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Coluna: Neuropsi (15/04)

qui, 15 de abril de 2021 11:01

Abertura-neuropse

 

1-Será que os homens conseguem lidar com o sucesso profissional das mulheres?  Se ela ganha mais, o casamento balança?

Antes as mulheres  eram sustentadas pelos homens. Agora, muitas  levam para casa, salários mais elevados do que os dos maridos. Como eles lidam com isso, uma vez que sempre tiveram o papel de sustento da família.

As diferenças significativas em termos do rendimento dos membros do casal podem ter um impacto negativo na estabilidade conjugal. Isso está muito longe de significar que haja problemas sempre que um ganha mais do que o outro. Na prática, esse é mais um desafio, geralmente contornável.

Infelizmente, o fato de ser a mulher a ganhar mais do que o marido continua a gerar demasiados juízos de valor da parte das famílias de origem. Quando isso acontece, ou seja, quando os membros do casal permitem que a família alargada assuma demasiado poder – mesmo que seja “apenas” através da manifestação de opiniões -, é mais provável que surjam conflitos sérios.

Claro que socialmente continuamos a construir expectativas de que os homens sejam os principais a garantir a estabilidade financeira da família, isso é natural, pelo menos numa fase inicial da relação, mas pode ser que haja algum desconforto.

Mas as famílias tendem a gerir com muita inteligência emocional este desafio.

2-O que falar a um marido que esteja a passar por esta situação? E qual o conselho que dava a uma mulher, para que possa ajudar o marido com esta questão?

A fragilidade associada ao fato de ganhar menos do que a mulher é mais facilmente ultrapassada na medida em que o assunto seja abordado com clareza e honestidade e, cada um, dê voz àquilo que sente.

O desconforto tende a dissipar-se na medida em que a mulher seja capaz de validar as emoções do marido, seja solidária, mas não faça da assimetria um drama. Se o dinheiro for encarado como uma fatia da conjugalidade e os membros do casal forem capazes de construir um projeto familiar que contemple essas diferenças, tudo será mais fácil.

O que importa é que as decisões a respeito desse projeto continuem a ser ponderadas a dois e no sentido de dar resposta aos sonhos de ambos. A gestão financeira não é mais do que um meio para dar um rumo ao que for projetado a dois. Mas, se isso se transformar num braço-de-ferro, é preciso repensar algumas decisões e porventura pedir ajuda.
Uma relação para ter sucesso deve ter equilíbrio. Nenhum dos elementos deve viver à sombra do outro.

3-O que deve o homem fazer para se sentir bem com ele, ultrapassar a situação e ficar feliz com o sucesso profissional da mulher?
Essa coisa de “quem manda na casa” acabou. Hoje, cada membro da família tem o dever de se responsabilizar, se empoderar e dar apoio aos outros.
O fato de o marido ganhar menos do que a mulher pode não equivaler a insucesso profissional. De qualquer modo, a estabilidade familiar e individual são mais prováveis quando cada um, der o seu melhor no sentido de ser bom naquilo que faz.

Nem todas as pessoas têm as mesmas oportunidades, mas cada um pode viver com a sensação de que deu o seu melhor. Claro que isso é mais provável na medida em que haja apoio e admiração mútuos. Cada um dos membros do casal pode e deve mostrar essa admiração pelo cônjuge independentemente do rendimento financeiro associado às respetivas competências profissionais.

Quando o casal olha para a mesma direção, não se preocupa se o dinheiro veio do bolso de um ou de outro, mas comemora que algum objetivo em comum será alcançado.

4- Qual a receita para que uma relação assim seja bem-sucedida?

a)     Coloque (cedo) as cartas na mesa. Embora as finanças não sejam um assunto romântico, discuti-las desde o início do relacionamento evita apertos e estresse no futuro. Conhecendo a renda e os planos profissionais de cada um, o casal pode avaliar sua compatibilidade e organizar as contas, a rotina e os projetos em comum.

b)     Você merece! Um salário elevado é fruto de um esforço tão grande quanto. Orgulhe-se do seu sucesso e não tenha medo de constranger o parceiro.
Ele deve valorizar essa remuneração e não tomá-la como um demérito, porque afinal, a mulher batalhou para chegar lá.

c)     Lembre-se: o dinheiro não tem gênero. A contribuição financeira (e mesmo a responsabilidade pelo sustento do lar) deve ser determinada com base na renda e nas oportunidades de cada um. O casal inteligente hoje é aquele que analisa quem tem mais chances de crescer e se dispõe a apoiar esse crescimento.

d)     Estimulem a carreira um do outro. A parceria entre o casal serve também para que ambos cresçam juntos e se inspirem a alcançar seus objetivos. A mulher pode incentivar o parceiro a explorar seu potencial também e não deixar que a diferença salarial seja o pivô do distanciamento entre eles.

e)     Não alimente a competição. Um relacionamento deve ser uma parceria, não uma disputa entre o casal. Foque no que sua renda (ou a soma da renda dos dois) pode proporcionar a vocês, evitando comparações, cobranças e ‘carteiraços’.
No casamento, nós fazemos planos em comum e, um estar melhor do que o outro significa que os dois estão bem.

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