Domingo, 29 de Março de 2026 Fazer o Login

Um filho de Araguari sugeriu o nome de Goiânia

qua, 23 de novembro de 2016 05:20

por Diomar Freire

         O professor Alfredo de Castro foi uns dos mais ilustres pioneiros de Goiânia, para onde se transferiu em 1938, prestou valiosa contribuição à educação e à cultura, graças ao trabalho de dezenas de anos no preparo de gerações e gerações de estudantes, que hoje ocupam na sociedade os mais diversos e relevantes postos. Fui um dos seus alunos, naqueles dias saudosos e distantes na década de 60, logo que sai do colégio dos jesuítas , cujo convívio guardo as mais gratas recordações.

Goiânia deve  o próprio nome à sugestão do professor Alfredo de Castro, que naqueles dias promissores do nascimento da nova capital, participou do concurso para a escolha do nome da futura capital com as seguintes palavras e ideia – Goiânia; e justificou: pela sonoridade, fácil grafia e sentido histórico. Curta, sonora, que reflete com serenidade a ideia de nossa origem- Goiânia, prolongamento da histórica Goiás Velho, monumento grandioso que simboliza a glória de todos os goianos, 10 de outubro de 1933. No dia seguinte, 11 de outubro de 1933 o interventor Dr. Pedro Ludovico Teixeira assinou o decreto dando o nome da nova capital – Goiânia.

O professor Alfredo de Castro nasceu a 6 de março de 1898 em Araguari- MG. Saiu adolescente  para estudar no ginásio Diocesano de Uberaba. Fixou residência em Goiás Velho em 1923. Estudou no seminário em Silvânia – GO, e formou-se em Direito em 1928. Foi membro da Academia  Goiana de Letras. Secretário da Educação 1946 a 1950. Exerceu o magistério durante 40 anos. Professor de latim, francês, filosofia e sociologia.

Fui seu aluno, assíduo frequentador de sua residência, na rua Sete, Centro, uma das primeiras construções da nova capital. Seu gabinete era delicioso, lá passei horas serenas, cercado pela enorme biblioteca. Li os grandes escritores russos, franceses e os clássicos romanos e gregos.

Sua filha foi minha amiga e colega de classe. Linda e comunicativa era uma esplêndida flor goethiana de cultura e inteligência. Quando o professor Alfredo de Castro requereu sua aposentadoria, fui convidado para fazer a saudação. Estavam presentes professores, autoridades e alunos. Naquela época, se me não engano, tinha dezessete anos. Transcrevo alguns trechos do discurso.

Saudação

Paradoxalmente, melhor seria calar, antes de falar, a exemplo de Silva Jardim, grande tribuno brasileiro, que antes de terminar um dos seus memoráveis discursos contra o império, emudeceu por mais de um minuto, para tornar grandioso: parei, parei, para ouvir a voz do coração, talvez parafraseando um verso célebre do filósofo Musset, “La bouche garde le silence por ecouter parler le coeur”.  “A boca se fecha em silêncio para escutar falar o coração”. Mas eu não posso calar. Vejo-me obrigado a falar. As minhas primeiras palavras relevam que vai em meu espírito a gratidão. Um emérito educador disse. “O professor é o homem que renuncia ao mando para exercer o conselho.” É verdade,  que não pode, o que não governa. Tal qual mineiros que descem, penosamente ao fundo da terra, e , à custa da saúde e do conforto, vão arrancar o ouro e a gema, que outros aproveitam.

Terminei minha saudação com um poema do poeta Neruda, quando ele foi homenageado na Academia de Letras do Chile.

Nenhum comentário

Deixe seu comentário: