Ficha Técnica – Liberte-nos da hipocrisia do “Somos Todos Paralímpicos”
qua, 14 de setembro de 2016 05:39
Grade televisiva em evidência! O menino jornalismo parecia ter encontrado seu denominador comum. Uma cobertura colossal oferecia 10 horas grátis de esporte por dia. Novas histórias, lugares e heróis eram servidos com exaustão na mesa de jantar. Cardápio recheado, a ponto de afrontar o horário nobre, atrasar o jornal e adiar a novela das seis. Ouro era digno de plantão. Até que hoje, perco-me nas entrelinhas dessa mídia covarde. Aonde foi que nos tornamos os melhores, e perdemos para um lançamento da sessão da tarde?
Liberte-nos da hipocrisia do “Somos Todos Paralímpicos”! Justamente o que se pregava nas reportagens humanas e emocionantes das sagas aguerridas dos nossos paratletas. Na abertura dos jogos, por exemplo, a inclusão do esporte, a tolerância e a valorização foram alguns dos pontos martelados na mente de todos, muitos dos quais sequer puderam acompanhar. Afinal, a falta de respeito foi traduzida em um compacto da cerimônia junto ao jornal.
Obstruindo conquistas! No primeiro dia dos jogos, o esporte paralímpico brasileiro conseguiu o que nas Olimpíadas tivemos que esperar dez. Daniel Martins quebrou seu próprio recorde mundial com o ouro nos 400 metros T2 (para deficientes intelectuais). Aos 20 anos, o garoto de Marília (SP) batalhou para se tornar o mais rápido de todos os tempos entre os paratletas, fato que sequer o ajudou a ter o nome lembrado nas manchetes. Por sua semelhança com Neymar, virou “Neymar Paralímpico”.

A falta de respeito aos paratletas no contraste de duas manchetes

Liberte-nos da hipocrisia do “Somos Todos Paralímpicos”
Bem vindo ao anonimato! Nas Paralimpíadas de Londres, em 2012, a emissora Channel 4, responsável pela transmissão, foi exaustivamente criticada pela falta de cobertura ao vivo da competição. O Brasil, por sinal, terminou em sétimo, com 21 medalhas de ouro. Quatro anos depois, os brasileiros batem o recorde de sua delegação, com 287 paratletas e 39 pódios até então. Mesmo assim, ficam atrás até do rapaz da bula e do candidato a vereador em minutos na TV aberta brasileira.
Odair (Limeira-SP), Joaninha (Natal-RN), Gustavo (Uberlândia), Daniel Dias (Campinas-SP), Silvânia (Três Lagoas-MS), Evangelista (Porto Velho-RO) e tantos nomes insaciáveis por esporte, mas acompanhados por poucos, como o repórter Renato Peters, referência brasileira no jornalismo paralímpico. Reféns de lentes sonegadas pela oferta e demanda. Se por um lado pregam a igualdade de direitos e inclusão dos paratletas, por que privam de vivenciarmos os momentos mais mágicos de suas histórias?
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Paralímpicos? A sociedade não deixa nem acessibilidade nos prédios comerciais ou públicos! Estou cansada de de ver deficientes sendo maltratados nos lugares,é muita hipocrisia mesmo! ônibus com cobradores mal educados que ficam reclamando por ter que descer elevador,e muitas vezes deixam os deficientes na rua. Lojas sem acessibilidade,câmera de vereadores sem acessibilidade nos locais de plenária…Será que o jornal vai publicar meu comentário? Ser deficiente é muito difícil mesmo tendo boas condições de acessibilidade,agora imagina sendo maltratado todos os dias,ridicularizados nos transportes,nas ruas? Dignidade,respeito nas ruas,mantenham calçadas sem buracos,portas com acessibilidade,não estacione em local proibido,já é um bom começo para deixar de serem hipócritas…sei o que falo,sofro isto sempre nas ruas!