DIREITO E JUSTIÇA – 16 DE JULHO
qui, 16 de julho de 2026 08:00
O Fim da Zona Azul em Araguari Foi Um Grande Erro:
A Zona Azul acabou em Araguari:
– O estacionamento rotativo remunerado (também conhecido como Zona Azul) não está mais em operação em Araguari. A Prefeitura Municipal encerrou o contrato com a empresa responsável (desde de 1º de maio de 2026) e a cobrança na região central da cidade foi suspensa. Atualmente, as vagas públicas estão livres de cobrança.
– De forma já provada e comprovada, a Zona Azul otimiza o tráfego central das cidades e fomenta o comércio local, permitindo a rotatividade das vagas, evitando que alguns poucos (lojistas e comerciários, por exemplo) ocupem a maioria dessas vagas centrais por horas a fio. A Zona Azul possibilita o acesso de clientes e de pessoas que precisem do espaço livre, para resolver seus assuntos no perímetro central da cidade num tempo nunca superior a duas horas contínuas.
– Claro, menos em Araguari. Nesta “nossa cidade” – uma pequena, mas autêntica amostra do que é o Brasil – há cidadãos que se acham “donos da cidade” e que se valem dos seus cargos e funções, ainda que transitórios, para imporem suas opiniões e decisões sobre assuntos de interesse geral. Tais pessoas impedem o progresso da cidade e freiam as mudanças drásticas que seriam necessárias e capazes de modernizarem o nosso trânsito e a mobilidade urbana.
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O fim da Zona Azul em Araguari foi um grande erro:
Também é fato provado e comprovado: toda vez que a “política” se intromete nos assuntos eminentemente técnicos, como são o trânsito e a mobilidade urbana em geral, a coisa desanda (para não dizer mais), deixa de funcionar a contento, e foi exatamente isso o que aconteceu recentemente aqui em Araguari.
Desde que a empresa Expo Parking (sic) iniciou a exploração do serviço de estacionamento rotativo remunerado – Zona Azul – não teve mais um minuto sequer de sossego para desenvolver a sua atividade, recebendo críticas destrutivas reiteradas e pequenos atos de sabotagem de toda sorte e vindos de todas as direções.
Eu posso afirmar isso com conhecimento de causa, não somente porque resido em Araguari desde 03.07.1984, portanto, há mais de 42 anos ininterruptos, como também por ter sido usuário frequente do sistema e jamais tive qualquer problema, residindo e frequentando assiduamente de carro o centro da cidade.
Meu veículo possuía seu TAG, aquele pequeno dispositivo eletrônico acoplado no teto do veículo e que contabilizava as paradas, os tempos e os gastos, dispensando intervenção humana e evitando erros, atrasos e multas. Nunca infringi qualquer norma, sempre parando ou estacionando nos locais corretos e adequados.
Enquanto isto, muitos dos que viviam reclamando eram os primeiros e principais infratores. Paravam e estacionavam além do tempo, nos locais indevidos, entre dois sensores (para evitar a detecção), praticando fraudes e estelionatos contra a empresa; enfim, a conduta normal do brasileiro médio, que não cumpre o seu dever e esbraveja indignado contra a esculhambação consequente e generalizada que vige neste país.
Fiquei até com um crédito de pouco mais de R$70,00, que tenho como perdido. A Zona Azul acabou por pressão insuportável e muito injusta de diversos setores que, com ou sem razão, fizeram valer seus pontos-de-vista (geralmente politizados) sem medirem as consequências e o caos que viria depois. Vejamos tais setores:
– A Câmara Municipal por alguns dos seus Vereadores, se não todos;
– O comércio, que pensou levar vantagem com a extinção da Zona Azul.
– Cidadãos, que se diziam prejudicados, mas que não colaboravam;
– A imprensa, principalmente por alguns radialistas mais afoitos;
E o prefeito municipal? Onde e como é que ele fica? Não pôde, não quis ou não valeu a pena resistir às pressões e às bordoadas constantes, defendendo e mantendo a Zona Azul? Bem, pareceu-me claro que o prefeito ficou isolado, sozinho, nas cordas, como se diz no esporte, numa situação ou posição insustentável e que não lhe deu outra opção que não a de rescindir o contrato com a empresa prestadora da Zona Azul.
Neste autêntico “mato sem cachorro”, ou no dilema final de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, não havia mais saída plausível; criou-se um impasse, onde qualquer decisão tomada traria ou teria consequências negativas. Todavia, optou-se pela pior e mais radical delas: a rescisão contratual sem uma causa legal clara e suficiente, suspendendo-se (interrompendo-se) o serviço da Zona Azul desde o dia 1º de maio de 2026.
Mais do que técnica, a decisão foi política. Se é que existiam falhas, elas, as falhas, eram todas passíveis de fiscalização e correção, otimizando-se o serviço. Milhares de pessoas viram-se prejudicadas de um dia para o outro em suas movimentações pelo centro da cidade por conta dos interesses classistas e mesquinhos de uns poucos.
Quais são as primeiras e visíveis consequências da falta de uma Zona Azul?
1ª – A bagunça instaurada no trânsito da área central da cidade;
2ª A falta crônica de vagas de parada e de estacionamento;
3ª – O uso alongado e não rotativo das paradas e estacionamentos.
4ª A invasão das vagas privativas de idosos e deficientes físicos;
5º – A demissão e o desemprego de funcionários e monitores;
6ª – A responsabilização judicial do governo municipal por perdas e danos;
7º A comprovação de que em Araguari temos “donos” desta cidade;
8ª – A péssima impressão que se passa de desorganização e politicagem;
9ª – O atraso de Araguari quanto à modernidade dos equipamentos urbanos.
Estendendo a questão da responsabilização judicial do governo municipal por eventuais perdas e danos, eu entendo que a empresa foi efetiva, injusta e ilegalmente prejudicada com uma rescisão contratual apressada e eivada de conteúdo político e passional. Havia total possibilidade de serem feitas fiscalizações e correções nas falhas eventuais da prestação de serviço, se é que existiam. Isto não foi feito.
Reitero que muitos dos que reclamavam e vociferavam eram também os que desobedeciam às regras básicas do estacionamento rotativo remunerado, fraudando as vagas, os horários, os valores e desrespeitando os monitores. Sim, falhas devem ter ocorrido, mas não tantas e tão graves a ponto de motivarem e justificarem uma abrupta interrupção dos serviços da Zona Azul.
A cidade já está começando a arrepender-se amargamente, percebendo o grande erro que foi cometido. Empresários (comerciantes e lojistas) e comerciários (funcionários) abarrotam agora a quase totalidade das vagas para veículos existentes no centro da cidade. Motocicletas e bicicletas invadem as vagas antes destinadas aos idosos e deficientes físicos, que perderam de fato suas preferências legais. É cada um por si. Quem chega primeiro ocupa. E dali só sai quando quiser sair.
O preço a ser pago pelo Município de Araguari poderá ser alto, pois tenho a convicção de que a empresa tem grandes chances de sair vitoriosa na Justiça. E, se for assim, isso servirá de lição para que uns poucos aprendam que a vontade da maioria deve ser respeitada. Vamos aguardar. O tempo dirá, no fim, quem é que tem mesmo razão.
Araguari – MG, 16 de julho de 2026.
Rogério Fernal .`.
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