Farroupilha, por Inocêncio Nóbrega
qui, 18 de setembro de 2014 00:00* Inocêncio Nóbrega
No primeiro quartel do século XVII a balança comercial portuguesa, em relação à Inglaterra, estava em baixa. O ouro, encontrado no Brasil, serviria, acaso descoberto e produzido com intensidade, para cobrir o “déficit”. Quase todo ele era carreado para Portugal, que além do metal cobrava pesadas taxas incidentes na sua exploração. Em cada quilo do ouro, 200g pertenceriam aos cofres portugueses. Apesar dessa espoliação Vila Rica passou a ser considerada uma das mais ricas metrópoles da Colônia, causando cobiça entre os brasileiros mais próximos da área mineradora. Contra a ganância lusitana rebelaram-se os vila-riquenses, sob a liderança de Filipe dos Santos Freire, o qual foi martirizado. Em seguida, Tiradentes e uma sucessão de outros mártires, de regiões mais distantes do Brasil.
Os estancieiros da província de São Pedro do Rio Grande do Sul, também foram oprimidos com altos tributos sobre a charqueada, couro e erva-mate. A Guerra dos Farrapos (1835-45), que se estendeu a Santa Catarina, se insurgiu contra isso, porém tendo como pano de fundo o federalismo e o ideal republicano, luta aberta entre federalistas e imperiais. Contrasta-a o 21 de Abril, feriado nacional, ora servindo de palanque político em plena cidade onde aconteceu a Inconfidência. Nela, nasceu a aspiração autonomista; naquela, sua consolidação. No restante do país não fomos capazes, como os sul-riograndenses, de transformá-lo numa festa de civismo. A Farroupilha, ao contrário, anualmente é lembrada nas Semanas da Farroupilha, de 14 a 20 de setembro, quando ela se deu. Em terras gauchas passou a ser feriado estadual, dando oportunidade a que as populações cada vez se ufanem dessa bela passagem da nossa história.
Os festejos são em todos os municípios desse Estado, dos quais Mato Grosso e Mato Grosso do Sul participam com muito fervor. São coordenados pelos Centros de Tradições Gaúchas. No Brasil há cerca de 2.500 entidades tradicionalistas, e no exterior, 12. Na abertura e decorrer da programação consta do acendimento da pira simbólica, palestras, apresentações artísticas, mostras da cultura gaúcha, gincanas culturais, desfiles temáticos e de cavalarianos. As moças, com vestido de prenda, e homens, de bombacha, lenço e guaiaca. O livro, “Sou do Sul”, desde 2008 é editado e distribuído nas escolas, a fim de divulgar a efeméride, as festividades e o próprio Movimento Tradicionalista Gaúcho. Exemplares ainda estão disponíveis para compra. O GAN Vaqueanos da Cultura e Querência de Botucaraí estão prontos para suas apresentações folclóricas na sua região.
* Jornalista
Inocnf@gmail.com
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