Proibição da entrada de animais domésticos no Bosque motiva protestos e será discutida na Câmara Municipal
sex, 9 de agosto de 2019 05:41por Samara Arruda
Situado na região central de Araguari, o Bosque John Kennedy representa um dos cartões postais do município, além de ser patrimônio público. O espaço oferece várias oportunidades para manter a qualidade de vida, entretanto, os araguarinos têm chamado a atenção para certa proibição. Logo na entrada, os visitantes são recebidos por uma placa proibindo a prática de alguns esportes, além da entrada de cães e gatos.

Tutores de animais domésticos pedem a liberação de cães e gatos no Bosque Municipal John Kennedy
Inconformados, tutores de animais domésticos estiveram na manhã desta quinta-feira, 8, nas dependências do Bosque, pedindo que seja regulamentada a entrada dos referidos animais no local. A mobilização foi organizada pelo vereador Jander Souza Patrocínio (PSB), que fez um chamamento nas redes sociais, após ser divulgado um vídeo de uma criança, pedindo que o vereador tomasse alguma providência sobre a questão. “Isso não pode ser, os animaizinhos tem direito de entrar aqui, vou levar isso para o vereador Jander Patrocínio”.
Em entrevista, o edil contou que o assunto é antigo e sempre recebe esse questionamento, motivando inclusive, um projeto de lei apresentado por ele em janeiro de 2018. “Naquela época, encaminhamos o projeto para a Câmara, entretanto, o mesmo se encontra parado. Nesta semana, a garotinha Júlia pediu que a situação fosse novamente analisada e o vídeo recebeu o apoio de um grande número de pessoas que assistiu por meio de rede social. Agradeço à Júlia por fazer esse pedido que é muito importante, pois, todos têm o direito de frequentar o local.”
Após o pedido, o vereador fez contato com o secretário de Meio Ambiente Hamilton Tadeu de Lima Júnior e buscou orientações junto ao presidente da Câmara Municipal, Wesley Lucas de Mendonça (PPS). Além disso, realizou pesquisas e averiguou que o impedimento não tem respaldo em lei municipal ou no Código de Postura do Município. Assim, o projeto de lei que visa a regularização da entrada de animais domésticos no Bosque e a substituição da placa, será colocado na pauta da sessão da Câmara Municipal da próxima semana.
Se aprovada, é importante ressaltar que a lei dará permissão somente para o tutor que cumprir alguns pré-requisitos, como a utilização de coleiras e guias em seu animal de estimação que deve estar acompanhado, além da utilização de coletores ou sacolas para lixo, para limpeza das fezes dos animais, a fim de evitar sujeira na reserva florestal urbana, considerada uma das maiores da região.
Nas redes sociais o assunto dividiu opiniões. Enquanto os donos de pets acreditam que o local deveria ser livre para os passeios, pois, se trata de um espaço público, outros afirmam que animais domésticos tendem a interferir no ecossistema do Bosque. Conforme ressaltou a ambientalista Rafaela Resende, a liberação da entrada de cães e gatos na reserva traria várias consequências, tanto aos animais domésticos quanto à fauna e flora nativa e até mesmo aos seres humanos.
Dentre os problemas citados por ela está a predação de animais silvestres pelos cães e gatos, a competição territorial (o território dos animais nativos diminui com o avanço dos domésticos) e a transmissão mútua de zoonoses, que pode afetar os donos dos animais.
“Os animais silvestres que ainda habitam no Bosque não têm imunidade para a cinomose, por exemplo, e que se espalha com muita facilidade, é difícil controlar. Trata-se de uma doença viral transmitida pelo ar ou por contato direto com o animal infectado e cujos sintomas incluem problemas respiratórios, intestinais e nervosos, podendo levar à morte, dentre outras doenças. Nos gatos, as doenças toxoplasmose e as hemoparasitoses (zoonoses), as não zoonoses FeLV (vírus da leucemia felina) e FIV (vírus da imunodeficiência felina). A transmissão de doenças é uma via de mão dupla: tanto os animais domésticos podem infectar os silvestres, quanto os silvestres podem contaminar os domésticos,” ressaltou.
Ainda segundo acrescentou, trazendo a doença da floresta para casa, o animal pode infectar pessoas. “Uma possibilidade para a comunidade ter um espaço para seus pets seria uma praça com um cercado, possibilitando aos cachorros ficarem soltos e seus donos poderem ter uma interação com os mesmos,” ponderou.
A estrutura do Bosque e a manutenção também foram questionadas por araguarinos, que ressaltam ainda a importância de haver uma ação eficaz para evitar até mesmo a entrada de animais de rua que permanecem no local.
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