GP de USA
qui, 6 de novembro de 2014 00:03
Alô amigos, corrida burocrática o GP dos Estados Unidos, com pole de Rosberg, vitória de Hamilton e erro da Williams no pit stop da Massa, ou seja, nada de novo. Poderia terminar a coluna com esta frase, mas seria injusto com você leitor, pois nos bastidores a crise financeira se aprofunda cada vez mais.
Essa crise financeira tem tudo a ver com o paradoxo da Fórmula 1: para ser a elite do automobilismo esportivo investe pesado em tecnologia de ponta com altos gastos em pesquisas, que trazem benefícios para a indústria automobilística, mas que nem sempre dão o retorno financeiro desejado. Assim, se gasta muito, e ganha-se pouco, tendo as equipes que sobreviver, principalmente as pequenas, da divisão de lucros obtidos na temporada, que deveriam ser repartidos pela FIA de forma a garantir a sobrevivência destas, mas que pelos critérios de divisão, e principalmente pela Fórmula 1 ser hoje uma “empresa” com ações na bolsa de valores e com investidores que querem seus lucros pelos investimentos que fizeram, essa divisão não permite às equipes sobreviver nesse ambiente econômico totalmente predador.
Poderíamos citar um grande número de grandes equipes, que fizeram campeões mundiais e desapareceram devido às dificuldades financeiras frente aos, cada vez mais elevados, custos da categoria, e você, caro leitor, se surpreenderia com o rol de nomes famosos; para citar algumas: BRM, Lotus (a de Colin Chapman), Tyrrel, Matra, Brabham, e muitas outras, algumas pequenas que fizeram história como Hesketh (piloto James Hunt), Coopersucar (primeira e única brasileira), a própria Mercedes (antiga Brawn GP e Honda), portanto a lista de equipes desaparecidas poderia continuar, tão extensa quanto a crise financeira.
As duas últimas vítimas foram Caterham e Marussia, esta com o agravante do acidente com Jules Bianchi no GP do Japão. Essas equipes não participaram do GP dos Estados Unidos, e não participarão dos GPs do Brasil e Abu Dhabi, deixando um grande problema para a organização da Fórmula 1 (não o esporte, a empresa) pois alguns contratos preveem a largada de 22 carros, e com a desistência das equipes apenas 18 carros largaram no GP dos USA e irão largar nas duas corridas da temporada.
Como essa questão, a divisão dos lucros, será resolvida não se sabe, mas ela é de fundamental importância para a sobrevivência da Fórmula 1.
Por falar em sobrevivência, foi veiculada uma notícia nestas últimas semanas, de que a Ferrari se desligaria do grupo FIAT. Notícia que deixa no ar uma grande pergunta: sem o grupo Fiat a Ferrari sobreviverá como equipe de Fórmula 1? Não tenho dúvidas de que como empresa a Ferrari sobreviverá, pois como diz o amigo André Luiz Clemente (super abraços pelo niver amigo), sempre irão existir alguns endinheirados com o sonho de ter uma Ferrari para exibir para os “amigos”; mas a sobrevivência enquanto equipe esportiva, que não rende lucros, aí é outra historia. Afinal, na crise da empresa nos anos 60-70, foi a entrada da FIAT que salvou a Ferrari da falência e permitiu os investimentos que fizeram dela a maior vencedora dos anos 90, com o time formado por Jean Todt, Ross Brawn e Michael Schumacher; foram seis títulos de construtores (1999-2004) e cinco de pilotos (200-2004). Com um orçamento para a temporada atual de € 400 milhões (R$ 1.257.440.000,00) a empresa não irá sustentar este padrão por muito tempo, e para mim, isso é o começo do fim da Ferrari na Fórmula 1.
Esta semana temos o GP em casa, e como sempre estarei ligado nos treinos, e na corrida, que espero seja melhor do que a dos Estados Unidos, e Rosberg tem que vence, se quiser levar a decisão para Abu Dhabi, pois com uma diferença de 24 pontos, e pontuação dobrada na última prova, Hamilton praticamente colocou a mão na taça esse ano. A corrida promete, só não sei se a promessa será cumprida.
Até a semana que vem…
* Advogado, fã da Fórmula 1 desde 1970, e apaixonado pela Ferrari
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