Coluna: Direito e Justiça (06/03)
qui, 6 de março de 2025 08:09
Somos Todos Irmãos. Será mesmo?
– Jesus bate à nossa porta. Deixemos que Ele entre permaneça conosco.
– Jesus é o pão da vida, aquele que nos alimenta e sacia por completo.
– Jesus ensinou-nos o significado autêntico da fraternidade, legando-nos o seu novo mandamento de amor ao próximo e recomendando a prática efetiva da fraternidade como uma das formas práticas e úteis de evangelizar.
– Palavras de Jesus: “Um novo mandamento vos dou; que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei a vós; que também vós uns aos outros vos ameis”(João: 13.34).
– A fraternidade verdadeira exige que olhemos para o nosso próximo com compaixão, que acolhamos o nosso próximo sem julgamentos e preconceitos, que doemos sem interesse ou intuito de barganhar e recuperar, que sintamos a dor e o sofrimento do outro como se fossem em nós mesmos.
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Dois Irmãos:
Dois irmãos trabalhavam juntos na fazenda da família. Um deles era casado e tinha uma grande família. O outro era solteiro. No fim do dia, os irmãos repartiam igualmente o produto e os lucros.
Um dia, o irmão solteiro pensou: “Não é certo repartir igualmente o produto e os lucros. Sou sozinho, minhas necessidades são menores”. Daí por diante, toda noite, ele pegava um saco de grãos de seu celeiro, atravessava sorrateiramente o campo entre as duas casas, e deixava o saco no celeiro do irmão casado.
Enquanto isso, o irmão casado havia pensado: “Não é certo repartir igualmente o produto e os lucros, afinal, sou casado, tenho mulher e filhos para me ajudar nos anos que virão. Meu irmão não tem ninguém para cuidar dele no futuro”. Daí por diante, toda noite, ele pegava um saco de grãos e levava para o celeiro do irmão solteiro.
Durante muitos anos, os dois não entendiam como seus estoques de grãos permaneciam iguais. Até uma noite escura, em que os dois irmãos esbarraram um no outro, atravessando o campo. Largaram os sacos caídos no chão e se abraçaram.
FONTE: Autor desconhecido.
Comentário Pessoal:
Fraternidade é o laço de união ou de proximidade (física ou espiritual) entre as pessoas, tenham elas, ou não, vínculo de sangue, de caráter civil ou afetivo, fundado principalmente no amor ou no afeto recíprocos, no respeito, no companheirismo e também na dignidade humana e na igualdade de direitos. Tal conceito, conforme seja o objetivo de cada um, poderá ser restringido ou ampliado, enquadrando-se, neste último caso (o de maior abrangência), a palavra “irmandade” (esta, para o bem ou para o mal, tendo um caráter mais profano e vulgar, segundo eu penso).
Como quer que seja, o que eu disse parece-me ser suficiente, a fim de permitir um comentário adequado acerca do apólogo (uma ficção, é claro) que eu acima lhes trouxe para leitura e reflexão. Pondero inicialmente que a fraternidade – tal como se dá com o amor, inclusive no âmbito familiar – não terá mais valia, se não vier acompanhada por condutas e atitudes úteis, efetivas, imediatas e positivas, capazes de alterar para melhor a situação de necessidade, precariedade ou penúria daquele a quem se dirige.
Com muito mais razão e no âmbito mais ampliado do seu significado, ou seja, entre irmãos (em família), pessoas, grupos, povos, países e nações, a fraternidade exige de todos nós uma tomada de posição clara, objetiva e sem subterfúgios.
E como é que a fraternidade, de fato, poderá expressar-se? Assim:
– olhar para o próximo com compaixão respeito, amor e afeto;
– acolher o próximo sem julgamento, sem preconceitos e recriminações;
– doar o que pudermos e for útil, mas sem interesse de barganhar ou recuperar;
– sentir a dor e o sofrimento do outro como se estes fossem em nós mesmos;
– acolher o outro com todas as suas particularidades, falhas e insuficiências.
Estas condutas e atitudes úteis e positivas são as mínimas necessárias para a prática de uma verdadeira fraternidade. Fora daí não se trata de fraternidade, mas de qualquer outra coisa que não merece tal nome.
Na estória “Dois Irmãos”, poderemos eventualmente reconhecer situações parecidas ou análogas que a vida faz repetir no dia-a-dia. Pois, aqui e ali, até mesmo com certa habitualidade tais situações acontecem de forma incessante, demonstrando ou negando o sentimento fraterno, que é (ou deveria ser) inato, espontâneo e permanente entre todos os seres humanos (ou naqueles dignos desse nome).
Pessoas muito próximas entre si, que acreditam estar o outro numa boa situação, melhor até do que a sua, mas que não conhecem a verdadeira condição do seu vizinho, vivem despreocupadamente sem notar, sem reparar, sem se incomodar e sem querer perceber o que ocorre ao seu redor. Vigora para tais pessoas a chamada “Lei de Murici”: cada um cuida de si
Os dois irmãos conviviam lado a lado ao longo dos anos; ambos chegaram à conclusão de que deveriam fazer alguma coisa em prol do outro; o solteiro em prol do casado, e este último em favor do solteiro. Tiveram a mesma ideia e puseram-na em prática; toda noite, atravessavam o campo e depositavam um saco de grãos no celeiro do outro. Ambos estranhavam o fato do respectivo patrimônio manter-se inalterado. Mas continuaram. Certa noite, encontraram-se em meio ao campo e, percebendo o fato e o seu grandioso significado, deixaram os sacos caídos no chão e abraçaram-se.
Porém, este abraço foi mais do que um simples abraço entre irmãos, pois representava todo o sacrifício, desprendimento, amor, carinho, afeto e respeito de um pelo outro, muito mais do que entre meros irmãos se sangue, que, tinham aberto mão de parte dos seus respectivos ganhos sem nada querer em troca.
Fantástico! Fizeram-no no, por muitos anos, no mais completo anonimato, no escuro das noites, sem alarde ou toques de trombeta. Tal qual preconizou Jesus: “que a sua mão direita não saiba o que a sua mão esquerda deu”.
Esta, sim, é a verdadeira fraternidade. Com certeza¹
Araguari – MG, 07 de março de 2025.
Rogério Fernal .`.
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É uma bela mensagem essa dos Dois irmãos, ambos tinham os mesmos pensamentos um com o outro.