Ficha Técnica – Ocupa CBF
qua, 16 de dezembro de 2015 08:36
Há muito fechamos os olhos para aquilo que estava escancarado na esquina da frente. Preferimos andar em teto de vidro a quebrar o silêncio e questionar o rumo que seguíamos. Mas ao caminhar por aquela avenida, mais precisamente no número 130, não há como esquecer aquele que bradou por outro destino.

Dos últimos três presidentes da CBF, dois não podem sair do país e outro continua atrás das grades
Lembro do pobre menino gaúcho, filho de professora brasileira, que aprendeu cedo como fazer da educação sua principal arma. Perdeu o pai ainda na infância, mas despontou ao entrar para o Colégio Militar no Rio de Janeiro. Tornou-se líder político e revolucionário, mas se curvou ao ver a esposa torturada e assassinada pelo exército nazista alemão. Lutou como nunca contra o regime. Por essas e outras, deu nome a uma avenida na capital Fluminense, onde futuramente seria inaugurada a sede da Confederação Brasileira de Futebol.
A terça-feira do dia 15 de dezembro de 2015 ficará marcada pela primeira vez em que as vozes ganharam as ruas contra uma das entidades mais corruptas do país. Em frente ao prédio da CBF, ex-jogadores, artistas, especialistas, técnicos e atletas se uniram ao povo para gritar por um novo caminho no futebol nacional. Desde os anos de chumbo, vimos um dos nossos maiores patrimônios sob refém da mesma família. Homens de colarinho branco que deram nomes a estádios e, nos bastidores, utilizaram o esporte para enriquecer suas nebulosas contas bancárias.
Décadas depois, os velhos mandachuvas deixam a cadeira presidencial para ocupar o banco de réus. Na mira da polícia norte-americana, são investigados por propinas recebidas de empresas, organizações e até convocações da seleção. De acordo com o FBI, o esquema de corrupção dos últimos três presidentes chega a pelo menos R$ 120 milhões. Do seleto trio de mandatários do nosso futebol, dois estão privados de cruzar a fronteira do país, enquanto o outro tem de se contentar com o xadrez.
Inspirado nos jovens guerreiros das escolas estaduais de São Paulo, o movimento Ocupa CBF sai em defesa da democratização do futebol brasileiro, contra a profissionalização de criminosos e da transformação do esporte em mercadoria. Não somos clientes, tampouco fantoches. Somos uma geração que não aceita mais gols da Alemanha a cada esquina, ou cartas da Dona Lúcia em salas de imprensa. Sistemas ditatoriais que trazem descrença. Havelanges, Texeiras, Del Neros e Marins não merecem nossas preces, por isso não haveria lugar melhor para combatê-los, senão na avenida Luís Carlos Prestes.
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