, sensei, que decepção, que vergonha para todos nós que o amamos e que o respeitamos tanto! O senhor não reagiu, nada fez, não lutou e não sobreviveu ou morreu com honra, e aquele jovem miserável o insultou por horas seguidas perante todas estas pessoas…

 

Prudentemente, responde-lhes o ancião:

 

– Filhos, eu lhes pergunto: quando alguém lhes oferece um presente e vocês não o aceitam, com quem fica o presente?

 

Responderam todos:

 

– Com aquele que nos ofereceu o presente, isto é claro, mestre!

 

 

Tornou o velho sábio:

 

– Pois muito bem, meus filhos. Em nenhum momento eu aceitei o presente daquele pretensioso jovem, que terá ainda muito que aprender, se a sua violência incontida e estúpida não o ceifar rápida e prematuramente. Quis ele presentear-me com insultos, arrogância, prepotência, imprudência e muitos outros males. Recusei-os todos, e os presentes que ele me trouxe e que me queira dar ficaram e voltaram, todos, com ele.

 

 

 

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Comentário pessoal:

 

A inconsequência e a afoiteza são atributos habituais e até mesmo próprios da juventude, que se mostra muitas vezes estouvada e predisposta a aventuras arriscadas e sem lmites claros. A seu turno, experiência e a sabedoria acumulam-se pacientemente com o passar dos anos e atingem o seu ápice na velhice, eufenisticamente alcunhada de “terceira ou melhor idade”.

 

Por saberem disso e para que possam colher o melhor e o máximo, dos seus anciãos, as antigas civilizações orientais do Japão, da China, da Coreia, da Tailândia, e de outras no entorno, tratam os seus idosos com um outro olhar, sob um outro proceder, prestando-lhes de forma contínua reverências e obséquios, que por aqui não existem.

 

Sim, é isso mesmo! Reverências e obséquios que por aqui não são prestados aos velhos e encanecidos cidadãos, que, após décadas de trabalho e de escorços úteis, prestados à sociedade, aposentam-se sem terem o direito de esperar por uma vida mais confortável, calma e com honras. Pelo contrário, achatam-se os seus vencimentos, humilham-nos, espezinham-nos e não os aproveitam para nada ou quase nada. Pior: tratam os “seus velhos” como um estorvo e um peso inútil…!

 

Daí, posso dizer que advém o nosso atraso atévico e servil, seja como nação, seja como país, seja com um povo. Não vamos para frente, estacionamos na mesmice da burrice e da estupidez, enquanto “velhos samurais”, mestres e senseis, pontificam alhbures, ensinando aos jovens mais inteligentes e receptivos o que de mais precioso amealharam nas suas longas e profícuas vidas.

 

Sensei, encanta-me por demais esta palavra da língua japonesa, que possui em si um significado e uma grandeza maiores do que a sua pequena dimensão física. Destaquei isto por ocasião do Dia do Professor, ainda no ano passado, mas agora quero reiterar e insistir ante a inestimável lição de moral legada aos seus jovens discípulos pelo velho e sábio samurai, que, muito mais do que um guerreiro de espada,e arco era um mestre, um sensei, um sábio.

 

Sensei é o nome que se dá no Japão especialmente à profissão de professor ou mestre (a pessoa que ensina). Mas, não é somente isso. Sensei, em japonês, é uma palavra quase que sagrada, constitui um título de honra para pessoas que ensinam algo ou que são especialistas ou possuem domínio em suas respectivas áreas de atuação.

Os médicos, escritores, advogados, políticos e outras figuras de autoridade estão entre esses agraciados que recebem o distinto tratamento, sendo também chamados de sensei. É relevante frisar que, sensei é usado e conferido como um título de honra, de

integridade e de honestidade. Ninguém pode declarar a si mesmo um sansei, pois é preciso galgar e ultrapassar etapas, adquirir inegável respeitabilidade pelo mérito e esforço pessoais e sobretudo pelo reconhecimento alheio.

 

Para merecer o tratamento de sensei e ser verdadeiramente acatado como um sensei é preciso:

 

• Desenvolver a confiança;

• Ter honestidade e transparência;

• Ser ético em todos os sentidos;

• Ser um exemplo para conduta moral, ética e legal;

• Ser educado, amável, calmo e não se importar com provocações.

 

Iniciei estas observações, referindo-me ao professor ou mestre, ou seja, àqueles ou àquelas que ensinam pessoas, dentro das escolas ou fora delas. aquelas pessoas que se esforçam e que se sacrificam pessoalmente, para continuarem a seguir uma profissão tão desconsiderada entre nós, embora seja a mais valorosa de todas. Tanto assim é que:

 

• No Japão, o professor é o único que não deve e nem precisa inclinar-se perante o Imperador;

 

• Na Alemanha, o professor sempre recebe, de fato, um salário alto e condizente, superior mesmo ao das demais profissões liberais;

 

• Nos países educados e que valorizaram seus mestres e professores, há mais civilidade e paz; por outro lado, onde não se valorizou, o atraso é visível;

 

• Uma nação,um país, um povo somente se redimem e progridem por meio de uma permanente, boa e sólida educação;

 

• A educação começa no lar com as condutas básicas e os valores morais mínimos e prossegue na escola, que a complementa com disciplinas teóricas e práticas e as regras sociais de conduta imprescindíveis;

 

• Se não se protegem o mestre e o professor, a escola e a família, não haverá futuro digno, confiável e seguro;

 

Resumindo: se não tivermos senseis entre nós, não teremos futuro promissor.

 

 

 

Araguari – MG, 11 de abril de 2024.

 

Rogério Fernal .`.

1 Comentário

  1. Eliane disse:

    Eu estava lendo e lembrei de que já tinha lido em outra ocasião. E de umas décadas para cá colocaram o aluno em evidência, não que o aluno não merecesse, mas também não precisava rebaixar tanto a posição do professor. Alunos dos anos iniciais não sabem mais nem o nome do professor. O Japão um país que teve duas cidades bombardeadas e sofre com problemas de terremotos e eles reconstroem tudo em prazo de pouco tempo, super adiantado, cheio de modernidades, em 1963 lá já tinha o trem bala. O Brasil parou no tempo principalmente nos transportes e outros.

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