Lições da terra do tio Sam
qua, 11 de março de 2015 00:01Pela primeira vez, o jogador de um clube chinês é chamado para a seleção brasileira – dizia a capa de um jornal estampada em uma esquina qualquer. “É o futebol globalizado”, defendia o treinador que aprendeu a conversar com os jornalistas. Eis que surge um antigo rival olímpico da China, e deixamos de limitar ao óbvio.
Esqueçam os tacos de beisebol, hóquei, as bolas de basquete ou as ovais do futebol americano. Na terra do “tio Sam”, o esporte bretão pede passagem. Além de serem os nossos maiores ladrões de medalhas, os Estados Unidos invadem os gramados, fazendo de meros alunos aqueles que por cinco vezes ensinaram como jogar.
Lição 1. Em dia de clássicos pelos estaduais no Brasil, a abertura do campeonato norte-americano levou mais de 60 mil torcedores ao estádio do Orlando City, superando o público somado no Morumbi e no Mineirão. Curiosamente, a palco da partida custou R$ 220 milhões, oito vezes mais barato que o Mané Garrincha, em Brasília.
Lição 2. Em 1930, os norte-americanos chegavam à terceira colocação na primeira Copa da história. Na década de 70, ganhavam seus primeiros embaixadores, Pelé e Franz Beckenbauer, os quais assinaram com a equipe do Cosmos. Ainda assim, sucumbiram ao excesso de dívidas dos clubes, que gastavam mais e arrecadavam menos. Diante de uma realidade similar ao futebol brasileiro atual, decidiram aprender com os erros.
Lição 3. Entre as dez maiores médias de torcida e com a terceira taxa de ocupação nos estádios, os Estados Unidos retomam o caminho rumo à elite mundial. Com a liga gerida como uma empresa, onde os clubes atuam como franquias e os contratos de televisão e patrocínio são distribuídos democraticamente, todos precisam respeitar um teto salarial e outras regras que assegurem a competitividade e a saúde financeira das instituições, além do investimento no esporte universitário.
Aqui, vejo apenas discussões sobre pontos corridos, enquanto um mata-mata se espalha pelos arredores das partidas. De fato, num país onde corrupção é cultural e “João Havelange” é nome de estádio, qualquer exemplo é tarefa de casa, ainda mais quando o futebol representa a quinta potência nacional.
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