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Mutirão promove reconhecimento de paternidade de forma gratuita

sáb, 24 de novembro de 2018 05:29

por Tatiana Oliveira

Quase 300 mil crianças mineiras têm certidão incompleta

Ontem, 23, foi promovida na cidade a oitava edição do Mutirão Direito a Ter Pai. Trata-se de um projeto Institucional da Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que tem por objetivo promover de forma gratuita o reconhecimento de paternidade no estado. “A ação procura garantir a dignidade da pessoa humana, assegurar a cidadania para famílias que acabam se estruturando, seja por exames de DNA ou de maneira afetiva. Essas famílias procuram a Defensoria para permitir que a aproximação aconteça de maneira mais segura, de maneira mais autêntica”, comenta o coordenador do evento em Araguari, o defensor Yslyg Abreu Veloso.

Na cidade foram realizados 14 exames de paternidade, bem como cinco reconhecimentos espontâneos

Na cidade foram realizados 14 exames de paternidade, bem como cinco reconhecimentos espontâneos

 

Os exames de DNA são feitos por meio de parceria técnica com o Laboratório Hermes Pardini. “Aqui na cidade os exames são feitos pelo Laboratório Central, que é parceiro do Hermes Pardini e montou uma base na Defensoria com essa finalidade. O assistido comparece para coletar esse material que será enviado posteriormente a Belo Horizonte”, relata o coordenador do Mutirão.

Na cidade foram realizados 14 exames de paternidade, bem como cinco reconhecimentos espontâneos. “Primeiro é preciso ponderar que na maioria dos casos, quando os pais são convocados e comparecem na Defensoria Pública, às vezes até eles reconhecem de forma espontânea a paternidade. Quando não, realizam o exame de DNA”, comenta a juíza de direito da 4ª Vara Cível e coordenadora do Centro Judicial de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), Ana Régia Santos Chagas.

Segundo ela, o Cejusc realiza o acompanhamento processual e ingresso de ações em parceria com a Defensoria, inclusive em casos de não reconhecimento. “Depois do resultado do exame temos o setor pré-processual no Cejusc de Araguari que funciona na Defensoria Pública. Essas pessoas são encaminhadas ao Cejusc e lá, antes mesmo de ingressar com a ação, elas realizam um acordo para reconhecimento de paternidade, de fixação de alimentos que serão devidos com relação ao pai para o filho, guarda, visitas etc. Quando a pessoa não comparece ou não concorda em reconhecer a paternidade, a Defensoria Pública promove uma ação de investigação de paternidade onde serão discutidos os direitos dessas pessoas”, explica.

O Mutirão ocorre de forma gratuita e tem extrema relevância para a sociedade da região, afirma a juíza. “Essa atuação da Defensoria proporciona benefícios, porque em todos os casos que chegam aqui as pessoas não tem condições para ingressar com uma ação na Justiça, suportar os honorários advocatícios e muito menos para custear um exame para verificar de fato a paternidade”, diz Chagas.

No caso de Simone de Lourdes e o pai Alvino da Costa a assinatura no papel demorou 36 anos, mas não passou de mera formalidade. “A minha vontade sempre foi fazer isso para ela, é um prazer. Estou muito feliz, sinto-me muito bem, é uma honra para mim. Sou muito feliz com ela ao meu lado sempre”, emociona-se Alvino. “Eu e meu pai tivemos um bom relacionamento desde criança, mas não morávamos na mesma casa. Sempre tive o seu apoio; ele sempre esteve perto de mim, mas ainda não era registrada. Isso não muda meu amor, meu sentimento, mas para ficar de forma legal ele quis me registrar e eu, de prontidão, claro, aceitei e estamos aqui hoje”, conta Simone com alegria.

O mutirão teve início no Triângulo Mineiro há oito anos e hoje acontece simultaneamente em 44 cidades mineiras. “Tudo começou em Uberlândia e diante da relevância e da repercussão positiva o projeto acabou sendo abraçado pela Defensoria Pública do estado de Minas Gerais. Então hoje ele acontece em diferentes comarcas de Minas Gerais, com a parceria técnica do laboratório Hermes Pardini e com o TJMG”, informa o coordenador do evento na cidade, Yslyg Abreu Veloso.

Colocar no papel

Ter o nome do pai na Certidão de Nascimento é o anseio de 5,3 milhões de brasileiros, afirma um estudo do CNJ, divulgado em 2013. Sendo um direito garantido na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente, além do valor afetivo, o registro assegura o recebimento de pensão alimentícia e direitos sucessórios. É importante ressaltar que, uma vez reconhecida a paternidade, não é possível renunciar ou revogar. Em todas as edições passadas, a ação atendeu em todo o estado 43.434 pessoas, com a realização de 7.441 exames de DNA e 1.875 reconhecimentos espontâneos de paternidade.

Em todo o Estado

A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) promoveu nesta sexta-feira, 23, a 6ª edição do “Mutirão Direito a Ter Pai,” simultaneamente em Belo Horizonte e em mais 43 comarcas do interior do Estado.

Os exames gratuitos de DNA serão feitos pelo TJMG, em conjunto com a equipe do Centro de Reconhecimento de Paternidade (CRP). Ao todo, são 174 casos inscritos nesta categoria. Para a realização do teste, os supostos pais e mães foram notificados a comparecer nas comarcas da Defensoria Pública no dia do mutirão. Também foram agendados 103 reconhecimentos espontâneos e 52 socioafetivos.

O reconhecimento socioafetivo ao encontro do previsto no Provimento 63 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) garante independentemente de laço consanguíneo, o direito de realizar o reconhecimento voluntário da paternidade/maternidade, desde que exista uma relação de afeto estabelecida pela convivência, exercendo os direitos e deveres inerentes à posição paterna ou materna. Para isso, o reconhecido não pode ter o nome do genitor no registro de nascimento.

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