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Coluna: Neuropsi (22/10)

sex, 22 de outubro de 2021 08:45

1-O que é a autodepreciação?

 

Você já deve ter se pego dizendo ou pensado frases como “nossa, como fui/sou burro (a)”, “como sou feio (a)” ou ainda “não faço nada certo, sou um fracasso”, etc. Quando ocorre de forma ocasional, pode refletir apenas a frustração de algo que deu errado em algum momento. Mas, quando isso passa a ser constante, pode ser um sinal de algo está errado com a saúde mental.

A autodepreciação é a apreciação desfavorável que alguém faz de si mesmo, das suas capacidades, dos seus atributos ou dos seus feitos.

2-Como ocorre?

Ocorre quando um indivíduo acredita que não merece o sucesso, mesmo quando trabalhou duro para atingir seus objetivos e é reconhecido por suas realizações. Essas pessoas, na maioria mulheres, sentem-se farsantes e convivem com o medo constante de que seu suposto engodo seja descoberto.

3-Quais são as características da pessoa que sofre autodepreciação?

A autocrítica é algo saudável, quando dosada. É fundamental termos uma noção e bom senso através da percepção adequada de nós mesmos.

O tempo todo temos diálogos internos: pensamos, planejamos, analisamos coisas erradas que fazemos, entre outras tantas possibilidades. Ter essas conversas de forma autoagressiva e autopunitiva é um mecanismo de funcionamento que pode estar presente em maior ou menor grau em todos nós.

O grande problema começa quando as pessoas perdem o equilíbrio da crítica e passam a agir de forma quase que “agressiva” em relação a si próprio. Saber dar o seu próprio feedback com qualidade é uma arte. Quem sabe ponderar a forma de falar consigo é capaz de avaliar as ações com harmonia.

Entretanto, existem aqueles que exageram, sendo extremamente duros consigo mesmos, se tratando de forma negativa e autodestrutiva. Esses diálogos internos nocivos podem refletir dificuldades quanto ao amor-próprio, o que chamamos de baixa autoestima. Pode também acontecer em que tem um nível de autoexigência exagerada ou ainda pode sugerir a presença de algum transtorno psiquiátrico como depressão, por exemplo.

Baixo autoconceito é frequente entre as pessoas, sendo que essa pessoa passa a lembrar-se a todo momento o quanto é fracassada (na visão dela), o que faz com que o autoconceito diminua ainda mais.

O paciente que apresenta essa manifestação tem uma dolorosa consciência de suas fraquezas. Ao mesmo tempo, tendem a supervalorizar a capacidade e os pontos fortes dos outros – e sempre se consideram em desvantagem. Não é de admirar que essas pessoas tenham baixa autoestima.

 

4-Qual sexo é mais acometido? Tem alguma relação com a idade?

A autodepreciação é mais comum entre mulheres, especialmente mulheres bem-sucedidas em profissões tipicamente ocupadas por homens. É comumente encontrada no mundo acadêmico, especialmente entre estudantes de mestrado e pós-graduação. Não é visto muito em crianças.

 

5-Como é possível lutar contra a autodepreciação?

 

Olhe para aquilo que construiu até aqui com amorosidade e reconheça o que você tem de bom, dando valor para suas qualidades e dando menos peso para as suas imperfeições e defeitos; tenha em mente que somos seres passíveis de desenvolvimento em quase qualquer área da vida e que se queremos melhorar em algo precisamos ser o líder ideal de nós mesmos, que pode até ser duro, mas nunca é destrutivo; alivie o estresse: busque atividades que te dão prazer em fazer e que te deem mais leveza, como esportes, atividades recreativas ou artes, por exemplo. Extravasar a pressão do dia a dia libera o acúmulo e impede um desgaste muito grande de saúde física e mental; buscar terapia com profissionais da saúde mental podem ajudar no processo de autoconhecimento. Por meio da psicoterapia ou psicanálise é possível investigar o que está por trás desse comportamento e, assim, trabalhar o problema.

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