Promotor André Luiz apresenta o saldo da Operação Aqueronte em coletiva com a imprensa
qua, 26 de agosto de 2026 08:00Da Redação

Legenda: Promotor André Luiz reuniu a imprensa para apresentar o saldo da Operação Aqueronte.
A Operação Aqueronte, deflagrada para combater a atuação de organizações criminosas e investigar crimes violentos em Araguari, completa um ano com um amplo conjunto de ações judiciais e policiais. Na manhã desta terça-feira (25), o promotor de Justiça André Luiz Alves de Melo, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), recebeu a imprensa na sede das Promotorias de Justiça de Araguari para apresentar os principais resultados alcançados ao longo das investigações.
A reportagem da Gazeta do Triângulo acompanhou a reunião, na qual foram apresentados dados atualizados sobre os processos, condenações, prisões e o avanço das investigações relacionadas aos grupos criminosos que atuam no município. Segundo o promotor, atualmente 63 processos estão em andamento relacionados ao trabalho desenvolvido no âmbito da Operação Aqueronte. Alguns procedimentos já foram baixados em razão da morte de réus durante o período das investigações. Ao todo, 50 pessoas foram sentenciadas, sendo que 40 recursos foram apresentados no decorrer da tramitação dos processos.
O balanço apresentado também aponta que 51 pessoas permanecem presas, enquanto seis estão foragidas e outras seis encontram-se soltas. Os números dão dimensão da extensão da investigação, que teve como foco principal a atuação de organizações criminosas envolvidas com o tráfico de drogas, homicídios e outros crimes violentos. A atuação conjunta entre Ministério Público, Polícia Civil e Polícia Militar foi destacada pelo promotor como fundamental para a identificação das estruturas criminosas e de seus integrantes.
Durante a apresentação, André Luiz Alves de Melo afirmou que as investigações apontaram para uma disputa de território entre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como um dos principais fatores relacionados à sequência de mortes investigadas em Araguari. De acordo com o promotor, a disputa estaria diretamente relacionada aos interesses econômicos das organizações criminosas, especialmente ao controle de pontos e áreas utilizados para o tráfico de drogas.
“São disputas que visam lucros oriundos do tráfico de drogas, nas quais morreram muitos envolvidos. Alguns desses envolvidos são de Araguari, que obedecem aos comandantes do Comando Vermelho de Goiás. Conseguimos essa identificação por meio de vários celulares apreendidos que foram periciados”, destacou André Luiz.
A análise de aparelhos celulares apreendidos durante as ações policiais foi apontada como uma das ferramentas importantes para o avanço das investigações. A partir das informações extraídas dos dispositivos, investigadores conseguiram estabelecer relações entre pessoas, identificar integrantes de grupos criminosos e compreender parte da estrutura de funcionamento das organizações.
Decisões judiciais relacionadas a processos derivados da operação também registram a investigação sobre a disputa entre PCC e Comando Vermelho pelo domínio do tráfico de drogas e de territórios em Araguari. Em uma das sentenças consultadas, consta que a rivalidade entre os grupos teria contribuído para uma escalada de crimes violentos no município.
O trabalho de perícia nos celulares foi um dos pontos de destaque da apresentação realizada pelo promotor. A investigação não se limitou às prisões realizadas durante as fases ostensivas da operação, mas avançou na análise das informações obtidas nos equipamentos eletrônicos. Esse tipo de material permitiu aos investigadores cruzar informações e identificar vínculos entre suspeitos, além de apontar possíveis funções desempenhadas por integrantes das organizações criminosas.
Em decisões da Justiça de Araguari relacionadas a processos decorrentes da Aqueronte, aparecem referências a dados obtidos a partir da extração de informações de aparelhos celulares e à identificação de integrantes de organizações criminosas por meio desse trabalho investigativo.
Para o Ministério Público, a obtenção dessas informações foi essencial para transformar uma série de ocorrências aparentemente isoladas em um quadro mais amplo, permitindo compreender a existência de grupos organizados, suas conexões e a disputa por espaço no mercado ilegal de drogas.
André Luiz também ressaltou a participação da Polícia Militar de Minas Gerais no enfrentamento direto às organizações criminosas e destacou o trabalho desenvolvido pela Polícia Civil de Minas Gerais, especialmente na produção de investigações que permitiram identificar a participação de integrantes dos dois grupos.
A Operação Aqueronte foi construída justamente a partir dessa atuação integrada. A cooperação entre PCMG, PMMG, Polícia Penal e Ministério Público foi estruturada em 2025, dando origem a uma sequência de ações que culminaram em mandados de prisão, buscas, apreensões e denúncias criminais.
Desde as primeiras ações, as forças de segurança passaram a investigar grupos relacionados a crimes como tráfico de drogas, homicídios, associação para o tráfico, posse e porte de armas e organização criminosa.
A Polícia Civil informou, na primeira fase, que os alvos eram suspeitos de ligação com uma organização criminosa envolvida com tráfico, homicídios e porte ilegal de arma de fogo. Na ocasião, foram realizadas prisões e cumpridos mandados de busca e apreensão, com apreensão de armas, munições, celulares, equipamentos de gravação e dinheiro.
Ao longo de um ano, a Operação Aqueronte avançou por cinco fases divulgadas publicamente, ampliando gradualmente o alcance das investigações.
A primeira fase foi deflagrada entre os dias 9 e 11 de julho de 2025. A ação teve como objetivo combater organizações criminosas e esclarecer homicídios registrados em Araguari. Segundo a Polícia Civil, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, com prisões e apreensão de armas, munições, celulares e dinheiro. Um homicídio ocorrido durante um luau clandestino também foi elucidado no decorrer daquela etapa.
