Nova hegemonia, por Inocêncio Nóbrega
sáb, 28 de fevereiro de 2015 00:05* Inocêncio Nóbrega
Nas Américas, o século XIX foi de fortes tensões político-militares, com envolvimento de todos os segmentos populacionais. As colônias européias buscavam, ao menos, sua auto-gerência política. Não foram poucas as lutas, as batalhas, especialmente em campos abertos, pois de nada serviam os tribunais internacionais, no sentido de dirimirem direitos postergados, e sim para punir, com rigorosidade, os divergentes do Novo Mundo. Em 1789, o Haiti detinha uma das maiores produções do açúcar mundial. Dominado pela França, ante o tratamento de escravismo surge o sentimento de liberdade. Nesse mesmo ano Minas Gerais não se conformava com a extração do ouro, carreado para Europa, mediante extorsão tributária. Duas situações, dois consagrados nomes: Louverture e Tiradentes, numa só época.
Por semelhantes razões, emergem-se novos líderes, no Continente: Hidalgo, O’Higgins, Francisco Miranda, Bolívar, San Martin, além do guerrilheiro chileno Manuel Rodriguez e do brasileiro Abreu e Lima. Infelizmente, o Brasil teve de esperar por um dissidente da Coroa Portuguesa, D. Pedro. Uma galeria de heróis, que nos enche de orgulho. Pela bravura, conquistaram a independência de nossas Pátrias.
Pensava-se completado o destino das ex-colônias. Esquecemo-nos da parte econômica, brecha aproveitada pela Inglaterra, França e EUA, sucessores dos antigos feudos, patrocinadores de governos, no mínimo descompromissados com o passado. É a imagem que temos dos primórdios do sec. XX, apesar de esporádicas e leves insurgências. Haiti e Cuba, símbolos de resistência, da qual se inspira a quem pretenda alterar essa hegemonia. Manter tais matrizes no mando de nossas soberanias é retrocedermos na história. E esse é um dos objetivos da Unasul e da Celac. A Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (não integram EUA e Canadá), composta de 33 países, foi criada em 2011, na Venezuela, para, dentro de seu papel, administrar essa mudança, em nome do idealismo de nossos pioneiros.
Reunida em fins de janeiro último, em Costa Rica, na sua III Cúpula, os Chefes de Estado e de Governo debateram uma pauta rica em assuntos de geopolítica, como a aproximação do bloco com a China, numa alternativa ao império norte-americano e o fim do embargo a Cuba. A presidente Dilma Rousseff estava lá, como representante dos conjurados mineiros, dos insurretos nacionais e anseios da nossa gente. Cada membro presente, simbolizando o heroísmo de seus patronos e seu povo, todos, enfim, na defesa dos interesses continentais.
*Jornalista
inocnf@gmail.com
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