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Labirintite

sex, 7 de março de 2014 00:01

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1-O que é labirintite?
É uma doença que pode acometer tanto o equilíbrio quanto a parte auditiva. Os órgãos responsáveis pelo equilíbrio e pela audição estão situados dentro do ouvido interno comunicando com o sistema nervoso central através dos nervos da audição e do nervo vestibular. Doenças infecciosas, inflamatórias, tumorais e mesmo alterações genéticas podem ocasionar alterações nessas estruturas anatômicas. Essas patologias podem provocar sintomas como vertigem e tonturas.

2- Vertigem e tontura são a mesma coisa?
Não. O nome  vertigem vem do latim “vertere” e quer dizer rodar. A definição clássica de vertigem é a  alucinação do movimento. Tontura admite outras definições. O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.

3- Labirintite em criança existe, mas é pouco frequente. Qual a relação entre crises de labirintite e idade?
A labirintite incide mais na idade adulta a partir dos 40 ou 50 anos, decorrente de alterações metabólicas e vasculares. Níveis aumentados de colesterol, triglicérides e ácido úrico podem acarretar alterações dentro das artérias, alterações essas que diminuem a quantidade de sangue nas áreas do cérebro e do labirinto.

 4-Quais os sintomas que diferenciam a crise de labirintite da tontura comum que a pessoa sente porque se alimentou mal, por exemplo?
Na vertigem, o indivíduo vê os objetos do ambiente rodarem  a sua volta ou seu corpo rodar em relação ao ambiente. Pode parecer a mesma coisa, mas não é. São duas manifestações diferentes. Uma é subjetiva e a outra, objetiva. Esses sintomas, associados ou não a náuseas, vômitos, sudorese caracterizam a crise labiríntica típica.

Sentir-se mal e ter a sensação de desmaio podem ser sintomas de hipoglicemia, de hipotensão ou de uma síncope e nada têm a ver com o labirinto. É o caso do indivíduo que vai à igreja sem comer, fica sentado muito tempo na mesma posição, tem uma queda nos níveis de açúcar e sente-se mal, com náusea.

5-Além de sentir as coisas girarem, que outras características tem a labirintite?
Além da vertigem, a labirintite pode apresentar manifestações neurovegetativas, ou seja, na fase aguda a doença, pode ser acompanhada por náuseas, vômitos, sudorese e até por alterações gastrintestinais. Ela pode também estar associada a manifestações auditivas, como perda de audição, sensação de plenitude auditiva (sensação de ouvido cheio ou tapado), zumbido. Trata-se de manifestações audiovestibulares que podem acompanhar a crise de vertigem, embora nem isso nem o inverso sempre aconteçam.

No entanto, existem quadros completos que ocorrem, por exemplo, na Síndrome de Ménière, uma doença comum cujas principais características são crise vertiginosa acompanhada de surdez flutuante, zumbido e alterações neurovegetativas, como náuseas, vômitos, mal-estar e diarreia, que impedem o paciente de locomover-se, de movimentar-se.

6-Como é feito o diagnóstico?
Avaliação clínica e o exame otoneurológico completo são muito importantes para estabelecer o diagnóstico da labirintite, especialmente o diagnóstico diferencial, haja vista que as seguintes enfermidades podem provocar sintomas bastante parecidos: hipoglicemia, diabetes, hipertensão, reumatismo, doença de Mèniére, esclerose múltipla, tumores no nervo auditivo, no cerebelo e em áreas do tronco cerebral, drogas ototóxicas, doenças imunológicas e a cinetose, também chamada de doença do movimento que não tem ligação com as doenças vestibulares ou do labirinto.

A tomografia computadorizada e a ressonância magnética, assim como os testes labirínticos, podem ser úteis para fins diagnósticos.

7-O que acontece dentro da cabeça nesse momento?
Dentro do labirinto, nos canais semicirculares, há um líquido – a endolinfa – e uma configuração de otólitos, pedras pequeninas que se movimentam quando o indivíduo move a cabeça. No caso da vertigem postural paroxística, na área do utrículo e do sáculo, existem as otocônias, pedrinhas situadas sobre a mácula que se movimentam quando a pessoa mexe a cabeça. Esse é um fator desencadeante da vertigem e um quadro bem definido dentro da otorrinolaringologia.
Existem outras doenças vestibulares que podem provocar vertigem além da síndrome de Ménière e da vertigem postural paroxística, como as neuronites ou neurites vestibulares (processos inflamatórios no nervo e nos gânglios vestibulares) e os neurinomas ou schwanomas que são patologias tumorais importantes.

8-O álcool  pode desencadear um processo semelhante a esse?
Pode provocar. Ingerido em doses um pouco maiores, deixa o indivíduo tonto, com alterações vestibulares, reflexos da ação do álcool sobre o labirinto devido à hipotensão que ele acarreta dentro das estruturas do vestíbulo.

9- Crianças que ficam tontas dentro de automóveis em movimento, por exemplo, ou pessoas que começam a ler durante uma viagem e ficam tontas estão tendo uma crise de labirintite?
Isso não é labirintite. É uma doença do movimento que se chama cinetose, sem ligações com as doenças vestibulares do labirinto. Acomete pessoas que em determinadas condições de movimento apresentam manifestações neurovegetativas caracterizadas por tonturas, náuseas e vômitos.

A cinetose é uma patologia bastante comum e relacionada com a enxaqueca. Crianças e jovens com esse tipo de problema, geralmente, na idade adulta ou na puberdade, têm crises de enxaqueca.

10-Qual a conduta mais indicada para as pessoas que periodicamente apresentam crises de labirintite?
É preciso fazer um tratamento de base, no sentido de prevenir as crises, se possível respaldado pelo diagnóstico etiológico da doença. Conhecer sua causa permite tratar melhor o paciente. Em sua grande maioria, os tratamentos são sintomáticos, com drogas que deprimem o labirinto e evitam as crises de tontura. Uma vez estabelecida a causa e estabelecido o tratamento adequado, a tendência é a doença desaparecer.

11-Quais são as recomendações?
1.    Recomendo uma dieta extremamente leve constituída por alimentos fáceis de digerir e líquidos à vontade. Mudanças no estilo de vida são fundamentais para prevenir as crises de labirintite. Eis algumas sugestões:
2.     Evite ingerir álcool. Se beber, faça-o com muita moderação;
3.     Não fume;
4.     Controle os níveis de colesterol, triglicérides e a glicemia;
5.     Não deixe grandes intervalos entre uma refeição e outra;
6.     Pratique atividade física;
7.     Ingira bastante líquido;
8.     Recuse as bebidas gaseificadas que contêm quinino;
9.     Procure administrar, da melhor forma possível, as crises de ansiedade e o estresse;
10.     Importante: não dirija durante as crises ou sob o efeito de remédios para tratamento da labirintite.
11.    Evite estresse, ansiedade. Controlar a parte psíquica e emocional é muito importante.

1 Comentário

  1. MARIA JOANA GERALDO DELFINO disse:

    ESTAS INFORMAÇOES FORAM MUITO IMPORTANTE PARA MIM POIS TENHO SIDO ACOMETIDA POR ESSE MAL DE VEZ EM QUANDO VOU INVESTIGAR MELHOR E PROCURAR SABER A CAUSA COM MAIS PRESTEZA QUANDO ESTOU ASSIM NAO POSSO MOVIMENTAR A CABEÇA OLHAR PARA O ALTO E MOVIMENTAR BRUSCAMENTE. E TERRÍVEL .POIS TRABALHO MUITO PELA SOBREVIDA.

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