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Ficha Técnica – Especial Pelezinho – Parte 3

qua, 17 de fevereiro de 2016 08:22

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Cinema mudo

Araguari, rua Mauro Cunha, bairro Bosque. Era tarde de terça-feira quando o Fluminense finalizava o último treino para o próximo desafio do Campeonato Amador. Dentro do estádio Sebastião César, o treinador lançou um desafio aos jogadores. Um refri para cada um, se em três chutes de fora da grande área ele não conseguisse acertar a bola na trave. A verdade é que nunca precisou da segunda tentativa.

Quem conta a história é Cairo, um dos jogadores conduzidos por aquele destemido treinador. Em matéria veiculada em 2004 pelo jornal Botija Parda, ele fala das lembranças vividas sob o comando de Hamilton Soares Alfaiate. Naquela época, o ex-Pelezinho de Araguari havia trocado a malha listrada do tricolor pela camisa de colarinho branco. O calção era substituído pela calça alva, enquanto as chuteiras davam lugar aos sapatos lustrados de Nugget. Mudavam-se os trajes e a posição em campo, permanecia sua influência no jogo.

Pelezinho (à direita) como treinador do Fluminense de Araguari (Arquivo Pessoal)

Pelezinho (à direita) como treinador do Fluminense de Araguari (Arquivo Pessoal)

 

Além de Cairo, aquele time ainda contava com nomes como Belisário, Osvaldo, Mamão, Ronaldo, Rogério, Tonhão, Marcelo, Tatu, Sérgio Branco e Tubertino. O esquadrão montado por Hamilton acabaria campeão do Amador após vitória sobre o Flamengo por 1 a 0. Mesmo depois de pendurar as chuteiras, Pelezinho ainda mantinha vivo o brilhante futebol araguarino, como conseguiu em campo entre ituiutabanos, uberlandenses, brasilienses, tricolores e estrelados.

Aquele que fazia o papel de maestro dentro das quatro linhas e de professor fora delas. Ídolo no futebol, inspirador em casa. “Se o vovô jogou, também quero jogar neste campo” – dizia o neto Hugo. Até quando pisava em outros terrenos, era relacionado ao futebol, como quando foi nomeado terceiro Oficial de Justiça de Araguari. “A chegada de Hamilton vai dar mais velocidade para o Judiciário”, destacava o jornal.

Ícone do universo cinematográfico, o britânico Charles Chaplin dizia que “A única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida”. Pelezinho viveu e fez de cada passo dentro dos gramados o roteiro de um espetáculo. Há pouco mais de um mês, o artista se calou. Avô, pai, meia-atacante e até goleador. Eterno marido de dona Marizete. Suas palavras ainda ressoarão em nossos ouvidos, suas jogadas continuarão gravadas na memória e seus gestos pavimentarão nossa história, como num bom e velho filme de cinema mudo.

1 Comentário

  1. Ricardo Freitas disse:

    É com muito pesar que fico sabendo da perca do nosso grande Hamilton. Sou Araguarino e resido em Brasília a muito tempo. Tive o prazer e o privilegio de conhecer e conviver com o Hamilton em duas situações: Primeiro quando criança, morando ainda na nossa Cidade, o vi jogar no Araguari e depois no Uberlãndia, quanta facilidade pra bater na bola, me enchia os olhos…
    Quis o destino que após cinco anos já morando em Brasília, iniciei minha carreira como Atleta Profissional em uma equipe daqui chamada GRÊMIO ESPORTIVO BRASILIENSE, e qual foi minha surpresa, que o camisa 10 da equipe principal era simplesmente HAMILTON!
    Mesmo Juvenil (hoje Juniores), ficava encantado quando tínhamos a oportunidade de treinar contra ele, era a chance única de ficar próximo ao ídolo.
    Segui minha carreira como Jogador Profissional por 12 anos, tendo atuado ao lado de grandes Craques como por exemplo Ailton Lira que já jogou no Santos, e era da mesma posição do nosso Pelezinho. Mas até hoje falo para amigos e jovens atletas com quem converso, o melhor jogador que vi bater na bola foi HAMILTON.
    Vá encantar meu camisa 10, com sua elegância e rara habilidade o time do nosso maior treinador!
    Deus conforte os seus familiares.
    Abraços

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