Projeto antirracismo é proposto em sessão Legislativa
sex, 19 de junho de 2020 11:09Da Redação

O vice-presidente do Legislativo acredita que as crianças e jovens são o público principal a ser atingido nesse momento.
Durante a sessão ordinária do Legislativo da última terça-feira, 16, o vice-presidente da casa, vereador Warley Ferreira de Morais, realizou a leitura do Projeto de Lei (PL) nº 065/2020, que institui a obrigatoriedade de ações antirracistas no âmbito das escolas públicas e privadas do município, a serem executadas pela Escola do Legislativo ‘Virgínia Alcântara’.
Conforme disposto no documento, a proposta tem o intuito de conscientizar as crianças e jovens do município acerca da igualdade racial; promover ações de valorização da cultura racial; contribuir para a construção da cidadania social, bem como, a respeito da importância em discutir questões sociais no âmbito escolar; estudar legislações pertinentes ao tema, ressaltando a gravidade do racismo como crime e erradicação do racismo.
O PL ainda prevê que as ações culturais desenvolvidas através da Escola do Legislativo poderão contar com a exposição de fotografias, artes plásticas, canto, teatro e demais formas de arte. Todas as atividades mediante o projeto ficarão na responsabilidade da Secretaria de Educação, garantindo que todas as instituições escolares do município, sejam elas públicas ou privadas, tenham acesso a parcerias com a Escola do Legislativo.
Em entrevista à reportagem da Gazeta do Triângulo, Warley Ferreira de Morais contou que o maior estímulo para a elaboração do projeto se deu através de visitas ao gabinete de amigos, sobretudo negros, que motivados por várias situações que vêm acontecendo em todo o mundo, observaram a inoperância do poder público no combate ao racismo. “É uma ação efetiva que vai perpetuar após a minha saída do Legislativo no futuro. É algo que eu gostaria de estar pontuando e enraizando na cidade em meio a ações contra o racismo na nossa cidade junto ao legislativo araguarinos, e que futuramente possa ser referência no estado e se possível no país”, ressaltou o edil.
Em justificativa no PL, o vereador destacou a turbulência no contexto histórico vivenciada atualmente, em especial, diante a pandemia do novo coronavírus, junto a ações racistas retrógradas. Sendo assim, com base na constituição federal de 1998 que determina a promoção do bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, observou-se na Escola do Legislativo a oportunidade de promover essa ideologia.
“Ademais, as crianças são hoje os principais disseminadores de ideias dentro de seus lares, ao mesmo tempo em que figuram como uma ferramenta de grande relevância para tratar um tema de tamanha importância. Pois, através dos alunos, os pais podem ter acesso a situações e informações desconhecidas que podem desconstruir pensamentos e ideologias racistas”, ponderou Warley Ferreira de Morais no PL.
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Eu já vi mãe de aluno discriminar professora por ser negra e mandar colocar em outra sala. Aquela coisa disfarçada sem falar. Dependendo do bairro em que estudam os alunos se dão até bem. O professor costuma ser criticado pelos alunos sem ética nenhuma por não ter um carro, por não ir muito chique na escola, muitas das vezes a pessoa está iniciando a carreira agora e ainda não tem dinheiro. A pessoa pode ser discriminado por ser pobre, feio, morar em bairro pobre, andar mal vestido, por ter vindo de país de terceiro mundo, por morar em comunidade, hippie, analfabeto, basta fazer parte da desigualdade social. Os meninos que estudavam no primeiro ano atrasado serviam de chacota para os outros mais adiantados. É um assunto muito polêmico.
O nosso racismo quanto a cor de pele é pior do que dos Estados Unidos, porque o de lá é aberto e o daqui é fechado, disfarçado. Tem pessoas que tem vergonha de sair para passear e levar uma amiga de cor negra para ir junto.