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CONTADOR EXPLICA – 19 DE JUNHO

sex, 19 de junho de 2026 08:00

AGIOTA DIGITAL 4.0

 

Hoje, o Contador Explica quer ajudar as pessoas a entender a evolução dos empréstimos no Brasil e sua relação com a época da Copa do Mundo de 2026!

VOLTE COMIGO EM 1994

 

O Brasil era tetracampeão do mundo, chorava a morte de Ayrton Senna e estreava uma moeda nova, o Real. De repente, o dinheiro voltou a valer. Com uma única nota de R$ 1,00 era possível comprar vinte pães franceses, um quilo de frango, dois litros de gasolina ou uma lata de cerveja. O salário mínimo era de R$ 70,00, e mesmo assim aquele dinheiro tinha peso, tinha dignidade. Em 17 de maio de 1994 surgia em Araguari, a Sicoob Aracredi para combater a injustiça financeira para cafeicultores da região.

 

PULE NA MEMÓRIA PARA 1999

 

Ronaldinho encantava o mundo, golaço na Venezuela nas eliminatórias, o país parava para o Show do Milhão, e a economia ensinava na marra: a Selic em 19% ao ano e o dólar fechando perto de R$ 1,98. Era a época em que o brasileiro descobria, na própria pele, o que significam juros altos. Quem tomava crédito sem entender a conta aprendia a lição da pior forma. Aí, em 13 de maio de 1999, surgiu em Araguari: Sicoob Aracoop.

 

Trinta anos se passaram. Mudou a moeda, mudou o futebol, mudou a televisão, mudou tudo. Mas tem um personagem que atravessou todas essas eras e só fez se modernizar: o agiota. Ele saiu da esquina e entrou no seu celular. É o que eu chamo de agiota digital 4.0 — a mesma usura de sempre, agora com aplicativo, marketing e acesso aos seus contatos.

 

A CONTA NÃO PERDOA

 

 

Como contador, há 22 anos eu repito uma coisa: número não tem sentimento, mas tem consequência. Pegue o exemplo clássico. Um empréstimo de R$ 5.000,00 a juros de 10% ao mês — que muita gente acha “pouco” porque vem fracionado — não cresce somando. Ele cresce multiplicando. É por isso que digo, sem meias palavras: trabalhar com agiota não é solução, é escravidão. O agiota cobra juros abusivos, não tem piedade, ameaça, intimida, acaba com sonhos e destrói famílias. A versão digital faz isso em escala — e, pior, com requinte: muitos desses aplicativos ilegais pedem acesso à sua agenda na instalação, para que, no atraso, a cobrança e a vergonha cheguem também à sua mãe, ao seu chefe e aos seus amigos.

 

A PALAVRA DE DEUS NOS ENSINA:

 

O mais impressionante é que isso não é problema novo. A condenação da agiotagem está nas Escrituras há milênios. Em Deuteronômio, o Senhor orienta:

 

“Quando entre ti houver algum pobre, de teus irmãos, em alguma das tuas portas… não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre; antes lhe abrirás de todo a tua mão, e livremente lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade.” (Deuteronômio 15, 7-8)

 

O CAMINHO DO CRÉDITO JUSTO:

 

Não estou dizendo que crédito é ruim. Pelo contrário: crédito é ferramenta de crescimento, e o empresário sério precisa dele. O que muda tudo é a fonte. Existe crédito digno, com taxa transparente e a serviço de quem produz. O cooperativismo, por exemplo, oferece condições que fazem o pequeno negócio respirar — linhas a partir de patamares próximos de “6% + Selic” para ME, MEI e EPP, bem distantes dos 10% ao mês do agiota. A SELIC saiu quarta-feira agora, 14,25%.

 

O AGIOTA MORA NA SUA CARTEIRA DE TRABALHO:

 

E aqui mora o perigo novo. O agiota 4.0 não está só nos aplicativos clandestinos do WhatsApp. Ele entrou no lugar mais oficial e mais confiável que o trabalhador tem: a Carteira de Trabalho Digital. Com a chegada do crédito consignado para quem é CLT, hoje basta abrir o aplicativo da CTPS no celular para que apareçam ofertas de empréstimo “pré-aprovado”, “fácil”, “descontado direto na folha”. Parece seguro. Tem cara de banco, tem selo de governo. Mas a conta, muitas vezes, é de agiota.

 

Não é teoria. É um caso real que passou pela nossa mesa aqui na Contador Explica, em Uberlândia. Um trabalhador, funcionário de um cliente nosso, contratou um empréstimo pela Carteira de Trabalho, em um banco grande e conhecido. Veja os números, exatamente como saíram do contrato:

 

 

Valor emprestado: R$ 4.608,19

Parcela: R$ 711,61 × 12 meses

Taxa: 11,05% ao mês

Total a pagar: R$ 8.539,32

 

Leia de novo. Ele pegou pouco mais de quatro mil e seiscentos reais e vai devolver mais de oito mil e quinhentos. Quase o dobro em um ano. Foram quase R$ 4.000,00 só de juros, descontados todo mês do salário, antes mesmo de o dinheiro cair na conta. O nome no contrato era “consignado”. O comportamento era de agiotagem — só que com gravata, aplicativo e desconto automático na folha.

 

Que a gente empreste com justiça, tome emprestado com sabedoria e nunca confunda dinheiro fácil com liberdade. Porque dinheiro a juros abusivos não liberta ninguém — apenas troca de senhor.

 

 

Você sabia de tudo isso sobre juros de empréstimos?

 

 

 

Rodrigo Almeida Rodrigues – CEO Fundador In Companny Contabilidade

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