Há 64 anos, Copa no Brasil valia R$ 27,6 bilhões a menos. Realidade ou retrocesso?
qua, 29 de janeiro de 2014 00:00“A infraestrutura de transporte aéreo e terrestre atende de forma confortável as demandas para permitir sediar a Copa, elementos chaves para sua candidatura. (…) A infraestrutura hoteleira é suficiente e o sistema de saúde é referência internacional. O transporte urbano terá um serviço de trem de alta velocidade que vai ligar Rio de Janeiro a São Paulo. (…) Prioridade ao financiamento privado na construção e remodelação dos estádios. (…) Na conclusão, na opinião desta equipe, o Brasil está bem estabelecido para uma excepcional Copa do Mundo”. Trechos retirados do relatório do Comitê Executivo da Fifa, em outubro de 2007.
Essa semana, o jornal “O Estado de S. Paulo” revelou uma curiosa análise técnica da entidade máxima do futebol nos momentos que antecederam a escolha da sede da Copa. Na ocasião, a turma do presidente Joseph Blatter estimava um custo de R$ 2,6 bilhões para os estádios do país. O que a Fifa não vê, o Brasil sente.
Em 1950, foram necessários R$ 400 milhões para a realização do primeiro mundial no território nacional. O referido valor ainda incluía a construção do falecido Macaranã, inaugurado em 16 de julho daquele ano. Quase 64 anos depois, os valores giram em torno de R$ 8,9 bilhões apenas para os palcos da competição, em um total de R$ 28 bilhões.
De fato, a Copa do Mundo será protagonizada no Brasil. Ainda que, diferentemente do que havia defendido a Fifa há seis anos, o torneio não seja da iniciativa privada, ou que os protestos permaneçam, como um ensaio daquilo que está por vir. Independente de qualquer revés, as seleções desfilarão sobre os gramados de obras faraônicas, em um cenário onde o pano de fundo é a banalizada alegria do povo brasileiro.
No dia 12 de junho, as cortinas do futebol mundial serão abertas na Arena Corinthians, em São Paulo. O caminho rumo ao hexacampeonato será traçado. Enquanto isso, os bastidores do mais popular dos esportes permanecerão escondidos, sob um legado teatral deixado aos anfitriões.
PULANDO A CERCA
Última a ser inaugurada para a Copa, a Arena da Baixada, em Curitiba, recebeu uma proposta inusitada nesta semana. Isso porque o site especializado em relacionamentos extraconjugais, “Ashley Madison”, ofereceu R$ 4 milhões para nomear o estádio representante do Paraná. Caso seja aprovada, a medida seria implantada apenas durante o período do torneio. Estimadas em R$ 151 milhões em 2010, as obras passaram a valer R$ 326,7 milhões no ano anterior, segundo a Matriz de Responsabilidades do Ministério dos Esportes. Resta saber se a estrutura estará disponível para receber o mundial.
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