Novo turno, por Inocêncio Nóbrega
sex, 7 de novembro de 2014 00:02Inocêncio Nóbrega *
Conscientizemo-nos de que a vitória da presidente Dilma, de Evo Morales e, provavelmente, de Tabaré Vasquez, não esteja consolidada. Ela tem limite de validade, pelos regulamentos eleitorais. Novo turno corre paralela e tem passagens efetivas continuadas, sempre trazendo efeitos catastróficos para a América Latina, acaso as forças populares dos países não alinhados ao neoliberalismo entenderem que somente o voto seja o bastante para garantia no poder. Serão inequívocas as pressões das elites internas, em combinação com a máfia financista, empresariado e mídia apátridas, patrocinadores de correntes inconformadas com resultados das urnas. Promovem atos de insubordinação democrática, do tipo que ocorreram em algumas capitais brasileiras, ensaiando um prenúncio de golpe. Sinalizam rupturas territoriais, disseminam formas preconceituosas contra regiões do norte e nordeste do Brasil, culpam o bolivarianismo, enfim. E nem sabem que a ideologia de Simón Bolívar, O Libertador, pela democracia e república se contrapunha a do monarca Pedro I, pelo absolutismo, e dos governos subseqüentes, pelo liberalismo e conservadorismo, alavancado por Diogo Feijó.
São vozes que jamais emergirão de solo gaucho, berço do federalismo, conduzido por Borges de Medeiros, filho de um pernambucano; de Vargas, Brizola e Jango, dos Marques da Silva, da Paraíba; nem muito menos de Minas Gerais, de JK, e Goiás, de Mauro Borges e do general Xavier Curado. E nem dizermos da contribuição do Rio de Janeiro e de outros estados. Os jornalistas Alberto Patroni e padre Batista Campos, do Pará, bolivarianistas de primeira linha, se opunham, em 1822, à fórmula petrista, de separação com união a Portugal, tese que não prevalecia nas colônias espanholas. Adepto, certamente, Manuel de Souza Martins comandou vitoriosa Revolução em Oeiras, Piauí, pela causa emancipacionista.
Vejamos, com orgulho, um país que se irmana com o progresso do Continente e de outros povos. Não mais aquele sequer inteiro senhor de seus destinos. Claro que a nova geopolítica de solidariedade incomoda os hábitos de hegemonia no Continente. O Mercosul é alvo de críticas. Programam o retorno às privatarias, o saque das riquezas nacionais, nesta via de terceiro turno de eleições presidenciais. Deveremos estar apostos, pois a próxima etapa nos acena parceria de todos quantos depositaram seu voto de confiança nos governos progressistas, recém eleitos, pela manutenção da democracia. Esta, a melhor de todas as oportunidades oferecidas pela história para uma América Latina livre.
* Jornalista
inocnf@gmail.com
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