Delegado de Homicídios afirma que Araguari precisa “acordar” para evitar índices ainda mais alarmantes nos próximos anos
qui, 15 de agosto de 2019 05:06Da Redação
Segundo Felipe Oliveira Monteiro, município vem crescendo e tem que se planejar urgentemente na segurança pública
Recentemente, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou que Araguari tem a maior taxa proporcional de homicídios consumados entre os municípios do Triângulo e Alto Paranaíba com mais de 100 mil habitantes – ano base 2017. No ranking do Estado, ocupa a sétima colocação.

Para Felipe Oliveira, os “números negativos atuais são frutos de uma política pública totalmente equivocada que se repete há décadas em Minas Gerais”
** Arquivo
Nesse sentido, o delegado de Homicídios da Quarta Delegacia Regional de Polícia Civil, Felipe Oliveira Monteiro, falou à reportagem que os números são realmente alarmantes para a cidade de Araguari e que essa explosão se justifica porque os jovens estão se envolvendo cada vez mais cedo com o mundo das drogas e, consequentemente, praticando tráfico e crimes decorrentes, como homicídios.
Conforme frisou, muitas vezes essas estatísticas têm como base de dados os boletins de ocorrências da Polícia Militar, mas quando chegam à Polícia Civil, há uma retificação em algumas situações, e, às vezes, o número é até maior do que o divulgado.
Os casos de lesão corporal, por exemplo, dependendo da apuração, são tratados pela PC como tentativas de homicídios. Existem também tentativas, que mais tarde acabam virando homicídios consumados, quando as vítimas são levadas para atendimento médico e vêm a óbito dias ou meses depois, em decorrência das agressões sofridas.
O delegado ressaltou que os números negativos atuais são frutos de uma política pública totalmente equivocada que se repete há décadas em Minas Gerais. “Observamos que é uma falha antiga, não somente dos gestores de hoje. Os poucos recursos destinados à área de segurança pública são voltados prioritariamente para a área de prevenção, enquanto que as áreas de investigação e repreensão ficam com o resto dos recursos, que é totalmente insuficiente, com uma estrutura bastante defasada, um efetivo comparado com o da década de 80, gerando uma sensação de impunidade, porque a polícia investigativa não consegue desenvolver o seu trabalho da forma como deveria”, disse.
Felipe Oliveira Monteiro demonstra grande preocupação com o futuro do município e acredita que é preciso “acordar” para evitar números ainda mais alarmantes nos próximos anos. “Araguari está crescendo e isso continuará acontecendo de forma rápida, inclusive com a chegada de grandes empresas, que irão gerar vários empregos e atrair pessoas de outras cidades. Haverá um aumento populacional considerável nos próximos 20 anos, e não vejo, pelo menos por enquanto, movimento de estudo de impacto desse crescimento rápido nas áreas de interesse social, principalmente na segurança pública”, ponderou.
No entendimento do jovem policial, os políticos locais precisam voltar os olhos para essa questão e traçar um planejamento urgente para não cometer os mesmos erros do passado. “Isso precisa ser feito, senão, daqui a 20 anos teremos que falar de novo que os números ultrapassaram os limites nacionais”.
Apesar de todas as dificuldades, em Araguari os resultados são satisfatórios nas investigações da Polícia Judiciária, principalmente na área de crimes contra a vida. A taxa de elucidação é maior do que a média nacional. Assim como em todo o país, grande parte dos homicídios está relacionada ao tráfico de drogas.
Em 2018, o município contabilizou 22 homicídios consumados, de acordo com números da Secretaria de Estado da Defesa Social. Até agora, em 2019, foram 17 casos registrados dessa natureza criminal.
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