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CANTINHO DO MÁRIO – 3 DE OUTUBRO

sáb, 3 de outubro de 2026 08:00

OS OUTROS

É muito difícil conviver; os outros são uma incógnita. Como dizia um saudoso amigo, só depois que você comer um saco de sal junto entenderá o outro. “O outro” refere-se, em sentido amplo, a qualquer pessoa ou coisa que seja distinta, diferente ou separada do “eu” ou de um grupo de referência. No entanto, o conceito ganha profundidades específicas dependendo do campo de estudo. “Definição do Google”. Entretanto, isso vai muito mais longe. Diz a sabedoria popular que Deus é a unidade e nós somos a variedade. Somos animais territoriais. Um animal territorial é aquele que defende ativamente uma área específica contra a invasão de outros indivíduos, geralmente da mesma espécie. Em outras palavras, nós, que somos seres “racionais”, movidos pelo orgulho e pelo egoísmo, somos muito mais radicais. O ciúme, a inveja, o ódio e outros são sentimentos desagregadores; à menor proximidade de um desafeto ou concorrente, somos provocados por emoções e ficamos em guarda. Na atualidade, a maioria dos casamentos é desfeita em menos de cinco anos. As mulheres não são mais educadas para se casarem como antigamente, mas para subsistirem, não precisando depender de nenhum homem. Lembro-me do ditado popular: “Elas se casam com o príncipe encantado montado em um cavalo branco, mas logo o príncipe vai embora e fica só o cavalo.” O pessoal hoje já nasce de “saco cheio”; é uma nova realidade. É comum criticar as sogras, mas, convenhamos, se o genro é boa pessoa, as sogras não incomodam; pelo contrário, dão o maior apoio. E, se falarmos de cunhado, então… Colhemos o que plantamos. Existem falastrões, gente que não pode ver uma oportunidade para encher o ouvido dos outros com discursos que, na maioria das vezes, tratam-se apenas de desabafo pessoal, e ninguém aguenta. Só de ver a pessoa, começam os bochichos e, o pior, é que não trazem nada de novo, apenas dão vazão às suas vaidades. Lembro-me de comícios memoráveis de políticos que subiam no palanque só para falar mal dos adversários e, quando alteavam o tom da voz, os marqueteiros soltavam foguetes e os hebetados gritavam: “Muito bem!” Será que mudou alguma coisa? Tem pessoas que a nossa química não suporta; às vezes, nem as conhecemos, nunca nos fizeram mal, mas seu comportamento, sua forma de ser, suas escolhas nos fazem manter distância. Conviver é um desafio. Apesar de tudo isso, não podemos viver sem os outros. Aristóteles dizia que o homem é um animal social, e Vinicius de Moraes completou dizendo que a vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida. Acidentes de percurso? Complicado, mas o fato é que ninguém vive sozinho; padecer de solidão é um martírio. Quando Jesus disse: “Amai-vos uns aos outros”, Ele sabia o tamanho da dificuldade que estava nos propondo. Chegaremos lá de um jeito ou de outro; não existe outro caminho para ser feliz. Imaginem se todos gostassem do amarelo: esse mundo seria monótono. E depois… para os outros, somos os outros.

 

MÁRIO FERREIRA.:

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