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DIREITO E JUSTIÇA – 11 DE JUNHO

qui, 11 de junho de 2026 08:00

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas — PARTE II:

— Coluna Direito e Justiça –

  • À esquerda: Portugual continental e as ilhas (Açores e Madeira).
  • No centro: A gloriosa viagem de Vasco da Gama até as Índias.
  • À direita: Luiz Vaz de Camões, o maior da Língua Portuguesa.

 

Portugal; a fundação:

– Oficialmente, Portugal foi fundada em 1143, ano da celebração do Tratado de Zamora, assinado entre Dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, e Afonso VII, rei de Leão e Castela. Por ele, reconheceu-se o estatuto jurídico de Portugal como um reino independente e não mais na sua antiga condição de dependência (vassalagem) de Leão, ainda na época do Condado Portucalense.

O dia 10 de junho:

– No dia 10 de junho de 1580, falecia em Lisboa o maior poeta e gênio construtor pessoal da Língua Portuguesa: Luiz Vaz de Camões. Portugual, a pátria-mãe do Português, reverencia esta data, através de um merecido feriado nacional que homenageia o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (espalhadas pelo mundo,) e consequentemente também a Língua Portuguesa (um dos 10 idiomas mais falados no mundo e a primeira língua no Hemisfério Sul) e que valoriza todos os países de ascendência e cultura lusófona.

O Português; “de todas a  mais bela”:

– Hoje, o Português é falado por mais de 260 milhões de pessoas no mundo todo, repartindo-se em dois ramos principais, mas que são e serão sempre a mesma e maravilhosa Língua Portuguesa superando eventuais nacionalismos ou patriotadas inconsequentes e sem propósito. O idioma português é oficial nos seguintes países: Portugual (que para mim terá sempre a primazia), Brasil (que concentra o maior número de falantes), Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Macau (região especial da China). Existem ainda os falares crioulos do Português na África (o Caboverdiano), na América  (o Papiamento no Caribe) e na Ásia (Goa, na Índia).

 

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O legado imortal de Luiz Vaz de Camões:

Luiz Vaz de Camões é o pilar fundamental da padronização e do refinamento da linguagem portuguesa. Ele elevou o nosso idioma ao mesmo nível das grandes línguas clássicas da Europa, provando ao mundo que o Português era inteiramente capaz de expressar erudição, emoção e grandes feitos heroicos com extrema beleza e inegável precisão. Fazem parte do legado de Camões em prol do desenvolvimento e reconhecimento do Português como língua respeitável, plena de recursos e de cultura mundial, os seguintes aspectos:

  1ºConsolidação e expansão: Ao escrever “Os Lusíadas” em Português, em vez de usar o latim, Camões consolidou a língua como um veículo de cultura, identidade nacional e saber; 2º –  Riqueza estilística: Introduziu novas estruturas métricas e sonoras (como os versos decassílabos da “medida nova”), o que aumentou a expressividade e a musicalidade da poesia;  3º – Vocabulário: Enriqueceu o léxico com a incorporação de termos eruditos e cultos, sem perder a força da oralidade e das raízes populares do idioma; 4º – Universalidade: A grandiosidade de sua obra tornou-se uma referência mundial, projetando a língua portuguesa para além das fronteiras de Portugual.

Estrutura magistral e única de “Os Lusíadas”: Compõe-se de 8.816 versos decassílabos em 1.102 estrofes, chamadas de oitavas (oito versos cada uma). Divide-se em 10 cantos, que narram de forma grandiosa as viagens de Vasco da Gama e a História de Portugal, entremeando com a mitologia greco-romana. A epopeia nacional portuguesa divide-se em 5 partes: proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo.

– Proposição: O poeta apresenta o tema e os heróis que serão cantados (as viagens e as conquistas dos portugueses); 2ª – Invocação: O autor pede inspiração às divindades, no caso, as Tágides (ninfas do Rio Tejo que banha Lisboa e o centro de Portugual); 3ª – Dedicatória: O poema é oferecido ao jovem rei Dom Sebastião, simbolizando a esperança de glória  para Portugual e seu povo;  4ª – Narração: É a parte central e mais longa do poema, onde são contadas as viagens de Vasco da Gama (o Gama) a Calecute (na Índia), e a História de Portugal (com seus reis, heróis, batalhas, mitos e lendas); 5ª – Epílogo: É a última parte, a que encerra a epopeia, onde Camões lamenta as dificuldades e desilusões sofridas pela pátria, fazendo um apelo final ao Rei, talvez antevendo o que viria a ocorrer  proximamente com ele e com Portugual (em 1580).

Eu tive o cuidado de pesquisar e verificar qual teria sido esse apelo que Camões dirigiu ao rei. Como que numa coincidência ou deboche cruel do destino, Camões, de fato, fez um apelo angustiado e patriótico, para que o jovem rei liderasse e revitalizasse Portugal, exortando o jovem e impulsivo monarca (para não dizer mais) a valorizar seus súditos valentes, a combater a corrupção na nobreza, a expandir o império (especialmente através de cruzadas no Norte da África), prometendo imortalizar os feitos do monarca em seus versos. Porém, não ocorreu nem a liderança vitoriosa de cruzadas na África, nem a revitalização de condutas e propósitos. Mas, tendo aceitado os conselhos ou agido por conta própria, Dom Sebastião pereceu em 1578 na malfadada Batalha de Alcácer-Quibir (no hoje Marrocos), desastre que veio a ocasionar indiretamente a chamada União Ibérica (de 1580 a 1640), durante a qual Portugal perdeu a independência nacional e quase todo o seu império marítimo na Ásia, atraindo sobre si todos os inimigos da Espanha.

