ODIL
qua, 21 de fevereiro de 2018 05:27por Diomar Freire
Formado em Filosofia.
Odil nasceu com o dom de fazer amizades e durante toda uma vida de capacidade de conservá-las. Eu fui uma delas, sempre ocasionais, cimentada pela confiança e pela admiração. Ouvia com interesse as histórias maravilhosas que ele participou da vida social e política de Araguari nas décadas de 40 a 70. As viagens de caminhão que fazia com seu amigo e companheiro o bilionário dono da Gol para o nordeste, levando mercadorias e passageiros. Época de sofrimento e pobreza!
O meu último encontro com ele foi uma semana antes do Carnaval, no supermercado. Aproximou-se de mim e contou o sofrimento dele de ver sua esposa na UTI com pouca esperança! Ele não esquecia as particularidades de cada um e, com frequência, surpreendia com um presente do gosto do presenteado. O amigo para ele era coisa séria, de confiança, de admiração e preciosidade.
Foi o que ele demonstrou, dando-me uma garrafa de vinho para comemorar o Carnaval na minha terra natal. Por ironia do destino, longe daqui, eu e a Marília, às cinco horas da tarde, no alpendre, degustando o vinho que ele me ofereceu, e apreciando a beleza verde das montanhas que circundam a minha cidade, explicando para ela, que a montanha tem o símbolo divino.
Foi na montanha que Moisés recebeu do Senhor os dez mandamentos. Foi na montanha que o Demônio quis seduzir Jesus. Foi na montanha que Jesus orou e suou sangue. Foi na montanha que Jesus pronunciou o seu mais belo sermão. Foi na montanha que foi morto e crucificado numa cruz.
Quando eu terminei de pronunciar esta última frase, meu celular tocou, o Nilo disse: pai, Odil morreu! Concentrei alguns minutos nas minhas orações e conclui que nossa vida é como um relâmpago que se abre na noite caliginosa e desaparece sem mostrar o brilho do seu esplendor. Naquele momento de tristeza eu me lembrei das tragédias gregas, que há muito tempo não me lembrava, e uma delas, me veio na memória.
“Caminhava certo dia um viajante por uma das incontáveis estradas do mundo, quando, sentindo-se fadigado, procurou um lugar para repousar. Notou à curta distância uma frondosa árvore cujas raízes eram acariciadas pelo ondular da relva macia. Dirigindo-se para ela, logo quedou, batido pelo cansaço. Permaneceu imóvel alguns instantes, e, em seguida, voltando-se para o lado, notou uma pequena pedra, verificando tratar-se de um túmulo. Nela leu um nome, duas datas e o seguinte dizer: “Gastou bem a fortuna da vida”. Meditou alguns instantes sobre aquela frase e logo, erguendo-se, caminhou em direção à cidade. Lá chegando, procurou saber quem havia sido em vida o homem enterrado no campo e, ao cair da tarde, chegou à conclusão que havia sido bom filho, bom esposo, bom pai e bom amigo.”
Você Odil, foi bom irmão, bom filho, bom esposo, bom pai e bom amigo. No coração de Odil não tinha lugar para o ódio e nem rancor. Na vida ele praticou a mais bela de todas as virtudes – a humildade.
Araguari perdeu um Homem e o jardim da eternidade o recebeu.
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