Ficha Técnica – Salve uma espécie em extinção
qua, 21 de maio de 2014 01:16E também o assunto que socorreu a coluna desta semana

Tarde de domingo. O vento ressoa um dia de promessas. Os ruídos de qualquer voz que venha de fora ganham um silêncio quando ligo a televisão. Com um olhar atento, reflito sobre o prato cheio para a coluna desta semana. O tempo passa. Num convite à frustração, assisto a 5ª rodada do Brasileirão. Faltaram-me ingredientes.
Até que me lembro do inusitado. Não falo da amarga festa do primeiro estádio do Corinthians em 104 anos, tampouco da desbotada camisa amarela do Cruzeiro. Em meio às divergências entre a bola e os jogadores, uma espécie rara dos campos brasileiros resolveu aparecer.
Com uma visão aguçada, movimentos traiçoeiros e toques refinados, Paulo Henrique Ganso fez em 90 minutos o que dele se esperou em quatro anos. Ex-candidato ao posto da seleção, o camisa 10 do São Paulo parecia desfilar no tapete da final da Copa do Mundo, onde ele até poderia estar presente.
No Maracanã, Ganso balançou as redes duas vezes contra um Flamengo aos pedaços, estreando o técnico Ney Franco na beira dos gramados. Num dia de promessas, uma das mais defendidas dos campos nacionais deu as caras novamente. No momento em que perdia o gosto pelo futebol jogado no Brasil, percebi que ele ainda respira, mesmo com a ajuda de aparelhos.
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ELEFANTE BRANCO
A origem da expressão vem do sudeste asiático, onde os animais albinos eram entregues de presente aos monarcas como uma benção e um alto investimento, mas sem utilidade que compensasse o custo de sua manutenção. Na Copa, ao menos cinco das 12 sedes são favoritos a receberem essa alcunha após o torneio. De fato, o mais novo deles não é a Arena Corinthians, mas certamente está em São Paulo, e existe há 74 anos. Com os grandes paulistas inaugurando seus estádios, como o Timão e o Palmeiras, o que será do Pacaembu? Em toda a história, espécies como essa são consideradas distintas dos demais pela capacidade de suas memórias. Nesse caso, que a modernidade não faça de um dos palcos mais tradicionais do país um cemitério de elefantes.
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JOSEPH BLATTER EM: “É TUDO NOSSO!”
Estrelando, o presidente da entidade máxima do futebol mundial: Joseph Blatter. A partir dessa semana, todos os palcos da Copa e alguns outros serão entregues à Fifa. Durante um mês, apreciadores do mais saboroso caviar desfrutarão das obras faraônicas levantadas com o suor (leia-se: dinheiro) do povo brasileiro. Depois disso, retornam para suas origens, onde os campeonatos nacionais ainda são tratados como uma missa de domingo.
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PÉROLA DA SEMANA
A Fifa proibiu a escalação de Diego Cavalieri por sua participação na lista de suplentes da Copa do Mundo. O goleiro é o quarto na posição do Brasil e somente será convocado caso um dos três escolhidos sofra alguma lesão antes do torneio. Não bastasse ser esquecido por Luiz Felipe Scolari, o jogador foi privado de atuar pelo Fluminense. Méritos do “Padrão Fifa”, caminhando cada vez mais como uma “lesma com câimbras”.
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