Meio Desligado – Enem, a prova do totalitarismo (parte II)
qua, 4 de novembro de 2015 08:48
Na coluna da semana passada abordei o forte viés ideológico de esquerda presente na prova do Enem, mostrando inclusive como o ponto de vista do governo PT pode induzir os estudantes ao erro. E como prometido, retomo hoje o assunto, desta vez, tendo como foco a redação do Enem. Quem acha que vou criticar o tema da prova neste ano por ser feminista – “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” – está enganado. Até porque achei uma polêmica desnecessária, debatida a exaustão na internet. Faltou bom senso da direita.

Enem, a prova do totalitarismo (parte II)
Acho importante discutir questões como esta. Mas quero ir além desta primeira impressão e mostrar que os temas propostos pelo MEC nos últimos anos, somados as “recomendações éticas” que o candidato deve seguir, são a receita para uma dissertação cujo objetivo é a exaltação ao governo.
“Respeitar os direitos humanos” e apresentar uma proposta de intervenção para o problema social em questão são algumas das exigências para elaboração do texto. É aí que as coisas ficam nebulosas. O politicamente incorreto é subjetivo. Portanto, dependendo do corretor, ele pode achar que você desrespeitou os direitos humanos só por ter valores e apresentar pontos de vista diferentes dos dele, ainda que bem fundamentados.
Em 2012 tivemos “Movimento imigratório para o Brasil no século 21”. No guia de redação do Enem do MEC, as redações que tiraram nota máxima presentes curiosamente eram bem elogiosas ao governo e favoráveis a imigração. Em 2013, “Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil” consistia basicamente em utilizar os textos de apoio (todos mostravam somente os aspectos positivos da Lei Seca) para ressaltar a importância da lei (que possui pontos negativos). Isso sem falar nas propostas de intervenção para o tema, outra exigência do exame. As redações que tiraram nota máxima sugerem, por exemplo, leis mais rígidas, aumento de efetivo policial, aumento de fiscalização. Ou seja, o de sempre. Ai de quem sugerisse melhorar essa Lei Seca…

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Em 2014, o tema foi “Publicidade infantil em questão no Brasil”. O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), ligado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, publicou em abril daquele ano uma resolução que apontava o tipo de publicidade considerada abusiva para crianças. Aqui fica ainda mais claro que o candidato tinha que concordar integralmente com a medida do governo. Mesmo se possuir bons argumentos contrários. Quem vai arriscar a entrada no ensino superior apenas para discordar do MEC petista, né?
Neste ano, acredito que o intuito do governo era ressaltar não só a Lei Maria da Penha, mas também a criação da lei do “feminicídio”, homicídio praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, considerado crime hediondo e com pena mais severa. Nada contra o tema, pois é uma discussão importante que adquiriu evidência graças ao exame. Mas não posso deixar de observar que se trata de um assunto ainda mais restrito que o das provas anteriores. Desta vez, não há margem para opiniões contrárias, pois a violência não é questão de ideologia.
No entanto, existem bons argumentos contrários para os temas anteriores e toda sorte de assuntos. Essa pluralidade é uma coisa boa. Não importa se o corretor, ou no caso, o governo, concorda com a argumentação do candidato. O Enem deveria avaliar a capacidade dele de se expressar, de ter ideias e defendê-las de forma bem fundamentada. Isso é democracia. É liberdade de expressão, é o direito de ter uma opinião.

Diversidade política
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