Sob censura e em sequência, eis um apanhado das 10  maiores epopeias do mundo:

 

  • Gilgamesh:                Suméria Antiga.(a busca da imortalidade).

Mahabarata:               Índia (disputa dinástica entre dois primos).

  • Ramayama:             Índia (a jornada do príncipe Rama).
  • Ilíada:             Grécia  (de Homero, sobre a Guerra de Troia).
  • Odisseia: Grécia (de Homero, a volta de Ulisses para Ítaca).
  • Eneida:             Roma Imperial (de Virgílio, os feitos de Enéas).
  • Divina Comédia: Itália (de Dante Alighieri, ida ao reino dos mortos).
  • Orlando Furioso: Itália (de Ariosto, feitos de cavalaria de Orlando).
  • Os Lusíadas: Portugual (de Camões glorificação dos lusitanos).
  • Dom Quixote: Espanha (de Cervantes, peripécias de um fidalgo).

 

Eis a seguir as 5 primeiras estrofes (Proposição)  de Os Lusíadas:

 

Os Lusíadas:

I:                                                      III:

As armas e os barões assinalados,                     Cessem do sábio Grego e do Troiano

Que da Ocidental praia Lusitana,                      As navegações grandes que fizeram;

Por mares nunca de antes navegados,               Cale-se de Alexandre e de Trajano

Passaram ainda além da Taprobana,                  A fama das vitórias que tiveram;

Em perigos e guerras esforçados,                      Que eu canto o peito ilustre lusitano,

Mais do que prometia a força humana,              A quem Netuno e Marte obedeceram.

E entre gente remota edificaram                        Cesse tudo que a Musa antiga canta,

Novo Reino, que tanto sublimaram;                  Que outro valor mais alto se alevanta.

II:                                                     IV:

E também as memórias gloriosas                      E vós, Tágides minhas, pois criado

Daqueles Reis, que foram dilatando                  Tendes em mi um novo engenho ardente,

A Fé, o Império, e as terras viciosas                  Se sempre em verso humilde, celebrado

De África e de Ásia andaram devastando;         Foi de mi vosso rio alegremente,

E aqueles que por obras valerosas                    Dai-me agora um som alto e sublimado,

Se vão da lei da morte libertando;                     Um estilo grandíloco, e corrente

Cantando espalharei por toda parte,                  Por que de vossas águas Febo ordene

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.              Que não tenham inveja às de Hipocrene.

V:

Dai-me uma fúria grande e sonorosa,

E não de agreste avena ou frauta ruda,

Mas de tuba canora e belicosa,

Que o peito acende e a cor ao gesto muda

Dai-me igual canto aos feitos da famosa

Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;

Que se espalhe e se cante no universo,

Se tão sublime preço cabe em verso.

 

 

GLOSSÁRIO:

Barões: homens ilustres; Taprobana: designação da ilha de Ceilão, hoje Sri Lanka; Terras viciosas: terras pagãs, que não eram cristãs; Libertar-se da lei da morte: imortalizar-se; Sábio grego: Ulisses (Odisseu), do cavalo de Troia, herói principal da Odisseia;  Troiano: Enéas, fugitivo de  Troia,, herói da Eneida e fundador de Roma; Alexandre: Alexandre, o Grande, Imperador da Macedônia e conquistador da Pérsia; Trajano: Imperador do Império Romano, que atingiu com ele a sua máxima extensão;  Peito ilustre lusitano; o valor do povo português;  Netuno: Poseidon na Grécia, o deus mitológico do mar; Marte: Ares na Grécia, o deus mitológico da guerra; Musa antiga: entidade mitológica feminina e inspiradora dos poetas antigos. Tágides: ninfas do Rio Tejo, entidades mitológicas femininas das matas e rios; Grandíloquo: Grandiloquente, que se expressa de maneira pomposa; Febo: Apolo em Roma, deus mitológico da poesia e da música; Hipocrene: fonte mágica que dava inspiração aos poetas que dela bebiam; Fúria elevada: inspiração elevada; Avena: flautinha feita do caule da planta que dá a aveia; Frauta ruda: flauta rude; Tuba belicosa: espécie de trombeta usada na guerra.

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Finalizando, digo-lhes que esta Coluna Dj completa uma extensa série em que tive o ensejo e a honra de dirigir-me de forma inadiável, elogiosa e justa a Portugal, e ao seu povo valoroso, fazendo-lhes o reconhecimento do imensurável legado histórico próprio e também daquele que transferiram ao meu país o Brasil, principalmente concedendo aos brasileiros, e a mim, o privilégio de poder manejar a Língua Portuguesa, o idioma Português, que tão maravilhoso é quanto pôde sonhar e construir Camões O invencível Viriato estaria muito orgulhoso da Lusitânia de hoje. Portugual, obrigado!

 

Araguari – MG, 11 de junho de 2026.

Rogério Fernal .`.

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