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Ameaçada pelo governador de Minas, Escola de Saúde Pública continuará em exercício

qua, 1 de maio de 2019 05:38

por Laura Alvarenga

Criada no dia 3 de junho de 1946, por meio de um processo de reestruturação do Departamento de Higiene do Estado de Minas Gerais, a Escola Pública de Saúde de Minas Gerais (ESP-MG), é a primeira e mais antiga escola estadual de saúde do Brasil.

Há 70 anos a instituição qualifica trabalhadores da saúde aproximando-os da área à produção do conhecimento. Desde sua criação, a escola implantou diretrizes revolucionárias visando à especialização em saúde pública de profissionais formados na área, formação de profissionais auxiliares, referenciar-se pela necessidade do serviço de saúde, integração do ensino e trabalho dos profissionais, inovação em políticas e programas de saúde, bem como, constituir-se em referência da saúde pública.

A primeira edição do curso de especialização em saúde pública realizada em 1947 iniciou a tradição na formação de sanitaristas bem na época em que o Brasil encarava surtos de esquistossomose e ancilostomose, o famoso ‘amarelão’. Em 1990 a escola ainda ficou conhecida pela criação do Sistema Único de Saúde (SUS), a Reforma Sanitária e a Saúde Coletiva.

ESP foi responsável pela qualificação de mais de 300 mil trabalhadores na área de saúde ao longo de todos estes anos

ESP foi responsável pela qualificação de mais de 300 mil trabalhadores na área de saúde ao longo de todos estes anos

 

Após longas realizações do instituto, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou em fevereiro por meio do Projeto de Lei nº368/19, que tem por objetivo incorporar a Escola de Saúde Pública à estrutura da Secretaria de Estado de Saúde. A alteração propõe a junção dos dois departamentos, uma vez que a ESP- MG é um órgão autônomo com orçamento próprio.

Dentre as medidas presentes na PL estão a conversão dos bens móveis do patrimônio da ESP para a secretaria, a incorporação dos bens imóveis do patrimônio da ESP ao patrimônio do Estado e a transferência de lotação da ESP para a Secretaria de Saúde dos cargos das carreiras de técnico em educação e pesquisa em saúde, analista em educação e pesquisa em saúde e dos servidores ocupantes destes cargos.

No intuito de dar seguimento aos trabalhos da ESP realizados por meios próprios, os deputados estaduais Raul Belém (PSC) e Fernando Pacheco (PHS) apresentaram emendas à reforma administrativa, as quais foram incorporadas ao texto pelo relator do projeto, deputado estadual João Magalhães (MD). Sendo assim, a ESP continuará atuando como autônomo na formação de profissionais da saúde pública.

De acordo com a diretora do Sind-Saúde, Núbia Dias, as emendas dos deputados foram de suma importância para que a Escola de Saúde Pública permanecesse como um órgão autônomo ligado ao governo do Estado. “O deputado Raul Belém foi de primordial importância ao inserir novamente a Escola de Saúde Pública dentro do texto do PL367, uma vez que foi retirado pelo governo o PL368, um trabalho intenso dentro dessa Casa. Falamos com mais de 73 parlamentares e todos aqueles que se destacaram dentro da colaboração em prol da ESP, nós retornamos e agradecemos”.

Segundo o deputado Raul Belém, a escola sai fortalecida neste momento para continuar o importante trabalho prestado ao estado de Minas Gerais. “É importante destacar o trabalho do deputado Fernando Pacheco que assinou essa emenda e o de tantos outros parlamentares que compreenderam essa necessidade e fizeram audiências públicas. Foi um trabalho conjunto da Assembleia Legislativa para a manutenção da Escola de Saúde com o trabalho de excelência que eles realizam para o nosso Estado”.

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