Coluna: Saúde Alerta (14/04)
qua, 14 de abril de 2021 08:17
COVID X DEPRESSAO X DEMÊNCIA
Um terço das pessoas infectadas com a doença desenvolveu ou teve uma recaída de uma condição psicológica ou neurológica, porém aqueles que foram internados em hospitais ou em terapia intensiva correram um risco ainda maior.
É provável que isso se deva aos efeitos do estresse e ao impacto direto do vírus no cérebro.
Segundo a fonte pesquisada, revista EXAME, cientistas do Reino Unido analisaram as fichas médicas eletrônicas de mais de meio milhão de pacientes nos Estados Unidos e suas chances de desenvolver uma das 14 condições psicológicas ou neurológicas comuns, de hemorragia cerebral a isquemias cerebrais.
Ansiedade e transtornos do humor foram os diagnósticos mais comuns entre as pessoas com covid-19, e estes eram mais prováveis de ocorrer devido ao estresse da experiência de estar muito doente ou de ser levado ao hospital, explicam os pesquisadores.
Condições como isquemia cerebral e demência têm mais probabilidade de ser atribuídas aos impactos biológicos do próprio vírus ou da reação do corpo à infecção em geral.
A covid-19 não foi associada a um risco aumentado de desenvolver-se Mal de Parkinson ou síndrome de Guillain-Barré (processo inflamatório de nervos cujos sintomas podem ser fraqueza muscular progressiva).
O estudo foi observacional, então os pesquisadores não puderam dizer se a covid-19 causou algum desses diagnósticos acima – ou seja, algumas pessoas poderiam ter tido uma isquemia cerebral ou depressão nos seis meses seguintes à infecção, independentemente.
Mas, comparando um grupo de pessoas que tiveram covid-19 com dois grupos – com gripe e outras infecções respiratórias, respectivamente – os pesquisadores da Universidade de Oxford (Reino Unido) concluíram que a covid-19 estava associada a mais doenças cerebrais subsequentes do que outras doenças respiratórias.
Os participantes foram divididos por idade, sexo, etnia e condições de saúde, para torná-los o mais comparáveis possível.
Os doentes tinham 16% mais probabilidade de desenvolver um distúrbio psicológico ou neurológico após a covid do que após outras infecções respiratórias, e 44% mais probabilidade do que pessoas se recuperando de uma gripe.
Além disso, os pesquisadores constataram que a gravidade da doença estava ligada a uma maior probabilidade de diagnóstico subsequente de saúde mental ou distúrbio cerebral.
Transtornos de humor, ansiedade ou psicóticos afetaram 24% de todos os pacientes, mas aumentou para 25% naqueles internados no hospital, 28% em pessoas que estavam em cuidados intensivos e 36% em pessoas que experimentaram confusão mental durante a doença.
Os acidentes vasculares cerebrais afetaram 2% de todos os pacientes com covid, aumentando para 7% dos internados na UTI e 9% dos que tiveram confusão mental. E demência foi diagnosticada em 0,7% de todos os pacientes com covid, mas em 5% daqueles que experimentaram delírio como sintoma.
Estudos anteriores destacaram que pessoas com demência correm maior risco de desenvolver covid-19 grave. Este novo estudo investiga se essa relação também pode ser mantida na outra direção.
O estudo não enfoca a causa dessa relação, e é importante que os pesquisadores descubram o que está por trás dessas descobertas.
Há evidências de que o vírus entra no cérebro e causa danos diretos.
A covid-19 pode ter outros efeitos indiretos, por exemplo, afetando a coagulação do sangue, o que pode levar a acidentes vasculares cerebrais. E a inflamação geral que ocorre no corpo quando ele responde à infecção pode afetar o cérebro.
Para pouco mais de um terço das pessoas que desenvolvem uma ou mais dessas condições, esse foi o primeiro diagnóstico.
Mas mesmo quando se tratou da recorrência de um problema pré-existente, os pesquisadores disseram que isso não descartou a possibilidade de a covid-19 ter causado o episódio da doença.
O estudo confirma nossas suspeitas de que um diagnóstico de covid-19 não está apenas relacionado a sintomas respiratórios, mas também a problemas psiquiátricos e neurológicos. Examinar (os pacientes) seis meses após o diagnóstico demonstrou que as sequelas podem aparecer muito mais tarde do que o esperado – algo que não é surpresa para aqueles que sofrem de ‘covid longa’.
Embora, como esperado, os resultados sejam mais sérios naqueles internados em um hospital, o estudo aponta que os efeitos graves também são evidentes naqueles que não foram hospitalizados.
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