Coluna: Neuropsi
qui, 7 de maio de 2020 13:11
1-O que é Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)?
É uma doença psiquiátrica, caracterizada pela presença de obsessões e/ou compulsões. As obsessões são eventos mentais, como pensamentos, imagens, impulsos que são vistos pela pessoa como intrusivos e são facilmente reconhecidas, mas não controladas. As compulsões são comportamentos de respostas às obsessões, são feitos para diminuir as sensações de desconforto causadas por elas.
2-Qual é a frequência de TOC na população?
A frequência do TOC na população está entre 2% e 4%. Isso quer dizer que, numa escola com mil alunos, 20 apresentarão algum grau de obsessão e compulsão. É importante ressaltar que, quanto mais são realizados os rituais, maior a possibilidade de aumentar a frequência e a intensidade dos pensamentos obsessivos fazendo com que o problema tome conta da vida da pessoa.
3- O distúrbio é mais comum nos meninos ou nas meninas?
Depende da faixa etária. Ao longo da vida, a frequência é a mesma nos dois sexos. Na infância, o transtorno obsessivo-compulsivo é mais frequente nos meninos. No final da adolescência, porém, o número de casos vai se igualando e a frequência passa a ser praticamente a mesma entre homens e mulheres.
4-Como os pais podem identificar que as manias próprias da infância, estão exageradas no seu filho?
Devem chamar atenção a intensidade e a frequência com que as manias se manifestam na criança. Em geral, os sintomas são mais intensos no ambiente familiar. Entretanto, quanto mais fora de casa aparecerem e mais envolverem a figura dos pais, mais grave será o quadro. Cita-se como exemplo o caso de uma criança que, enquanto despejava água num copo, era acometida pelo pensamento ruim de que pessoas de sua família poderiam sofrer um acidente e, para impedir que isso acontecesse, era obrigada a voltar a água do copo para a jarra e da jarra para o copo até o pensamento desaparecer. Durante horas, ela repetia esse gesto até que os pais enchiam o copo por ela. Isso a fez sentir-se protegida e livre da ritualização. Geralmente, as obsessões têm cunho agressivo, catastrófico, e estão associadas a acidentes, doenças e mortes. Um exemplo é o da criança que começa a ter imagens dela mesma brincando com um cachorrinho e, depois, atirando-o longe, contra uma parede.
5- É possível identificar algo no comportamento dos pais que facilite o aparecimento de transtornos obsessivo-compulsivo?
No aparecimento em si, não; mas na perpetuação e intensificação dos sintomas, sim. Há pais que participam das manias e rituais, por exemplo, cito o caso de uma criança que, enquanto estava assistindo a determinado programa, ninguém podia passar por trás da televisão e os pais, ao desviarem do caminho proibido, acabavam alimentando e perpetuando o ritual da criança.
6-Quais são os sintomas do TOC?
Medos exagerados de se contaminar, lavar as mãos a todo o momento, revisar diversas vezes a porta, o fogão ou o gás ao sair de casa, não usar roupas vermelhas ou pretas, não passar em certos lugares com receio de que algo ruim possa acontecer depois, ficar aflito por que as roupas não estão bem arrumadas no guarda-roupa, ou os objetos não estão exatamente no lugar em que deveriam estar, são alguns exemplos de sintomas característicos de um transtorno: o transtorno obsessivo-compulsivo ou TOC e que são popularmente conhecidos como “manias” (de limpeza, de verificar as portas, de arrumação). Um mesmo indivíduo pode apresentar uma diversidade de sintomas, embora geralmente exista um que predomine.
7-Quais as suas características?
Todo e qualquer transtorno psiquiátrico pode afastar a pessoa da sociedade, acarretando ainda mais tristezas, que pioram o quadro do paciente. A pessoa tem consciência de que, aquilo que ela faz, é estranho para os outros, mas para ela é um ato irresistível. Ela pode se isolar progressivamente do mundo e isso agrava seu sentimento de inadequação, eleva o seu grau de estresse, podendo também agravar os sintomas da sua doença. Muitas vezes, adquire para o indivíduo uma conotação ruim, de não ser capaz de controlar suas emoções e sentimentos, desenvolvendo maneiras alternativas de lidar com os problemas, dando origem às obsessões.
8- Existe Cura para o TOC?
Não se deve falar de cura nestes casos porque são problemas crônicos e muitas vezes recorrentes. Em períodos de mais estresse, os sintomas, mesmo depois de tratados, tendem a voltar. O prognóstico desses pacientes é variável, sendo que alguns necessitam de tratamento por tempo indefinido, enquanto outros conseguem permanecer estáveis mesmo após a retirada da medicação. Apresentando sintomas procure o psiquiatra e psicólogo o mais rápido possível.
O profissional fará a avaliação do tratamento a ser utilizado conforme a dinâmica e necessidade de cada pessoa. A terapia cognitivo comportamental é a mais utilizada, por usar técnicas específicas, e que tem como foco o problema apresentado no momento – também é muito eficaz no tratamento desses transtornos, podendo o sucesso ser maior quando associada a terapia medicamentosa prescrita por um psiquiatra.
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