Júlio Monteiro celebra 55 anos de arte com exposição no Casarão Rosa
sáb, 4 de outubro de 2025 11:25Da Redação

Foto 1: Júlio Monteiro homenageia trajetórias e inspirações em nova exposição.
No dia 8 de outubro, às 19h, será realizada a vernissage “55 Anos de Inquietação Formal e Estética”, do artista plástico Júlio Monteiro, no Espaço Cultural do Casarão Rosa, localizado na Praça Getúlio Vargas, 208. A exposição ficará aberta ao público de segunda a sábado, das 14h às 19h, até o dia 8 de novembro. Com uma trajetória de 55 anos dedicados ao desenho e às artes visuais, Júlio Monteiro apresenta, nessa mostra, uma reflexão sobre sua reconexão com a criação artística, após um período em que se dedicou exclusivamente ao ensino.
Segundo o artista:
“A ideia de comemorar meus 55 anos de vivência artística é apenas uma porcentagem da vaidade que tenho por esse fragmento chamado Arte. Interpretar as Artes no mais íntimo de suas origens é um ato de ascensão ao belo. Colocá-la em exercício no nosso cotidiano coroa as ações e evidencia a Obra do Construtor do Belo. Salve as Artes Visuais!”
“O olhar poético de Júlio Monteiro vai rastreando recantos da natureza. Assim como um guardião de memórias e imagens, ele nos entrega em seus trabalhos (aquarelas, desenhos, pinturas…) tesouros ancestrais que vamos roubando de nós mesmos… paisagens cerradianas azuladas, caminhos nos matos, árvores-mães e suas sombras, frutos únicos, sementes que carregam expectativas de serem brotadas, flores e folhas que vestem tantas formas resilientes… Seu exercício disciplinar de encarar a natureza, o mundo, seus rastros e mensagens o coloca como protetor do ambiente, dos seres, daquilo que de fato é riqueza humana… Semeia com habilidade suas técnicas construtivas de imagens. Saboreia os frutos das cores, as cores dos frutos, os cheiros das plantas, os traços firmes de quem trabalha em comunhão com terras… Nessa exposição em que comemora seus 55 anos de Inquietude Formal, o mineiro Júlio Monteiro oferece a todos a colheita de todos esses anos dedicados à arte e à vida”, disse Alexandre França, artista plástico e diretor de Arte e Cultura da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Uberlândia.
No dia 3 de outubro, a Gazeta conversou com o artista plástico Júlio Monteiro sobre a exposição “55 Anos de Inquietação Formal e Estética” e sua trajetória. Confira a entrevista:
Essa exposição esteve em Uberlândia. Como foi a recepção do público?
Em Uberlândia eu já tenho um público consolidado, pois expus muitas vezes em várias galerias — como Lourdes Saraiva, Galeria do Mercado (Ido Finotti), Oficina Cultural e também no Sesc. Além dos araguarinos que residem lá, tenho também um público cativo da própria cidade. Desde 1984, quando apresentei meu trabalho no espaço da Universidade Federal de Uberlândia, mantenho esse relacionamento muito positivo, pelo qual sou muito grato. Na abertura, tivemos mais de 100 pessoas, o que considero excelente para os dias atuais. Durante os 40 dias de exposição, o público foi expressivo, o que me deixou muito contente.
Ao longo da carreira, onde mais o senhor já expôs seus trabalhos?
Já expus em Sorocaba, Goiânia, Uberaba, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. Tenho uma vaidade saudável: sempre faço questão de destacar o nome de minha cidade. Em 1991, quando expus no Rio, tive a presença ilustre de Farnese de Andrade Neto, um artista consagrado, o que foi muito marcante para mim. Em todo o meu trabalho busco elementos que são peculiares à cultura local, e tenho muito orgulho de mostrar Araguari por onde passo.
E sobre novos trabalhos, pode adiantar alguma coisa?
Estou em contato com a Fundação Cultural de Sorocaba, onde realizei minha primeira exposição individual em 1978, e também com a Fundação Cultural de Uberaba. Já estamos trabalhando algumas ideias para levar projetos a esses espaços novamente. Além de relembrar o passado, quero reencontrar o público que já me acompanha nessas cidades. A expectativa é de que isso aconteça no segundo semestre do ano que vem.
Como foi o processo para trazer a exposição “55 Anos de Inquietação Formal e Estética” a Araguari?
Fui convidado desde o ano passado. O pessoal do Espaço Cultural do Casarão Rosa já demonstrava interesse em realizar um trabalho comigo, e sempre dizia que chegaria o momento certo. Esse momento chegou. Quero mostrar minhas obras para os araguarinos, para meus ex-alunos e para os frequentadores do espaço. Será uma comemoração especial, com meu público, que sempre me acompanhou.
O que essa exposição traz de diferente em relação às anteriores?
É uma mostra comemorativa, que reúne registros de vários anos. É um acervo selecionado ao longo da minha trajetória. Não tenho uma produção muito grande, porque nunca vivi exclusivamente como artista plástico — atuei na educação até a aposentadoria e sigo conciliando essa dedicação. O que sou hoje é fruto de tudo o que vivi e das pessoas que passaram pela minha vida. Por isso, quis prestar homenagens em algumas obras que estarão expostas, como Paisagem do Velho Retiro, dedicada ao meu amigo e marceneiro Ronaldo Miranda Pelegrini (in memoriam), e Fundo de Quintal – Estrela do Sul, em homenagem a Maria Arruda da Silva, amiga e caseira da fazenda onde realizei uma das minhas melhores séries de pinturas.

Foto 2: A exposição reúne um acervo selecionado ao longo de vários anos
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