Cinco anos sem ele, todos os dias com ele
qua, 7 de janeiro de 2026 16:47Artigo de Opinião
Por Lucas Monteiro Amaral
Há cinco anos, fechávamos uma edição do jornal marcada pela emoção. Era uma homenagem que exigia coragem para ser escrita. Talvez a mais difícil. Com certeza a mais carregada de gratidão e admiração. Poucos dias antes, no dia 31 de dezembro de 2020, meu pai, Darli Jeová do Amaral, eterno diretor da Gazeta, despedia-se deste plano.
O tempo passou. E passa. A dor, é verdade, foi ficando mais silenciosa. Mas a saudade… essa só cresce. Ela se espalha pelos dias, pelas decisões, pelas conversas interrompidas, pelas perguntas que ainda faço em pensamento. Muitas vezes sinto que ele me guia, que fala comigo em sinais, em intuições. Sinto que ele está sempre presente.
Meu pai tinha uma sabedoria que não vinha apenas dos livros, dos cargos ou da experiência profissional. Era uma sabedoria humana. De escuta. De leitura das pessoas. De compreender o tempo certo das coisas. Nas profissões que exerceu, nos negócios, na família, na vida.
E ele viveu muitas vidas em uma só. Advogado, contador, administrador de empresas, auditor fiscal da Receita Federal, diretor de tantas entidades, empresário da comunicação, entre outros. Mas, acima de qualquer título, foi alguém que acreditava profundamente nas pessoas e no poder do trabalho bem-feito.
Ele partiu, mas ficou tudo aquilo que realmente importa: o legado. Ficou a mensagem. Ficou o propósito cumprido.
Diariamente encontro pessoas que me param na rua e começam suas histórias quase sempre do mesmo jeito: “Seu pai foi importante pra mim”. E então me contam relatos emocionantes — muitos deles, confesso, que nem eu conhecia.
Com seu jeito único, andando de meia pelos corredores do escritório e até pelos supermercados da cidade, sempre com o sorriso presente e a irreverência como marca registrada, ele ensinava sem discursos. Meu pai não impunha respeito, ele conquistava.
Era profundamente ligado à família. Falava dos filhos com orgulho, vibrava com cada conquista e ensinou, pelo exemplo, que caráter não se negocia. Em casa ou no trabalho, era o mesmo homem: íntegro, simples e intenso.
Na imprensa araguarina, fez história. Foi um dos idealizadores do Diário de Araguari, reinventou a Gazeta do Triângulo, criou revistas como Evidência, Bella e Evidência Rural, esteve à frente de projetos como a revista Perfil Social, programas de televisão e tantos outros. Tudo com um olhar à frente do seu tempo. Tudo com uma obsessão saudável por fazer melhor, por profissionalizar, por elevar o nível. Onde chegava, deixava marca. Onde assumia, colocava em outro patamar.
Esteve presente em diretorias de entidades sociais, clubes, projetos comunitários e até em time de futebol. Ele gostava de estar onde as coisas aconteciam. Era inquieto, destemido, apaixonado por desafios. Talvez por isso a saudade esteja em todo lugar.
E como se a vida insistisse em nos lembrar de que alguns nomes não se apagam, recebi com emoção a notícia de que, já no próximo mês, será inaugurada a Farmácia Municipal de Araguari, em um novo e amplo prédio, que levará seu nome. Um gesto simbólico, justo e carregado de significado. Porque meu pai cuidou de pessoas a vida inteira — com palavras, com oportunidades, com afeto, com trabalho.
Hoje, cinco anos depois, escrevo não apenas como seu filho, mas como um fã, um admirador, um discípulo da sua forma de viver. Como alguém que perdeu o pai, mas ganhou uma referência eterna. Como alguém que sente a ausência todos os dias, mas carrega um orgulho que não cabe em palavras.
*Advogado, cantor e empresário nos ramos da comunicação e eventos
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