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Coluna: Neuropsi (29/07)

qui, 29 de julho de 2021 11:08

1- O que é “Síndrome da Boazinha”?

São pessoas que tem compulsão por agradar e não medem esforços para ajudar a todos. Mas ao contrário do que parece ser, nem sempre toda essa generosidade parece ser benéfica à pessoa que a pratica, pois ela acaba se frustrando em não conseguir realizar nada do que deseja e, dessa forma, sofre calada. Quem é assim age de forma pouco assertiva e é predominantemente passiva na interação com os outros; tende a sempre ceder às pressões externas.

 

2-Qual é o sexo mais acometido?

As mulheres sofrem mais com o problema do que os homens, por motivos biológicos. A ação do hormônio ocitocina faz com que elas sejam mais ligadas à família e aos amigos; o cérebro delas é preparado para se vincular mais às pessoas.

Além disso, as oscilações hormonais trazidas pelo ciclo menstrual, com períodos de maior ou menor sensibilidade, pode aumentar a dificuldade de dizer não. Quem diz não é muito julgado.

A mulher moderna tende a agradar aos demais, por querer suprir sua ausência. Para aprender a dizer ‘não’ e expor suas insatisfações, é necessário determinar e aceitar o que realmente deseja fazer.

 

3-Qual é a característica de quem sofre dessa síndrome?

Trata-se de uma predisposição geral para sufocar as próprias vontades e opiniões pelo receio de se indispor com os demais. Ou de ser mal vista se disser não.

A dificuldade de dizer não, nesses casos, está ligada ainda à baixa autoestima. E ao medo de não ser aceito pelos outros ou de passar a impressão de que age com má vontade diante das demandas alheias. É preciso saber dizer sim e não. Uma das características mais marcantes dos ‘agradadores’ compulsivos é a dificuldade em dizer “não” a pequenos pedidos, tarefas e favores, o que tende a levar a uma sobrecarga de atividades. O medo de desagradar ou simplesmente o fato de não ter aprendido a ser assertivo quanto aos próprios desejos fazem com que a pessoa aceite situações nas quais não se sente confortável. É sintoma de um sentimento de insegurança diante da vida e até de falta de um repertório para se posicionar.

 

4-Mas o que pode existir de errado em querer agradar?

As pessoas que sentem necessidade de agradar a todos acreditam por um tempo que conseguem viver bem, pois sempre agrada o outro, logo estão sempre com alguém por perto. Isso faz com que a mulher se sinta confiante, porém, temporariamente. Com o tempo percebe que realizando somente a vontade do outro, tendo tempo para o outro, acaba deixando sempre o que é seu de lado. Para ela é difícil frustrar as pessoas, e se sente mais confortável dizendo sempre” sim”.

Dizer “sim” o tempo inteiro é uma espécie de “prisão a céu aberto”. Uma mulher que faz isso se dá menos valor. O desespero e a ilusão de que vai conseguir ser feliz é tão grande que muitas mulheres aceitam esse comportamento.

 

5-Qual é a consequência?

A consequência lógica de estar sempre com foco no desejo do outro é que você acaba não ouvindo sua própria voz interior, que pode estar tentando protegê-la de se desgastar demais ou de agir contra seus próprios interesses.

Ser boazinha, o tempo todo, pode fazer com que a mulher perca a sua opinião própria e acabe concordando com as atitudes alheias, somente para agradar, o que pode deixá-la com baixa autoestima, pois a própria pessoa identifica que suas relações se mantêm por deixar os outros em primeiro lugar, se doar o tempo todo e não dizer não.

Esse “medo” fica notório aos demais e, por isso, alguns se aproveitam para pedir favores, pois sabem que sempre terão suas vontades realizadas, uma vez que a “boazinha” nunca vai discordar de nada que lhe for imposto, mesmo não sendo o que deseja.

 

6-Existe tratamento?

Comece a dizer não. Já tem meio caminho andado quem sabe que tem problemas com isso. “Dizer ‘sim’ e ‘não’ é um exercício de autoconhecimento dos seus limites.

Há diversas maneiras de dizer não e projetar aos outros as suas opiniões e vontades, sem ter medo de que alguém fique com raiva, por não estar disponível. Entre eles, evitar iniciar frases pedindo desculpas por não poder ajudar, ser breve na justificativa e não fazer rodeios. Em hipótese alguma, dizer ‘não’ significa negar uma amizade, mas não poder atender aquele desejo ou pedido específico. As amizades verdadeiras envolvem dizer ‘não’ também.

Se a pessoa não conseguir tomar esta iniciativa, a melhor forma para solucionar essa dificuldade é consultando um psicólogo para fortalecer sua autoestima e perceber todas as suas virtudes, mantendo relações saudáveis independente de ‘sim’ ou ‘não’. Em algumas situações é necessário a intervenção do psiquiatra.

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