Irmãs e jovem envolvidos na morte de jogador amador vão a Júri Popular
sex, 14 de setembro de 2018 05:21Da Redação
Dono da arma utilizada no crime deixa a prisão e não será julgado
Sete representantes da sociedade araguarina vão decidir o futuro dos réus denunciados pelo assassinato de Ralfh Campos de Godoi, jogador de futebol amador, morto a tiros em sua casa, na rua Corumbá, bairro Brasília, no dia 10 de agosto de 2017.
A decisão de mandá-los a julgamento pelo Tribunal do Júri foi confirmada pela juíza Danielle Nunes Pozzer, titular da Primeira Vara Criminal da Comarca. A data da sessão será designada em breve, salvo imprevistos.
A então companheira de Ralfh, a irmã dela e o responsável pela execução do crime serão julgados por homicídio qualificado – motivo fútil, mediante promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Mais dois jovens foram denunciados pelo Ministério Público. O que teria emprestado o revólver calibre 38, Taurus, utilizado no delito, não será julgado, tendo, inclusive, deixado a prisão recentemente. O próprio MP voltou atrás na acusação, por não haver provas de que ele sabia da trama para matar o atleta.
Um quinto acusado é considerado foragido da Justiça. Como ele desapareceu, responderá ao processo separado dos demais. Ele estaria pilotando a motocicleta naquela fatídica manhã.
Em abril desse ano, os acusados foram ouvidos no Fórum Doutor Oswaldo Pieruccetti, e o atirador, que alega trabalhar como auxiliar de mecânico, assumiu a autoria da execução bem como a participação da mulher de Ralfh e a irmã dela.
O rapaz confirmou que a companheira da vítima prometeu o pagamento de uma recompensa para que cometesse o assassinato, o qual foi combinado por telefone, mas não chegou a receber o dinheiro. Além disso, a mulher deixou o portão da residência aberto para que entrasse e surpreendesse o homem de 32 anos.
Conforme colocado pela juíza, a confissão dele bate com as provas, especialmente com o depoimento de um vizinho que viu a jovem sair de casa e retornar logo depois. Ele também presenciou o autor deixando o local, logo após ouvir um barulho parecido com o estouro de uma bomba.
“A negativa de autoria apresentada pelas acusadas segue isolada das provas e não merece consideração”, observou Danielle Nunes Pozzer, que manteve a prisão preventiva das duas e do rapaz.
As denunciadas estão recolhidas na ala feminina do Presídio de Araguari, enquanto que o jovem responsável pelos disparos se encontra na Penitenciária Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, cidade onde reside.
NEGATIVA DE AUTORIA
Pelo depoimento prestado no Fórum, a companheira de Ralfh Campos de Godoi durante três anos, deve sustentar no Júri Popular que a denúncia é falsa e que não sabe quem matou seu amásio, mesmo diante das provas apresentadas.
Ao Promotor de Justiça ela respondeu que seu relacionamento era conturbado e que sofria agressões constantes, por isso pretendia deixá-lo, mas Ralfh não aceitava. Com medo, ela não o denunciou.
Ainda segundo a mulher, na manhã de 10 de agosto, saiu para trabalhar e retornou porque havia esquecido sua bolsa. Ela não quis afirmar sobre a autoria do homicídio e afirmou que sua irmã somente emprestou o telefone para que usasse seu aplicativo de mensagens.
A outra jovem também nega participação no crime e garante não saber quem tirou a vida de seu cunhado. Declarou que conhecia apenas um dos denunciados e que não é verdade a promessa de pagamento de 2.300 reais ao mesmo para que matasse o jogador.
INVESTIGAÇÃO
Ralfh Campos de Godoi jogava futebol amador pelo União Esporte Clube, equipe que representa aquela região da cidade. Sua morte foi investigada pela equipe de Homicídios comandada pelo delegado Felipe Oliveira Monteiro. Na conclusão do inquérito a prisão temporária dos investigados foi convertida em preventiva.
“Diante das oitivas dos investigados bem como de testemunhas, além de robustas provas, apuramos que não restam dúvidas da participação dos indiciados, apesar de alguns negarem envolvimento”, afirmou o policial na época.
Dois dias após a morte de Ralfh Campos de Godoy, policiais prenderam três pessoas durante ocorrência de tráfico de drogas no bairro Jardim das Palmeiras, em Uberlândia. Na ocasião, apreenderam dinheiro, maconha e um revólver calibre 38 com munições intactas e deflagradas.
De acordo com levantamento dos militares de Uberlândia, enquanto ocorria o BO, um dos suspeitos assumiu a autoria do recente homicídio em Araguari, inclusive revelando detalhes sobre o crime, o qual teria sido encomendado por uma mulher.
Ainda segundo apurado, também participaram um jovem que alugou a arma pelo valor de 500 reais e o condutor da motocicleta que carregou o atirador na manhã do dia 10 de agosto. O primeiro foi preso sob a suspeita de tráfico, junto com o suposto autor dos disparos que vitimaram o jogador.
Diante das ricas informações, os policiais acionaram os colegas de Araguari, que realizaram diligências e chegaram até as irmãs suspeitas.
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