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Coluna: Furando a Bolha (11/08)

sex, 11 de agosto de 2023 08:06

 

FURANDO A BOLHA

 

A sabedoria de minha tia-avó Fran e seu antídoto contra extremistas

 

Uma pessoa que sempre despertou em mim simpatia e admiração é minha finada tia-avó Fran. Isso não aconteceu apenas comigo, mas seguramente com toda a família de minha avó (que é sua irmã) e também com sua própria família, que reside em uma capital.

Minha tia Fran possui uma história bastante inspiradora. Ela foi verdadeiramente uma das mulheres mais fortes com as quais convivi. Mesmo enfrentando o desafio de criar 11 filhos após ser abandonada pelo marido, conseguiu administrar seus bens e conduzir sua família para o caminho do sucesso com muito esforço, dedicação e paciência. Além disso, sua incrível capacidade de pacificar e intermediar acordos era notável. Imagine administrar os conflitos entre seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos. E de alguma forma, ela conseguia.

Uma de suas estratégias, sem dúvida alguma, era não bater tambor para maluco dançar. E é justamente essa característica que desejo abordar em minha coluna de hoje.

Atualmente, independentemente da orientação ideológica, deparamo-nos com extremistas em todas as esferas. Isso não ocorre apenas na política, mas também na área da saúde, modos de vida, religião, alimentação, entre outros.

Sempre que eu ouvia algum absurdo ou disparate em qualquer contexto, especialmente aqueles que invadiam a individualidade ou a racionalidade, eu tentava explicar ao extremista que talvez seu ponto de vista não fosse o mais acertado.

Procurava embasar minha argumentação com ciência e evidências sólidas. Por exemplo, explicava que a Terra é redonda, que as vacinas são essenciais para nossa saúde, que as urnas eletrônicas são confiáveis (até o momento), que o uso de ozônio anal não possui eficácia contra a COVID-19 e possivelmente configura-se como pseudociência, que a chuva ocorre devido a processos naturais e não porquê Deus mandou, entre outros absurdos. No entanto, os dogmáticos nunca abriam mão de suas certezas, continuando a proferir suas convicções de forma veemente, independentemente dos argumentos apresentados.

Mas então, passei a adotar a estratégia de minha tia-avó e, assim, não busco mais convencer aqueles que estão firmemente enraizados em suas crenças. O diálogo pressupõe a escuta mútua, e a escuta envolve tanto a fala quanto a audição. Entretanto, os fanáticos apenas falam e não ouvem o que lhes é dito, especialmente se isso contraria suas crenças arraigadas.

Desta maneira, hoje, se alguém afirmar ter participado de extensas sessões de ozônio anal contra a COVID-19, eu respondo: “Entendo, talvez isso seja eficaz para tratar gripes, resfriados, torcicolos, cancro mole, enxaqueca, entre outras condições”.

Se alguém argumentar que a Terra é plana, eu concordo e acrescento que, quando essa pessoa for em uma expedição até o suposto abismo e a parede de gelo, que me chame, pois gostaria de observar esse fenômeno de perto.

Se alguém disser que o ex-governador de São Paulo, Dória, é comunista, eu digo que sim e que os funcionários de sua mansão são todos camaradas desfrutando de direitos iguais e todos compartilham os bens dele como coisas comuns.

Se alguém negar que a Venezuela é uma ditadura, eu concordo e ressalto ironicamente que a “democracia” lá deve ser realmente admirável. Se alguém argumentar que o ex presidente nunca tentou um golpe de estado e que os acampamentos de extremistas na frente de quartéis em todo o Brasil eram apenas atos espontâneos, sem financiamento, interesses ou envolvimento político, eu aceito o argumento e digo que, na verdade, esses idosos inocentes estavam apenas celebrando a vida com comes e bebes e orações, inclusive para pneus (isto não diria).

Em resumo, passo a concordar com tudo e todos, especialmente em tempos de radicalismo e polarização, nos quais as partes muitas vezes não conseguem encontrar uma visão pautada na ciência e na realidade. Em um cenário no qual os mais extremistas frequentemente tentam impor argumentos infundados com grande veemência e às vezes violência, minha tia Fran, sem dúvida, serve como um excelente antídoto com base na sabedoria acumulada ao longo de seus mais de 90 anos que foram muito bem vividos.

 

Dedico este texto à memória de minha querida tia-avó Francisca.

 

Leandro Alves de Melo, bacharel em Direito pela UFU, advogado, colunista, é sócio proprietário dos escritórios Alves & Melo Advocacia MG e GO, pós-graduado em gestão de pessoas INESP/SP (2018-2020), especialista em Direito Previdenciário pelo IEPREV/BH (2020 a 2022), pós-graduado em Direito Constitucional pelo Instituto de Direito Público de Brasília (2019-2022), vencedor do Top of Mind 2023: advogado previdenciário.

 

A&M Advocacia 34 3242 1489 e Whatsapp 34 99900 0819

3 Comentários

  1. Tânia disse:

    Realmente é uma perda de tempo tentar mudar uma crença arraigada, um ponto de vista baseado no preconceito. A tia Chica era muito sábia mesmo, ela não gastava energia para ter razão. Sabedoria de vida. Algo que podemos aprender sempre. Em todos os casos citados é perda de tempo,as pessoas só veem o que querem ver. 👏👏👏👏👏👏❤️

  2. Eliane disse:

    Eu sou realista e existencialista com toda razão, de vez em quando assisto uns vídeos e não aguento o povo esquecer do serviço do médico que abaixo de Deus ajudou a salvar a vida de alguém e acabo dando umas explicações para eles. Comunismo não existe, só se for na casa do Dória, porque as pessoas que se dizem comunistas jamais vão repartir a fortuna delas com os outros, o que existe é um socialismo de esquerda. Socialismo se fosse bom as pessoas não fugiriam para outros países, como aquela música chamada América I like to be in América, tem umas críticas no meio porque os cubanos fugiam para lá para poder ter eletrodomésticos e ganhar seu próprio dinheiro. Os socialistas gostam dos lucros do capitalismo. Eu estou notando que algumas páginas os comentários não aparecem, será porque, seria para ninguém ler o comentário de ninguém. Eu não gosto de partidos e sim de trabalho, gosto de quem trabalha para a minha cidade e não de pessoas que ficam com picuinhas em época de eleição, porque não é alguém do partido dele que está no poder.

  3. Rosmar de Souza disse:

    HAHAHAHAHAHAHAHAHA.. DR. LEANDRO, G-E-N-I-A-L.

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