A segunda fase ocorreu em 18 de julho de 2025, dando continuidade ao cumprimento de mandados judiciais e às investigações contra integrantes dos grupos criminosos.
Já a terceira fase, realizada em 21 de agosto de 2025, ampliou significativamente a operação. Naquele momento, foram cumpridos 35 mandados de prisão e 49 mandados de busca e apreensão, em uma mobilização que contou com cerca de 390 agentes, 130 viaturas e duas aeronaves. As ações ocorreram em Araguari e também em municípios como Uberlândia, Sacramento, Uberaba, Araxá, Coronel Fabriciano e Praia Grande, em São Paulo.
Até aquela terceira etapa, as forças de segurança contabilizavam 49 mandados de prisão, 62 mandados de busca e apreensão, 21 armas de fogo, mais de 200 munições e mais de R$ 90 mil em dinheiro apreendidos.
A quarta fase foi deflagrada em 11 de novembro de 2025 pelo MPMG, por meio do Gaeco de Uberlândia, em conjunto com as Polícias Civil e Militar e apoio da 1ª Promotoria de Justiça de Araguari. Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão. Dois suspeitos foram presos em flagrante e um terceiro permaneceu foragido. Entre os materiais apreendidos estavam arma de fogo, munições, cocaína, ecstasy, maconha, crack, balanças de precisão, celulares e dinheiro.
A quinta fase ocorreu em 17 de março de 2026. A ação teve como foco organizações criminosas envolvidas principalmente com homicídios. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, resultando na prisão de sete pessoas e apreensão de um adolescente. Também foram apreendidas duas pistolas, munições, carregadores, motocicletas adulteradas, celulares, porções de crack e balanças de precisão.
Apesar do expressivo número de prisões e condenações, o promotor deixou claro que o trabalho não se encerra com o cumprimento dos mandados ou com a sentença dos processos. A existência de 63 processos, 40 recursos apresentados e seis pessoas ainda foragidas demonstra que parte das investigações e dos procedimentos judiciais permanece em andamento. O próprio balanço apresentado pelo Ministério Público indica que alguns processos foram baixados em razão da morte de réus.
A Operação Aqueronte, portanto, passou a representar uma investigação de longo prazo, envolvendo não apenas a responsabilização individual de suspeitos, mas também a tentativa de compreender e desmontar a estrutura de organizações criminosas que buscavam estabelecer influência em Araguari.
A própria Gazeta do Triângulo já havia informado, em março deste ano, que a operação contabilizava cerca de 60 processos ligados à atuação de integrantes de facções na cidade e na região do Triângulo Mineiro.
Outro aspecto destacado pelo promotor foi a atuação conjunta das instituições públicas. Para André Luiz, o resultado alcançado pela Aqueronte é fruto da integração entre os órgãos responsáveis pela investigação, prevenção e repressão criminal.
A Polícia Militar teve papel importante nas ações ostensivas e no cumprimento das ordens judiciais, enquanto a Polícia Civil concentrou esforços na investigação, levantamento de informações, identificação dos suspeitos e esclarecimento de crimes.
Durante a quinta fase, por exemplo, as forças de segurança destacaram que a análise de informações permitiu antecipar uma possível ação de retaliação que poderia resultar em novo crime violento. Na ocasião, segundo as autoridades, armas localizadas durante a operação poderiam ser utilizadas em uma execução planejada. Os celulares apreendidos também foram encaminhados para perícia, dando continuidade ao trabalho investigativo.
Esse modelo de atuação integrada foi apontado como um dos principais fatores para o avanço da operação.
A reunião realizada nesta terça-feira marca, portanto, um momento de avaliação de um ano de trabalho contra organizações criminosas que, segundo as investigações, disputavam espaço e influência em Araguari. A Operação Aqueronte chega, assim, ao primeiro ano com cinco fases realizadas e uma frente judicial que permanece ativa. E, diante da existência de processos em andamento, recursos, foragidos e novas informações ainda sendo analisadas, o trabalho das forças de segurança e do Ministério Público continua.
Nenhum comentário
Últimas Notícias
- Oficina de Cuidados Paliativos Oncológicos será realizada em Douradoquara nesta quarta-feira qua, 26 de agosto de 2026
- DA REDAÇÃO – 26 DE AGOSTO qua, 26 de agosto de 2026
- LEVI SIQUEIRA AMPLIA POLÍTICA DE DOAÇÃO DE SANGUE E CONSEGUE APROVAÇÃO DE LEI QUE LEVA CAMPANHAS A EVENTOS PÚBLICOS qua, 26 de agosto de 2026
- Promotor André Luiz apresenta o saldo da Operação Aqueronte em coletiva com a imprensa qua, 26 de agosto de 2026
- Araguari inicia campanha anual de vacinação antirrábica para cães e gatos na área urbana qua, 26 de agosto de 2026
- Campanha de coleta de DNA busca ampliar identificação de pessoas desaparecidas em Araguari qua, 26 de agosto de 2026
- Câmara de Araguari realiza sessão com votação de projetos e vetos qua, 26 de agosto de 2026
- Mineiros economizaram R$ 134 milhões com carona ter, 25 de agosto de 2026
- Residência prepara profissionais para os desafios do campo ter, 25 de agosto de 2026
- Prefeitura de Uberlândia participa da inauguração do 1º hub de abastecimento de biometano e gás natural do Triângulo Mineiro ter, 25 de agosto de 2026
> > Veja mais notícias...
