Santa Casa adere a movimento nacional e cirurgias eletivas ficam suspensas
qui, 25 de setembro de 2014 00:08Recursos do SUS seriam insuficientes
para o setor, que amarga dívida de R$ 15 bilhões
DA REDAÇÃO – Na manhã desta quinta-feira, 25, quando se levantarem para trabalhar, funcionários da Santa Casa de Misericórdia trocarão o branco por trajes pretos. O luto faz parte de um movimento nacional ocasionado pelas dificuldades decorrentes do subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Com a missão de alertar a população acerca da insuficiência dos recursos e o crescente endividamento, instituições de todo o país decidiram se unir pelo “Dia Nacional de Luto pela Crise das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos”, suspendendo todo o atendimento eletivo durante a data.
Responsáveis por 54% dos atendimentos do SUS, as instituições filantrópicas ainda representam 60% dos procedimentos cardiológicos do sistema. Além disso, respondem por 60% do serviço para tratamento de câncer, incluindo 68% das cirurgias e 63% das quimioterapias. No caso dos leitos do país, 50,25% são filantrópicos.
Apesar da relevância das instituições, elas amargam uma dívida totalizada em R$ 15 bilhões pelo financiamento insuficiente. Em Araguari, a situação não é diferente. Conforme apurou a reportagem, a cada internação do SUS, a Santa Casa de Misericórdia recebe por diária o valor de R$ 230,35, somando a verba do governo federal e município. O incentivo, no entanto, é menor que o preço médio de um paciente, equivalente a R$ 402,77, gerando um déficit de R$ 172,41.
Somente no ano anterior, foram contabilizadas 20.607 diárias no município. Em entrevista ao Jornal Gazeta do Triângulo, o assessor jurídico da Santa Casa, Danilo Coelho Carvalho, explicou o reflexo do movimento nacional.
“Decidimos aderir à manifestação e os serviços eletivos serão paralisados, restringindo aos atendimentos de urgência e emergência, além daqueles que estão internados. Comunicamos todas as autoridades com antecedência e os agendamentos serão desmarcados para chamar atenção a essa crise que vivemos há mais de dez anos”, lembrou.
Questionado acerca das necessidades por melhorias no subfinanciamento, o assessor jurídico da Santa Casa tratou a medida como um grito de socorro, além de pedir a compreensão da comunidade.
“A ideia é reajustar a tabela do Sistema Único de Saúde, que há 11 anos não sofre alterações para melhorar o repasse das condições dos hospitais. A luta é por isso. Trata-se de um grito de socorro. Contamos com a compreensão da população e esperamos a união de todos por essa causa, uma vez que é uma busca para atender melhor a sociedade”, completou.
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