Meio Desligado – A proibição de apresentadores mirins e a banalização do bem
qua, 22 de julho de 2015 08:55
Quando a gente pensa que viu de tudo nessa ditadura do politicamente correto, eis que no domingo fiquei sabendo de mais um absurdo em prol do “bem” de crianças. O Tribunal Regional do Trabalho, graças ao juiz Flávio Bretas, afastou os apresentadores mirins Matheus e Ana Júlia do comando do Bom Dia e Cia, programa que vai ao ar nas manhãs de segunda a sexta-feira pelo SBT.

Apresentadores mirins Matheus e Ana Júlia
Pela lei brasileira, menores de 16 anos só podem trabalhar se tiverem um alvará que os autorize. A dupla teria sido suspensa por razões ligadas à carga horária e o SBT recorreu da decisão. O processo corre em segredo de Justiça. Sílvia Abravanel, filha de Silvio Santos e diretora do programa, teve que assumir as pressas a responsabilidade de substituir a duplinha. Ao programa Pânico, ela chegou a comentar sobre a preocupação de uma possível decisão afastar também o elenco de Chiquititas. “Eu não sei como eles fariam para continuar com a novela”.
Coitadinhos dos artistas mirins! “Quem é artista mirim tem maior conforto, é bem remunerado, recebe um monte de mordomias. Tem gente com causas mais urgentes para cuidar, mano!” afirmou Yudi Tamashiro em uma entrevista. Ele também foi apresentador do Bom Dia e Cia e começou suas participações aos 9 anos, no programa do Raul Gil.
Aqueles que defendem mais essa arbitrariedade com certeza irão citar o problemático Macaulay Culkin (Esqueceram de Mim) na tentativa de dar alguma validade a preocupação com o bem estar psicológico dessas crianças. Esqueceram que o problema era justamente a falta de estrutura familiar, as brigas entre o pai e a mãe para ver quem teria mais controle sobre a fortuna do filho. Me vejo obrigada a concordar com o Yudi. O mundo caindo e a preocupação é justamente com crianças de classe média, que estudam, tem família e ainda por cima vivenciam uma experiência que é o sonho de milhões de crianças e adultos.

Macaulay Culkin
Impossível não associar imediatamente essa situação ao artigo “A banalidade do bem”, publicado recentemente pelo filósofo Luiz Felipe Pondé. Somos obrigados a engolir essa hipocrisia e outras tantas cotidianas.
O santo do século XXI não come carne, tem visual descolado, anda de bike, toma suco natural, critica o agronegócio, a moral e os bons costumes, tem uma conexão espiritual acima de religiões, recicla o lixo e ama cachorrinhos. Mas nada disso tem valor se você não mostrar aos outros o quanto é bonzinho, de preferência no ambiente virtual. Tem que colocar “guarani kaiowá” de sobrenome, filtro colorido na foto do perfil e estar em todas as hashtags conscientes que apareceram nos últimos tempos.
Esse tipo de medida tem de ser engolida goela abaixo porque é para o “bem” de criancinhas fofas. Afinal, você não vai ser contra uma decisão que tem como objetivo o “bem”, a não ser que você seja mau, né?
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Augusto e Ariel
Quem acompanha a coluna sabe muito bem que não fico elogiando banda ou artista só porque é de Araguari. Não ligo muito para essa de “apoie a banda da sua cidade”, se for bom mesmo (ou tiver bons contatos, hahaha) deslancha sem precisar das pessoas babando ovo. Não gosto de sertanejo, mas me emocionei com a apresentação da dupla no programa Esquenta.

Augusto e Ariel ao lado de Regina Casé
Os dois cantaram “Cê que sabe”, de Cristiano Araújo de um jeito tão sincero, pessoal e comedido, que confesso, gostei mais do cover. A vaidade muitas vezes leva cantores sertanejos a exageros e malabarismos vocais que estragam a música e talvez seja esse o grande diferencial dos dois.
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No caso sobre “banalização do bem”, acontece que enquanto existe esse lado mágico não sofrivel de trabalho infantil, existe também o lado da exploração do trabalho infantil, crianças em carvoeiras, corte de cana trabalhos que ferem a infãncia, ambos amparados na mesma lei.Então se as crianças do sbt podem trabalhar no conforto do ambiente bom pra eles, a questão é que o lado explorador que admite as crianças em trabalhos “escravos” se fortalece nisso, estão nada preocupados com a condição e sim contemplados na mesma esfera. A raiz do problema é a lei, lei igual numa sociedade desigual não é lei. E eu me pergunto sobre deputados e senadores onde estão as leis que vossas excelências do legislativo estabelecem pensando no pobre?