Redes de combate à pobreza, por Bruno Peron
qui, 27 de março de 2014 00:00* Bruno Peron
A formação de redes de diálogo entre profissionais envolvidos no combate à pobreza é um avanço no Brasil. De fato, uma tarefa árdua não poderia pesar nos ombros de um único Ministro ou outro tomador de decisão. Este esforço, no entanto, esbarra num erro de cálculo geográfico: onde está a pobreza. Ao crer que a pobreza está somente nas favelas e nas periferias, tomadores de decisão descuidam do teor pobre de suas próprias ideias.
Reconheço o mérito da recém-criada Iniciativa Brasileira de Aprendizagem por um Mundo sem Pobreza devido à solidariedade interinstitucional com que as políticas de combate à pobreza contarão no Brasil. Tal Iniciativa recebeu o nome Mundo sem Pobreza (World without Poverty, WWP) e lançou-se em março de 2014 no Rio de Janeiro. O governo brasileiro acaba de inaugurar um programa de combate à pobreza e já o quer como algo de abrangência mundial; assim, o governo exporta um modelo de combate è pobreza a um mundo onde a miséria e a desigualdade não são (com algumas exceções na África, Ásia, Caribe e própria América do Sul) tão extremas como no Brasil.
No entanto, a proposta do Mundo sem Pobreza é alvissareira. O website do Mundo sem Pobreza informa que alguns objetivos desta Iniciativa são: apoiar discussões sobre redução da pobreza, formar redes de profissionais envolvidos no setor, e promover o compartilhamento de conhecimentos entre países.
Na Iniciativa Mundo sem Pobreza, o governo brasileiro (neste caso, com a colaboração do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) formou parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o Banco Mundial (que surgiu através do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, BIRD) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Curiosamente estes organismos tramam a redução da pobreza sem mudar o modelo de desenvolvimento brasileiro; entrementes, acreditam na linearidade do desenvolvimento ao nomear o Brasil um “país subdesenvolvido” ou um “país em desenvolvimento” porque estaríamos apenas numa etapa histórica mais atrasada. Os tomadores de decisão articulam-se entre eles, mas não reformam suas ideias para dar saltos.
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