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Fazenda Retiro Velho inaugura máquina hidráulica rústica

qua, 17 de outubro de 2018 05:56

por Mel Soares

Nesse domingo, 14, a fazenda Retiro Velho, de Amilcar Rodrigues da Cunha e Filhos, sediou evento para inauguração de uma máquina hidráulica, conhecida como monjolo.

Para o dia especial, que contou com música sertaneja e a tradicional comida de roça, Amilcar reuniu familiares e amigos de Araguari, da região e de São Paulo como Floriano Campolina de Rezende Camargos, que aos 98 anos, esbanja alegria de viver e entusiasmo em participar do evento. “É uma grande satisfação fazer parte de um momento como este. Meu sobrinho me acompanhou na viagem de avião, mas mesmo se ele não pudesse eu viria de qualquer jeito”, disse Floriano.

Proprietário da fazenda, Amilcar, ao lado do prefeito Marcos Coelho, do amigo Floriano, do filho Paulo Sérgio e de Osmundo

Proprietário da fazenda, Amilcar, ao lado do prefeito Marcos Coelho, do amigo Floriano, do filho Paulo Sérgio e de Osmundo

 

Quem também veio de São Paulo para prestigiar o projeto foi Neide Dias. “Além de conhecer o monjolo estamos tendo o prazer de conviver com esta família maravilhosa”, completou.

A ideia de construção da máquina hidráulica rústica surgiu há mais de vinte anos, mas o projeto foi consolidado somente após o proprietário da fazenda conseguir um profissional competente e madeiras de qualidade.  “Contratei um carpinteiro de Grupiara e, também foi difícil conseguir a madeira certa. Mas em pouco tempo pudemos finalizar o trabalho”, destacou.

O objetivo principal da máquina hidráulica é resgatar os fatores históricos e proporcionar visitação. “Não apenas jovens não conhecem, mas também idosos.”

Amilcar Rodrigues da Cunha e família

Amilcar Rodrigues da Cunha e família

 

O monjolo é uma máquina hidráulica rústica, destinada ao beneficiamento e moagem de grãos. Ele foi muito importante no passado, porque dispensava o uso da mão-de-obra escrava para descascar os grãos. Com o efeito gangorra, a água impulsiona a máquina fazendo movimentar-se.

Em uma extremidade, uma concha é cheia com a água, fazendo a outra parte, equipada com uma estaca, se levantar. Ao esvaziar a concha, o movimento se inverte e os grãos vão sendo socados e moídos dentro de um pilão. O monjolo pode ser usado para descascar e triturar grãos secos, transformando-os em uma farinha mais espessa. Diversos alimentos, como o fubá e a farinha de milho, eram produzidos por meio do esmagamento de grãos de milho, nos monjolos.

Uma curiosidade é que, além da função primária do monjolo de descascar e moer grãos, nas fazendas pelo interior do Brasil, ele tomou também outra importante função: espantar pacas e lontras que vinham do rio para se alimentar e estragavam a plantação. A cada batida da mão do monjolo no fundo da concha, respeitando a periodicidade que a água lhe implicava, um som de madeira ecoava pela mata, assustando e afastando os animais. Outra curiosidade é que a expressão popular “trabalhar de graça, só monjolo” surgiu daí.

Amilcar apresentando o monjolo à reportagem

Amilcar apresentando o monjolo à reportagem

 

Tais informações estão inseridas na placa informativa, onde Amilcar Rodrigues da Cunha e família também agradecem àqueles que participaram da confecção do monjolo: Madeireira Salatiel, Paulo José de Oliveira, Misael de Oliveira José, Roberto de Oliveira Borges, Lindomar Fernandes Almeida e José Monteiro Marques Junior.

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