Morte de radialista revive luto da tragédia com a Chapecoense
qui, 28 de março de 2019 05:57Da Redação
Chapecó se despediu nesta quarta-feira do jornalista Rafael Henzel, 45 anos, um dos quatro sobreviventes na tragédia aérea da Chapecoense, em 2016. O narrador morreu na terça-feira, após um infarto enquanto jogava uma partida de futebol.
O velório foi realizado no Centro de Eventos da cidade, ao lado da Arena Condá, palco de muitas transmissões do profissional, e o sepultamento ocorreu à tarde, no cemitério Jardim do Éden.

Rafael Henzel era um dos sobreviventes do acidente aéreo com a delegação da Chape, em 2016
** Arquivo
Nascido no Rio Grande do Sul, Rafael Henzel desenvolveu laço com Chapecó desde cedo, quando começou a trabalhar na imprensa da cidade. Porém, a partir de 2016, a relação da cidade com o jornalista se intensificou. Ele virou símbolo de reconstrução ao lado de Alan Ruschel, Jakson Follmann e Neto.
A morte do jornalista da rádio Oeste Capital reviveu na cidade o luto da tragédia de novembro de 2016. Parte da memória de Chapecó, Rafael Henzel continuou a contar a história do Verdão do Oeste nos anos seguintes à queda do avião.
No fim da manhã, os outros três brasileiros sobreviventes foram ao velório. Neto, Alan Ruschel e Jakson Follmann estiveram presentes para a despedida do radialista, mas não deram entrevistas.
O trio não segurou a emoção e tentou consolar Jussara, viúva de Henzel. Em um dos momentos de maior emoção, uma narração dele levou muitos às lágrimas, inclusive os sobreviventes.
No jogo pela Copa do Brasil, contra o Criciúma, ontem, na Arena Condá, a Chape fez homenagens a Rafael Henzel. O nome do jornalista foi estampado na camisa dos atletas, que entraram em campo com faixa de luto e segurando um balão branco. Houve uma tentativa para adiar a partida, mas sem êxito.
LIVRO
“Agradeço por ter renascido na Colômbia. Eu não posso em nenhum momento pedir mais nada. Porque estou vivo”. Essas palavras foram escritas por Rafael Henzel em seu livro “Viva como se estivesse de partida” no qual relata como foi um dos seis sobreviventes ao acidente com o voo da Chapecoense, em novembro de 2016, que deixou 71 mortos na maior tragédia com uma delegação esportiva brasileira na história. Quis o destino que dois anos, três meses e 28 dias depois, uma morte súbita levasse o radialista.
No capítulo “A motivação é estar vivo”, Henzel, de 45 anos, lista o que o faz querer aproveitar a vida e vivê-la com alegria: o trabalho, a família e a felicidade.
“Sempre fui movido por motivação. Acho que todo mundo é assim. Na minha profissão de jornalista, quem me dá motivação são os ouvintes da Rádio. Em casa, sou muito motivado. Tento incentivar a minha esposa e o meu filho. A motivação gera alegria, principalmente se estimularmos as pessoas nos problemas que são palpáveis, para não haver frustração depois. Fiquei muito motivado depois dessa experiência, por um motivo simples: a vida“, conta na página 32.
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