Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026 Fazer o Login

Sigma Lithium anuncia retomada de suas operações e planeja investir R$ 600 milhões para expandir produção de lítio no Vale do Jequitinhonha  

seg, 24 de agosto de 2026 18:44

Acordo com governo de Minas Gerais dá segurança jurídica à operação no Vale do Jequitinhonha; companhia projeta produzir 240 mil toneladas nos próximos 12 meses e chegar a 330 mil toneladas em 2027.

Por Redação | Minera Brasil

A Sigma Lithium retomou integralmente suas operações industriais e minerais no Vale do Jequitinhonha após assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Estado de Minas Gerais, encerrando um período de suspensão parcial das atividades e abrindo caminho para a continuidade do programa de expansão da companhia.

O acordo traz segurança jurídica para um novo ciclo de investimentos no complexo Grota do Cirilo, em Araçuaí e Itinga. A Sigma prevê investir R$ 600 milhões em 2027 e projeta produzir 240 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio nos próximos 12 meses, avançando para 330 mil toneladas em 2027.

Com o TAC, a companhia informou que suas atividades operacionais foram plenamente restabelecidas. Durante a suspensão parcial, permaneceram funcionando as operações relacionadas à venda de finos de lítio de alta pureza obtidos a partir do reprocessamento de rejeitos e de outros produtos de teor intermediário.

A comercialização desses materiais integra a estratégia da Sigma de tornar sua operação 100% circular ainda este ano.

SEGURANÇA JURÍDICA PARA INVESTIR

Mais do que permitir a retomada integral das atividades, a Sigma considera que o acordo estabelece as condições necessárias para dar continuidade ao seu programa de investimentos no Vale do Jequitinhonha.

Segundo a companhia, a manutenção das operações sustenta uma cadeia de aproximadamente 19 mil empregos diretos e indiretos, responsável pela renda de mais de 80 mil pessoas na região.

Durante as negociações do TAC, as autoridades ambientais mineiras analisaram documentação técnica, ambiental e quantitativa apresentada pela companhia.

O acordo estabelece ajustes em procedimentos ambientais que, segundo estimativas da Sigma, exigirão aproximadamente US$ 1 milhão em investimentos adicionais. A companhia também concordou com o pagamento de até US$ 540 mil em multas 

Ao mesmo tempo, a Sigma contesta as principais acusações levantadas contra sua operação. A empresa afirma que não forneceu informações falsas às autoridades ambientais desde 2018, não comercializou materiais de lítio antes de maio de 2023 e rejeita a alegação de que duas residências situadas fora de sua área licenciada tenham sofrido impactos negativos provocados por suas atividades.

Como parte do acordo, entretanto, a mineradora concordou em alargar e cascalhar as vias de acesso às duas residências.

OLHANDO PARA FRENTE

Para a CEO e copresidente do Conselho de Administração da Sigma Lithium, Ana Cabral, a assinatura do acordo encerra uma etapa importante e permite à companhia voltar a concentrar esforços na expansão da produção.
“Com o acordo, a Companhia volta a concentrar todos os seus esforços no que fazemos melhor: produzir lítio de forma responsável e colocar o Brasil na ribalta das cadeias globais da indústria de insumos de baterias.”
Segundo Ana Cabral, o TAC também garante a continuidade do programa de investimentos e da geração de oportunidades econômicas no Vale do Jequitinhonha.
Agora, olhamos para frente com confiança e renovado entusiasmo, focados em aumentar nossa produção, avançar nossos planos de expansão e continuar contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do Vale do Jequitinhonha.”

FROTA GANHA CAMINHÕES DE 75 TONELADAS

A retomada acontece paralelamente ao aumento de escala da operação.

A Sigma aprovou uma nova etapa de modernização de sua frota de equipamentos pesados em parceria com a fabricante chinesa SANY. O plano prevê a introdução de caminhões fora de estrada com capacidade de 75 toneladas, operando em conjunto com escavadeiras de 98 toneladas.

A modernização está associada ao objetivo de elevar a eficiência e preparar a estrutura operacional para os volumes projetados pela companhia. O Grota do Cirilo possui atualmente capacidade nominal para produzir 330 mil toneladas de concentrado de óxido de lítio por ano.

A estratégia de longo prazo é mais ambiciosa. A Sigma planeja construir duas novas plantas industriais, o que poderá elevar sua capacidade anual total para 830 mil toneladas.

DE VOLTA À EXPANSÃO

A assinatura do TAC ocorre justamente quando a companhia vinha apresentando melhora de seus indicadores operacionais e financeiros.
No segundo trimestre de 2026, a Sigma registrou margem EBITDA de 47%, a maior de sua história, depois dos 39% alcançados no primeiro trimestre, além de redução superior a 30% nos custos.

Agora, com a retomada plena das atividades, a empresa volta a colocar a expansão no centro da estratégia.

A operação brasileira combina empilhamento a seco, reutilização integral da água utilizada no processo industrial, ausência de produtos químicos tóxicos no beneficiamento e eletricidade de fonte renovável.

Para a Sigma, o acordo com Minas Gerais encerra uma fase de incerteza e permite que o foco volte à escala. O desafio passa a ser transformar a segurança jurídica obtida com o TAC em produção: 240 mil toneladas nos próximos 12 meses, 330 mil toneladas em 2027 e, no horizonte da expansão, capacidade instalada de até 830 mil toneladas por ano.

 

Nenhum comentário

Deixe seu comentário: