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CANTINHO DO MÁRIO – 31 DE JANEIRO

sáb, 31 de janeiro de 2026 08:00

EVANGELHOS

Sempre fui curioso a respeito de tudo que diz respeito, principalmente, a Jesus. Existe uma literatura imensa sobre os evangelhos. Exatamente neste ponto é que fico impressionado com o quanto esses livros sagrados foram contaminados pelo dedo do homem. No início, as coisas eram transmitidas oralmente, e só muito tempo depois começaram a ser escritas pelos evangelistas ou historiadores de todos os tempos. Nesse intervalo, foram acrescentadas interpretações humanas, por ignorância ou conveniência. Nem tudo que chegou ao nosso tempo reflete a realidade. Para que os leitores possam entender o que digo, farei uma comparação: um professor fez um teste para mostrar aos seus alunos como fatos podem ser alterados quando transmitidos oralmente entre muitas pessoas. Pediu aos discípulos que ficassem do lado de fora da sala e só ficou um com ele. Contou uma história ao primeiro aluno e pediu que a passasse a outro colega; assim, chamou um dos que estavam fora e pediu que o primeiro aluno lhe contasse a história e em seguida saísse da sala. Dessa forma, o segundo chamou o terceiro, e a história foi sendo repetida, todos foram chamados um a um, até que entrou o último. Depois, reuniu os alunos novamente, perguntou ao primeiro o que ele lhe havia dito, e, depois da resposta, chamou o último e perguntou o que havia dito o penúltimo colega. Os alunos ficaram estupefatos com a diferença entre a história original e a última. Não estou dizendo que os evangelhos são falsos, mas muita coisa foi corrompida. Por exemplo, no Apocalipse, escrito por João, já ouvi diversas interpretações em nosso tempo, cada um puxando a brasa para a sua sardinha. É uma mensagem difícil de ser entendida, porque João não tinha como interpretar as visões que lhe foram passadas; por exemplo, como não conhecia aviões, interpretou-os como gafanhotos com cara de homens. Cada um vê do seu jeito. Além disso, as profecias nunca acontecem da forma prevista, pois mudamos o futuro a cada minuto. Jesus, quando esteve entre nós, disse: “Eu não vim destruir a lei, mas cumpri-la”. Os sacerdotes, doutores da lei, fariseus e outros do Templo de Jerusalém praticavam um sistema paralelo às escrituras que atendia suas conveniências, mas pregavam as escrituras ao povo como forma de domínio. Por isso Jesus os chamava de hipócritas, dizendo que eram túmulos caiados por fora e cheios de podridão por dentro. Eu sigo o evangelho de Jesus, que reacendeu a luz do que foi dito anteriormente. A doutrina de Jesus se resume em amar uns aos outros, praticar a caridade e ser humilde. Quem ama não rouba, não mata, não tem ciúme, entre outras virtudes. O Cristo chegou a lavar os pés dos apóstolos para mostrar que quem não vive para servir não serve para viver, porque se transforma em um marginal dentro da lei do amor, lembrando que Deus é amor. Jesus veio para corrigir os desvios do ensinamento maior. Existem aqueles que dão mais atenção ao Velho Testamento em detrimento de Jesus, esquecendo-se de que quase tudo que antecedeu sua vinda veio para anunciá-lo. Respeito todos os pontos de vista; entretanto, lembro das palavras de Jesus: “Não sairemos daqui enquanto não acertarmos ceitil por ceitil.” Aqueles que escolhem as sensações e emoções sem se preocupar com os sentimentos devem lembrar que a vida material é curta; todos nós voltaremos para casa. Aí, como diz o poeta: “Por cima uma laje, por baixo a escuridão é fogo, irmão.” Devemos praticar a fé raciocinada, e para isso Deus nos deu massa cinzenta.

MÁRIO FERREIRA.:

 

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