Ficha Técnica – Acima de qualquer alegoria, abaixo a homofobia
ter, 16 de maio de 2017 05:45
Manhã de segunda. Tomo o ônibus rumo ao trabalho. A neblina bagunça o imaginário coletivo do início da semana. O silêncio pede passagem entre uma buzina e outra. Um jovem torcedor insiste em dormir no assento enquanto uma senhora se agarra na barra de segurança. Mãe, vó e atleta anônima. Tem vascaíno, flamenguista, palmeirense, corintiano e quem não dá a mínima pra tudo isso, mas é em Minas. Se políticos usassem o serviço, certamente estariam ali também. Tem de tudo e todos se aceitam desde que as diferenças sejam apenas de times.

Torcedores do Guarani jogam bombas em apresentação do lateral Richarlyson
*Divulgação
Um gole de provocação para a educação cair por água abaixo. Não é a primeira, nem será a última ocasião em que o esporte imita a vida em suas melhores e piores facetas. Antes de qualquer júri popular, sou um amante do futebol alegórico, com bandeiras, crianças, piadas, cachorro em campo e embaixadinha à lá Edilson Capetinha. Inclusive, já integrei o coro de homenagens às mães de nossos queridos árbitros, senhores do apito. A questão é que, ao mesmo tempo em que o mundo da bola carrega reflexos do cotidiano, suas evoluções também devem ser acompanhadas.
Dizem que no futebol as arquibancadas guardam leis não escritas – “Fazem parte do jogo”. Outros resumem o argumento com “geração mimimi” para aqueles que contestam. Nessa regra, gremistas ironizaram a morte de Fernandão, ídolo rival, e torcedores do Criciúma fizeram piada com o acidente da Chapecoense. Nem a punição da Fifa para a seleção brasileira pelos gritos de “bicha” para o goleiro – tradição infeliz advinda do México – foi suficiente. Até que na última semana, o preconceito surge por meio de bombas em Campinas.
Durante a apresentação do lateral Richarlyson, torcedores do Guarani jogaram bombas no estádio Brinco de Ouro da Princesa em protesto à contratação do jogador, tricampeão brasileiro e mundial pelo São Paulo e campeão da Libertadores pelo Galo. Certamente, a manifestação não reflete o sentimento da maioria para o time da Série B, assim como nem todos os pais da torcida do Boa Esporte colocariam os filhos para tirar fotos com o goleiro Bruno, em Varginha. Mas fatos como esses mostram o tamanho do desafio quando falamos sobre respeito dentro e fora de campo.
Que peneira é essa que permite que o mandante de um assassinato tenha seu nome entoado pela torcida, e impede que outro jogador exerça seu trabalho por uma opção sexual que ele sequer admitiu? O limite para o respeito vai além das quatro linhas. De um ônibus ao estádio lotado, a educação é única e atos racistas, homofóbicos, machistas, xenófobos e preconceituosos em geral não moldam caráter de ninguém.
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