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CANTINHO DO MÁRIO – 21 DE FEVEREIRO

sáb, 21 de fevereiro de 2026 08:00

PERDOAI VOSSOS INIMIGOS

Acredito que uma das coisas mais difíceis em nossa atual condição espiritual é perdoar nossos inimigos ampla e irrestritamente; só mesmo os grandes espíritos conseguem. A mágoa e o melindre não deixam, e ficamos algemados a eles quando não perdoamos; quem não perdoa sofre dobrado, não esquece e, ao ver o algoz, o coração dispara e envenena o corpo. Sócrates estava na prisão quando sua mulher Xantipa veio avisá-lo aos prantos que ele havia sido condenado à morte pela cicuta; ele, calmo e sem revanchismo, lhe disse: “Calma! Eles também estão condenados”. Jesus nos alertou sobre o julgamento, dizendo que, com a medida que medirmos, seremos medidos. Um juiz, após condenar um réu à pena máxima, foi solicitado a falar com a mãe da vítima, assassinada de forma covarde e sem possibilidade de defesa; ela, com os olhos rasos de lágrimas, agradeceu ao juiz dizendo: “Quero agradecê-lo, finalmente foi feita justiça.” O juiz, penalizado, respondeu: “Minha senhora, nem imagino a dor que dilacera seu coração, contudo não foi feita justiça.” Ela arregalou os olhos e perguntou: “Mas como?” O juiz, olhando em seus olhos túmidos, explicou: “Só haveria justiça se eu pudesse lhe devolver seu filho; eu apenas afastei essa criatura do convívio social para que não cometesse mais crimes como este e fizesse outras mães sofrerem.” Esta é a lei dos homens; somente a lei de Deus pode fazer justiça. Para entendê-la, é preciso aceitar a romagem das vidas sucessivas: quando vemos alguém sofrer nesta vida, é porque houve plantio anterior, e, como a colheita é obrigatória, nada acontece por acaso; se transgredimos as leis divinas, a reparação será compulsória. Geralmente vemos a punição aplicada pela lei dos homens, mas não a justiça. Jesus nos avisou que ficaríamos aqui acertando ceitil por ceitil enquanto não saldássemos nossas dívidas. Assim, o retorno à carne não é uma punição, mas uma oportunidade de reequilíbrio espiritual. Todos possuímos livre-arbítrio, um benefício que Deus deu a todos nós e que Ele mesmo respeita; contudo, a recíproca é verdadeira: se transgredimos a lei, teremos que ressarcir o prejuízo causado. Nem sempre as pessoas retornarão juntas, como pai e filho, ou irmão e irmão, ou mãe e filho. Quem perdoa se liberta, mas quem transgrediu a lei terá que acertar suas contas com outra pessoa, em outra situação, muitas vezes sentindo na pele o mesmo mal que causou. A lei de justiça divina é perfeita, restaurando o equilíbrio. Respeito todos os pontos de vista, mas deixo duas perguntas: uma mãe cumpriu todos os preceitos deixados por Jesus e foi para o céu; de lá via seu filho transviado queimando perpetuamente no inferno; seria isto o paraíso? Deus, sendo a inteligência suprema, onisciente e todo amor, mesmo sabendo que seu filho iria para o inferno, o criaria? Que Deus seria esse? Pois é. Devemos raciocinar. Não podemos ser radicais em nada; disse o Mestre: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará.” Quem perdoa se liberta.

mariofsj@yahoo.com.br

 

MÁRIO FERREIRA.:

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