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MOMENTO BNI – 27 DE JUNHO

sáb, 27 de junho de 2026 16:13

 

Nunca foi tão fácil abrir uma empresa. Mantê-la continua sendo o maior desafio

Recorde na abertura de empresas revela mudança no comportamento dos brasileiros. Em busca de autonomia, propósito e qualidade de vida, profissionais deixam carreiras tradicionais para investir no próprio negócio. Mas especialistas alertam: abrir uma empresa é apenas o primeiro passo.

 

O Brasil vive um momento histórico no empreendedorismo. Em 2025, o país registrou mais de 5,1 milhões de novas empresas abertas, o maior número da série histórica. Desse total, cerca de 96% são micro e pequenas empresas, demonstrando a força dos pequenos negócios na economia nacional e uma mudança significativa na forma como os brasileiros enxergam o trabalho.

No Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas, celebrado em 27 de junho, os números reforçam uma tendência que vai além da economia. Para muitos profissionais, o sonho da estabilidade deu lugar ao desejo de construir uma carreira própria, com mais autonomia, flexibilidade e propósito.

Hoje, os pequenos negócios somam mais de 22,5 milhões de empresas no país e são responsáveis pela maior parte dos empregos formais gerados. Em Minas Gerais, representam aproximadamente 99% dos empreendimentos em atividade, consolidando-se como um dos principais motores da economia.

Para a diretora executiva do BNI Regional Triângulo Norte, Priscila Bezerra, empreender deixou de ser apenas uma alternativa para quem estava desempregado e passou a representar um projeto de vida.

“Existe uma mudança clara de mentalidade. Cada vez mais pessoas escolhem empreender porque desejam construir uma carreira alinhada aos seus valores, com mais autonomia e propósito. Ao mesmo tempo, sabem que isso exige preparo, planejamento e uma rede de apoio para enfrentar os desafios da gestão e do crescimento.”

 

Da advocacia para o empreendedorismo

A trajetória da empresária Mariana Lopes retrata essa transformação. Formada em Direito, ela decidiu há oito anos deixar a advocacia para criar, ao lado da mãe, a empresa Paixão por Biju, especializada em acessórios e maquiagem.

A mudança foi motivada pela vontade de atuar em uma área com a qual sempre se identificou e também pela busca de uma rotina que permitisse conciliar carreira e maternidade.

“A advocacia foi muito importante na minha trajetória, mas empreender me permitiu trabalhar com algo que faz sentido para mim. Encontrei no universo da beleza uma forma de fortalecer a autoestima das mulheres e, ao mesmo tempo, conquistar mais liberdade para estar presente na criação da minha filha. Hoje consigo unir propósito, realização profissional e qualidade de vida.”

Ela destaca que a formação jurídica continua sendo um diferencial na administração da empresa, especialmente na análise de contratos, negociações e questões legais do negócio.

 

Abrir uma empresa nunca foi tão simples. Permanecer no mercado continua sendo difícil.

Se a tecnologia reduziu a burocracia para formalizar um negócio, a sobrevivência das empresas ainda depende de planejamento e gestão.

Para o consultor de negócios e membro do BNI Inter, Cacá Carvalho, muitos empreendedores dominam o produto ou serviço que oferecem, mas negligenciam a administração da empresa.

“Os erros mais comuns são não planejar, investir pouco em marketing e deixar de acompanhar indicadores financeiros, comerciais e de gestão de pessoas. Sem esses dados, o empresário perde a capacidade de tomar decisões e compromete o crescimento do negócio.”

Segundo ele, existe ainda um aspecto pouco discutido: o preparo emocional.

“Empreender exige lidar diariamente com pressão, prazos, clientes e decisões importantes. Outro grande desafio é aprender a delegar e construir processos para que a equipe consiga atuar com autonomia.”

 

O caixa decide a sobrevivência

Para o contador e coordenador de performance Edy Carlos da Silva Filho, membro do BNI Eleve, a gestão financeira continua sendo o maior gargalo das pequenas empresas.

“Hoje, um dos maiores desafios das empresas é transformar vendas em caixa. Muitos negócios faturam bem, mas enfrentam dificuldades porque recebem com atraso, não controlam o fluxo de caixa, precificam de forma inadequada ou crescem sem planejamento. É a gestão financeira que garante a sobrevivência da empresa.”

Outro erro recorrente é misturar as contas pessoais com as da empresa.

“Quando o empresário não separa as finanças, perde o controle do negócio e muitas vezes nem sabe quanto realmente lucra. Definir um pró-labore e manter uma gestão financeira organizada são medidas fundamentais para o crescimento sustentável.”

Edy Carlos também chama atenção para outro desafio que já está no horizonte: a reforma tributária.

“Quem começar agora a revisar processos, planejamento tributário e formação de preços terá mais segurança para enfrentar as mudanças e aproveitar as oportunidades que surgirão.”

O valor das conexões

Se abrir uma empresa está cada vez mais fácil, mantê-la competitiva depende de conhecimento, planejamento e relacionamento.

Para Priscila Bezerra, construir uma rede de contatos tornou-se um dos principais diferenciais para quem deseja crescer de forma consistente.

“Empreender não precisa ser uma jornada solitária. Quando o empresário compartilha experiências, aprende com quem já enfrentou desafios semelhantes e constrói uma rede de relacionamentos sólida, reduz erros, identifica oportunidades e amplia as chances de crescer de forma sustentável. Esse é um dos propósitos do BNI: fortalecer empresas por meio da colaboração e da geração de negócios.”

O cenário mostra que o Brasil vive uma nova cultura empreendedora. Nunca foi tão simples abrir uma empresa. Mas transformar um sonho em um negócio sólido, lucrativo e duradouro continua exigindo aquilo que nenhuma plataforma digital consegue substituir: preparo, gestão, disciplina e boas conexões.

Legenda: Edy Filho (contador) e  Mariana Lopes (advogada que há 8 anos deixou a profissão para empreender)

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