Meio Desligado – Um salve para a nossa geração água com açúcar
qua, 1 de julho de 2015 08:16

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Estava em dúvida sobre o que escrever na coluna. Raul Seixas foi invocado pelos seus “70 anos se estivesse vivo” na mídia, até pensei no assunto, mas com todo respeito, eu não gosto de Raul. Acabaria saindo um texto daqueles bem enlatados e genéricos, sem ao menos uma boa observação que ninguém tenha feito, ou que tenha feito pouco.
Ocorreu-me falar sobre a exaustivamente falada confirmação da homossexualidade de Mário de Andrade, num trecho de carta que trocou com Manuel Bandeira. Para que, se eu engrosso o coro daqueles que não ficam interpretando as obras com base na vida pessoal do autor? O que Mário acharia disso?
Até ensaiei algum tipo de apoio ao Zeca Camargo, porque hoje em dia quando alguém pisa na bola ou fala algo polêmico, a turminha “inteligentinha” (obrigada, Pondé) zen, alto astral, auto sustentável das internets não perde a oportunidade de mostrar o quanto é boazinha e justiceira. Mas na internet, o banal vira bola de neve e em pouco tempo, adquire grandes proporções, sem razão de ter.

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E os livros de colorir? Ridículo, o fim da picada, falta de cultura, “vai ler um livro ao invés de colorir um”. O que é mais patético? Um livro de colorir ou quem reclama de um livro de colorir com ar de intelectualidade?
Chega disso. Parece que o Raul voltou a ser uma opção melhor, acho que vou ouvir uma música e pensar no assunto. Já teve a sensação de querer ouvir alguma coisa nervosa, barulhenta, transgressora, mas que não existe? Claro, tem muitas bandas nervosas e barulhentas, mas às vezes o ouvido pede uma coisa diferente, está cansado de ouvir as mesmas coisas de 20, 30, 40, 50 anos atrás.

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O rock brasileiro anda tão água com açúcar. Acabou o nervosismo, o inconformismo. E essa galera da nova MPB? De bem com a vida, fazendo um som de apartamento que não cheira nem fede, ótimo para uma festa “chic”com os amigos. Entendi porque aqueles funks bobagentos de garotos de 12 anos tem feito sucesso. Entendi porque o pessoal partiu para o rap e o rock ganhou nesta última década a sua pá de cal.
Nem todos estão imersos nessa onda de energia positiva paralisante e anticriativa. Pena que estão por aí iludidos, desperdiçados. Acreditam em conceitos fracassados porque levaram a sério essa história de que deveriam salvar o mundo.

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Parece que hoje tudo passa depressa demais, nada fica, nada importa, nada vale a pena. Nos ensinaram a gostar de MPB, Tropicália, post-punk, mas não soubemos olhar para dentro de nós mesmos, para o nosso próprio “espírito jovem”. Porque nós insistimos em idolatrar amanhã o velhote que morreu ontem, Caetano.
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