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CANTINHO DO MÁRIO – 16 DE MAIO

sáb, 16 de maio de 2026 08:00

A VINGANÇA

A vingança é um dos últimos remanescentes dos costumes bárbaros que tendem a desaparecer. Estribada no orgulho, teima em permanecer na cabeça dos menos avisados. É responsável por inúmeras atitudes impensadas, eivadas do desejo de desforra de uma mente desequilibrada, que esquece que seu opositor ou inimigo é seu irmão e, muitas vezes, um doente. Lembram-se do duelo? Foi um dos derradeiros vestígios dos hábitos selvagens da humanidade nos primórdios da era cristã. Essa atitude demonstrava o estado de espírito dos homens daquela época. A vingança ainda está presente nos menores atos praticados pelas pessoas: uma palavra mal colocada, um olhar, um esbarrão, qualquer coisa que machuque nosso ego pode ser assoberbada pelo melindre que nos convida à revanche. Quem se proclama cristão deve resistir a essa tentação e lembrar-se do ensinamento do Cristo: “Perdoai vossos inimigos”. Como pode uma pessoa que tenha esse hábito se proclamar seguidora de Jesus? O sentimento de vingança pode nos conduzir à falsidade e à baixeza. Quem perdoa se liberta; aquele que carrega o ódio no coração fica algemado ao seu desafeto, que muitas vezes já se esqueceu daquilo e está em outra vibração. Aquele que odeia sofre a cada vez que vê ou se lembra de seu adversário e sente o coração dar um salto. O ódio provoca sequelas em nosso organismo. Quem carrega um sentimento constante de rancor no coração está se predispondo a adquirir doenças variadas, como úlcera, problemas cardíacos e outras. Já ouvi dizer que quem odeia se assemelha a quem toma um copo de veneno torcendo para que o outro morra. Esta é uma baita analogia. Dizem que uma pessoa, tomada pelo ódio de um desafeto muito querido na vila em que moravam, espalhou uma calúnia sobre ele, e ela cresceu como fogo na pólvora. As pessoas começaram a tratá-lo de forma diferente, com descaso, e isso fez com que ele se entristecesse, acabando por abandonar a tribo. Arrependido, o caluniador procurou um senhor de idade, conhecido como a pessoa mais sábia do lugar, e perguntou como poderia remediar seu ato. O sábio lhe deu uma folha de papel picada em pedacinhos e pediu que subisse em um monte e os jogasse ao vento. Assim ele fez. Voltou e perguntou: “E agora, o que faço?”. O sábio lhe respondeu: “Agora vá lá e junte tudo novamente”. Assim é a vida nos ensinando. Todos nós sabemos como é difícil perdoar. Há quem ache que perdoar é viver aos beijos e abraços com o inimigo ou lhe virar as costas inocentemente. Não é isso. Perdoar é não desejar nenhum mal, é ficar feliz quando a vida lhe sorrir e, se possível, orar por ele. Se conseguirmos tirar a mágoa de nosso coração, seremos vencedores, pois já não olharemos com tanto ódio para aquele irmão que, em um momento impensado, nos prejudicou. Já vi muitos dizerem que não dão conta, e isso é natural em nossa condição humana, mas não conseguem aqueles que nunca tentaram. Afinal, quem de nós é perfeito? Conta-se que certa vez Chico Xavier comentou com Emmanuel: “Você ficou sabendo que Sebastião foi preso por furto?”. Então Emmanuel, calmamente, lhe respondeu: “Calma, Chico, ele é apenas um de nós que foi descoberto”. É bom pensar a respeito.

MÁRIO FERREIRA.:

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