Cruaeldade Inexplicável!
ter, 20 de novembro de 2018 05:59Da Redação
Médica da Santa Casa e a filha de 4 anos são brutalmente assassinadas por comerciante, que se mata; tragédia na madrugada de sábado choca Araguari e região
Num dos episódios mais tristes dos últimos tempos em Araguari, uma mulher de 33 anos, obstetra e ginecologista, e a filha dela de apenas 4 anos foram covardemente assassinadas a facadas no Centro, pouco depois das 3h do último sábado, 17. O ato cruel e inexplicável ocorreu na rua Marechal Deodoro, a poucos metros da avenida Minas Gerais, e foi cometido pelo companheiro da médica e pai da criança, um comerciante de 39 anos, que, não satisfeito, também tirou a sua própria vida.
O duplo homicídio seguido de autoextermínio chocou Araguari e região, ganhando repercussão nacional, tamanha a brutalidade dos fatos, que destruiu uma linda família da cidade de Uberlândia: Mariana Barbosa Paranhos, Valentina Paranhos – que fez aniversário no fim do mês passado, e Thiago José Aquino Marques. O casal estava junto há oito anos.

Delegado Gilmar Pereira de Souza iniciou as investigações no sábado
** Divulgação
As mortes de mãe e filha elevam para 29 o número de homicídios consumados no município em 2018. Por envolver mulheres no âmbito doméstico o caso deve ser tratado como duplo feminicídio, sendo responsável pelo inquérito a delegada Paula Fernanda de Oliveira.
No entanto, a investigação se iniciou ainda no sábado com o delegado de plantão Gilmar Pereira de Souza. Ele adiantou à Gazeta do Triângulo que passou o dia junto com sua equipe em busca de indícios e informações sobre o ocorrido. Analisaram câmeras de segurança e ouviram testemunhas na cidade.
O policial informou que o Toyota/Corolla, conduzido por Thiago Marques passou às 2h30 pelo pedágio na BR-050, sentido Uberlândia a Araguari, tendo o mesmo chegado por volta de 3h na Santa Casa de Misericórdia, onde Mariana Paranhos se encontrava de plantão, o qual se encerraria às 7h.
Ainda segundo levantado, existe a hipótese de que o autor teria feito algum tipo de ameaça, visto que a médica, quando comunicada sobre a presença de seu companheiro no hospital, inicialmente não queria descer para atendê-lo. Após entrar no veículo, os três saíram rumo à rua Marechal Deodoro, onde ocorreu a tragédia, provavelmente matando Mariana e depois a garota.
Conforme apurado, a mulher foi atingida por 12 golpes, nos braços, pescoço, peito e costas, falecendo no local; a filha foi golpeada no pescoço, peito e axilas; e o agressor desferiu facadas contra o próprio peito. Pai e filha foram socorridos pela equipe policial e encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas morreram ao dar entrada naquele estabelecimento.
Outra informação relevante diz respeito ao automóvel. A Polícia Civil constatou que o Corolla estava com a frente danificada antes de bater contra duas residências na rua Marechal Deodoro, levantando a hipótese de que algo ocorreu mais cedo. A propósito, ainda na madrugada, o comerciante esteve em seu estabelecimento na vizinha cidade e apanhou algo, provavelmente a arma utilizada para cometer a atrocidade, uma faca própria para churrasco, com mais de 20 cm de lâmina.
“Não houve flagrante, porque o autor também morreu, mas as investigações visam apurar a motivação desse crime que chocou todos nós. Iniciamos os trabalhos, passando o sábado todo na busca de elementos, e agora a doutora Paula está cuidando do caso”, frisou Gilmar Pereira.
O corpo de Thiago foi sepultado no final da tarde de sábado, no Cemitério Bom Pastor, em Uberlândia. Os sepultamentos dos corpos de Mariana Paranhos e da filha dela, Valentina, que chegaram a ser marcados para a mesma data, a pedido da família, foram transferidos para as 10h de domingo, no Cemitério São Pedro.
O veículo da família foi apreendido e levado para um pátio credenciado ao Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), em Araguari.
TESTEMUNHA
O estudante de Medicina Valério Ferreira da Cunha Neto, 23 anos, vizinho do local do crime revelou à reportagem que acordou com os gritos de socorro de uma mulher e correu até a rua, se deparando com a vítima completamente desesperada.
“Vi um carro atravessado na rua e a mulher gritando ‘para, para, para’. Ele entrou no veículo e ela correu. O homem tentou atropelá-la, bateu nas residências e, em seguida, desceu. Fui na direção deles e gritei, mas ele foi no carro e pegou um objeto. Pensei que fosse uma arma e parei, com medo. Mas ele subiu no alpendre da casa onde ela estava e desferiu as facadas. Depois, esfaqueava a si mesmo. Golpeava e gritava com muito ódio, até que caiu no chão e os policiais chegaram. Quando abriram a porta do carro, encontraram a criancinha na cadeirinha, toda ensanguentada”, descreveu o universitário.
“Como estudo medicina, às vezes me deparo com muitas tragédias, mas essa situação foi horrível”, finalizou o jovem.
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