Artigo de opinião: Três grandes vultos. Em pouco tempo, três perdas lamentáveis
ter, 5 de maio de 2020 11:11*Miguel D. Oliveira
Fausto Fernandes de Melo, ex-prefeito, completaria noventa e um anos, mais novo do que eu, nove meses. Não consigo falar em Fausto sem me lembrar de seu pai, Florêncio e de seu sogro, João Vasconcelos Montes, que apoiaram minha eleição a prefeito. Os dois eram sócios na Cerealista Vasconcelos, marca de arroz que tornou conhecida esta comuna junto aos atacadistas de São Paulo e no país.
Nossos industriais e cerealistas beneficiavam e exportavam a produção agrícola, divulgando o município. Ainda há uma boa porção deles nos quatro cantos da cidade. A história lhes fará justiça, colocando-os no merecido pedestal e, por falar em arroz, recordo-me do arroz de Ararapira e da Patrona.
Para testar se o arroz seria de boa qualidade e não quebraria muito ao ser beneficiado, os entendidos, mão grossa, esfregavam entre mão e outra vários grãos de arroz em casca: assopravam o resíduo de farelo e contavam grãos que sobravam inteiros, que eram comparados com o resto. O maior ou menor número destes evidenciava a qualidade e esse detalhe tornou o município conhecido.
Um ramo da planta enfeita a bandeira do município, criada em nosso mandato, ladeado por outro, de café.
Café, soja, maracujá. Milho, batata e tomate, chegaram mais tarde e ocuparam os espaços, mas não poderia deixar de lamentar a perda de três destacados líderes e amigos.
Perdemos três deles num intervalo de poucos dias. Ao ponto de vista político, administrativo e social.
O passamento desses três cidadãos marca o ano de 2020 como o mais terrível algoz da cidade.
Fausto e a ajuda de muitos, facilitaram tornar-me prefeito. Em contrapartida, conseguimos elege-lo prefeito nos meus dois mandatos; consegui modificar o visual da cidade, reformando praças e construindo outras onde não havia. Implantaram-se galerias pluviais e redes de água e esgoto, edifícios escolares foram construídos, urbanos e rurais. Substituímos os compressores velhos por novos nas instalações dos serviços de água de Fátima e avenida Minas Gerais; levamos o ensino médio a todas as escolas municipais onde não havia, nas áreas rural e urbana.
Quanto a Milton Lima Filho e Neiton de Paiva Neves, mesmo de oposta facção política, mantivemos relações respeitosas.
Raul Belém, (o pai), além de algumas verbas para canalização do córrego, ajudou-nos a conseguir a construção do Caic, em terreno doado pela família Laureano. Aqui a atuação de Dr. Napoleão Rodrigues Borges foi muito importante. A prefeitura, além de participação financeira parcial, entrou com o custo das adaptações do prédio e do material (carteiras, móveis, material didático), inclusive montagem da cozinha).
Fausto, desbravador de avenidas, continuou nosso trabalho de canalização do córrego. Obra de que Milton Lima participou.
No governo Milton Lima, o vice-prefeito Fábio de Oliveira abraçou tese do então ministro Paulinelli, que via o aproveitamento das terras do cerrado, até então consideradas improdutivas, como alavanca de desenvolvimento regional. Para levar avante a tarefa, recebeu a ajuda dos agricultores do Sul, que vieram para cá em boa quantidade e qualidade.
Neiton, foi o prefeito dos humildes, das associações, dos Postos de Saúde, da assistência social.
Os três ex-prefeitos devem ter sido alvo de honrosos epitáfios por parte da comunidade. Triste … É a alma de qualquer povo quando este não cultive a memória.
A universidade (semente plantada em nosso governo com apoio financeiro da prefeitura quando criamos a Fume – Fundação Municipal de Ensino) incentivando o funcionamento da Fafi (Faculdade de filosofia), embrião da universidade.
Espera-se desta e daqueles que herdaram de graça o uso do patrimônio valiosíssimo (área e instalações do “Regina Pacis”) que prossigam responsáveis pela preservação e adaptação das instalações e pelo culto à memória, sem ceder à tentação de parecerem criadores do ensino superior em Araguari.
A esses moços cabem grandes desafios, tais como gerir o complexo educacional herdado gratuitamente e inovar currículos, adequando-os à velocidade meteórica exigida pela modernização.
Diz-se que a não aplicação de maiores recursos estaria conduzindo professores ao desestímulo. A ausência de meios como instrumental e aparelhagem técnica, próprios à transmissão de conhecimentos práticos, reduziria a qualidade do ensino unicamente à teoria. O ensino não é gratuito e nem as mensalidades o são. Ou de custo acessível. Existe renda, mas o assunto que mais desejava abordar seria sobre os três ex-prefeitos que se foram, quase que ao mesmo tempo;
Pareceu até combinado: Fausto, Milton e Neiton. Farão falta.
Quem os substituirá? Chegou a vez deles. Fico esperando a minha… Que quero aconteça lá pelo ano 2.142 … Ou mais…
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ja tinha ouvido algo a respeito dos honorarios dos docentes,desestimulo e ser bondoso