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Justiça concede liberdade a mulher que matou companheiro com facada em Araguari

qua, 23 de setembro de 2026 08:00

Da Redação

Legenda: Crime aconteceu em Araguari na madrugada do último sábado.

A Justiça de Minas Gerais concedeu liberdade provisória à mulher de 20 anos investigada pela morte do companheiro, Lucas Rayander dos Santos, de 28 anos, em Araguari. O crime foi registrado na madrugada do último sábado, 19.

 

A decisão foi tomada após a análise da prisão em flagrante e dos elementos apresentados durante a audiência de custódia. Embora tenha homologado o flagrante por homicídio simples, o magistrado decidiu não acolher o pedido de prisão preventiva apresentado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e determinou que a investigada responda ao processo em liberdade, mediante o cumprimento de medidas cautelares.

 

O crime ocorreu na residência localizada na Rua Alameda Divonete Santiago, no bairro Palmeiras do Império. De acordo com as informações analisadas pela Justiça, a ocorrência aconteceu durante uma discussão entre o casal. O caso, segundo a decisão judicial, está inserido em um contexto de conflitos domésticos e de episódios anteriores de violência que teriam sido praticados contra a investigada.

 

Ao avaliar a necessidade de manutenção da prisão, o juiz considerou as circunstâncias apresentadas até o momento pela investigação. Um dos pontos destacados na decisão foi a existência de relatos de agressões físicas e ameaças de morte anteriores.

 

Ainda conforme os elementos considerados pela Justiça, após o episódio envolvendo a facada, a investigada teria demonstrado preocupação com o estado de saúde do companheiro. Ao perceber que Lucas estava ferido, ela teria saído para a rua em busca de ajuda, procurado vizinhos e acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). A mulher permaneceu no local e aguardou a chegada das autoridades, sem oferecer resistência à abordagem policial.

 

A própria investigada também precisou receber atendimento médico depois da ocorrência. Logo após a prisão, ela foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Araguari em razão de lesões sofridas durante o confronto físico. A existência dessas lesões também integrou o conjunto de circunstâncias analisadas durante a apreciação da prisão.

 

Na decisão, o magistrado avaliou ainda as condições pessoais da jovem. Segundo os autos, ela é primária, possui bons antecedentes, residência fixa e trabalho formal. Outro fator considerado foi sua situação familiar: a mulher é responsável pelo sustento e pelos cuidados de dois filhos pequenos, de 3 e 5 anos.

 

Apesar de reconhecer a gravidade da acusação e homologar a prisão em flagrante pela suspeita de homicídio simples, o juiz entendeu que, naquele momento, não estavam presentes elementos suficientes para justificar a prisão preventiva. Com isso, o pedido apresentado pelo Ministério Público para que a investigada permanecesse presa durante o andamento do processo foi indeferido.

 

A liberdade, entretanto, não foi concedida de forma irrestrita. Para permanecer fora da prisão enquanto o caso tramita na Justiça, a investigada deverá cumprir uma série de medidas cautelares determinadas pelo juízo. Entre elas está a obrigação de comparecer periodicamente em Juízo, a cada três meses, para justificar suas atividades e informar o cumprimento das determinações impostas.

 

Também ficou estabelecido que ela não poderá se ausentar da comarca por período superior a 15 dias sem autorização judicial prévia. Além disso, deverá permanecer em recolhimento domiciliar durante o período noturno e nos dias de folga, com exceção dos horários necessários para o cumprimento de sua jornada de trabalho formal.

 

A Justiça também determinou a dispensa do pagamento de fiança. Com a decisão, foi expedido alvará de soltura para que a investigada fosse colocada imediatamente em liberdade, desde que não exista outra ordem judicial que determine sua prisão.

 

A decisão não representa encerramento do caso nem conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal da investigada. O processo seguirá seu curso normal, e caberá à investigação reunir novos elementos, esclarecer a dinâmica do confronto e verificar as circunstâncias que antecederam e sucederam o golpe de faca.

 

O caso chama atenção também pela existência de relatos de violência doméstica anterior, aspecto que passou a integrar a análise judicial sobre o episódio. A versão apresentada pela investigada e os depoimentos colhidos pelas autoridades deverão ser confrontados com os demais elementos da investigação, incluindo informações médicas, perícias e outros dados que possam contribuir para esclarecer o que aconteceu naquela madrugada.

 

Enquanto as investigações prosseguem, a jovem permanecerá em liberdade sob as condições impostas pela Justiça. O descumprimento das medidas cautelares poderá ser comunicado ao Judiciário e, conforme as circunstâncias e a legislação aplicável, poderá resultar na reavaliação da situação cautelar da investigada.

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